terça-feira, 25 de julho de 2017

''Dias Em Lo-Fi'' é o disco de música lo-fi necessário em um momento como este





















Não contente com nos deixar franzindo a testa e adulações em 2015 através do lançamento de ‘’Enxaqueca’’, O duo carioca LuvBugs revela ‘’Dias Em Lo-Fi’’ , uma coleção de onze músicas que, bem, nos deixa franzindo a testa e adulando, a tristeza que se desloca por todos os instantes, franzindo nossas sobrancelhas, enquanto os pequenos músculos da testa se recuperam, enquanto a beleza que murcha também é algo tão jubiloso e cheio de promessa como uma manhã de primavera..

Dias Em Lo-Fi começa um pouco na região selvagem, algumas notas discordantes que tocam no éter, o roquinho rodeado de batidas cortantes onde melodias tristes e divertidas encontram o seu lugar. O disco produz o tipo de zumbido que levita acima de sua pele e o transporta para fora do seu espaço, mesmo que por apenas alguns minutos. A relação do ritmo de guitarra e bateria em todas as faixas me lembra "King of the Beach" do Wavves.

Em outras mãos, tais maneirismos podem muito bem ser excessivos, mas Rodrigo Pastore (guitarra/vocal) e Paloma Vasconcellos (bateria) sempre sabem quando se afastar, quando deixar sentimentos pendurados no ar e voltar para o lado musical do registro. E esse lado musical é algo esmagadoramente especial em si mesmo, cada faixa compartilhando uma estética semelhante para que toda a peça se sinta surpreendentemente imersiva, apenas ocasionalmente rompendo com seu caminho mais nebuloso e vago para adicionar pequenas marcas de luz e cor aos ambientes de outra forma obscurecidos.

Produzido pela banda em gravações caseiras e sessões no Estúdio Floresta com Rafael Matias no início deste ano, o novo disco é o primeiro da LuvBugs desde Enxaqueca. Um inescrupuloso lo-fi sofrência cheio de poesia produtiva. Ele ressoará com qualquer um que tenha se sentido inseguro em seus próprios pés, e reflete bem a narrativa subjacente do álbum sobre a sobrevivência em meio à instabilidade com músicas inocentes e rápidas sobre dores crescentes e amor.

Qual é, talvez, o motivo pelo qual essas músicas curtas entram tão profundamente no mundo dos ouvintes. Por toda a ambiguidade que é anexada a essas entradas diárias poéticas, elas ainda sentem parte de nós, do nosso mundo e caminhos. Não tenho certeza por quê. Talvez não haja uma resposta. Mas, por sua própria maneira, elas representam pequenos pedaços de nós, manchas minúsculas que podemos escolher ou ignorar, mas que se sentarão lá como lembretes de qualquer maneira.

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