domingo, 25 de junho de 2017

Música folclórica e experimentalismo no EP da banda Pantaleão

























Tão incomum quanto o seu nome, a banda Pantaleão significa tudo que seu nome atrai: força, beleza, robustez. O som dos quatro músicos vai do calmo ao agitado sem assustar: blues, rock, música folclórica e experimentalismo são os ingredientes dessa mistura agridoce que ganha novos contornos com o lançamento do EP de estreia da banda, “Labirinto”.

O nome exótico veio do personagem principal do livro “Pantaleão e as Visitadouras”, escrito pelo peruano Mario Vargas Llosa. Na estória, o jovem capitão é enviado para a Floresta Amazônica, a fim de resolver um problema de abstinência sexual da tropa do exército. A narrativa moderna, que une cartas e relatos a elementos sexuais e visuais da América Latina, é uma ode à cultura, que vai ao encontro dos conceitos suscitados pela banda e apresentados nos singles “Carnaval” e na épica “Clifford Brown”.

Muito jovens e juntos há pouco tempo, André Buarque (voz e violão), Paulo Valente (saxofone, flauta e teclados), Pedro Salek (bateria e percussão) e Arthur Trucco (baixo e vocais de apoio) são maduros em suas canções, o que fica evidente no trabalho. Gravadas no estúdio Camelo Azul em dois meses, as músicas trazem um clima descontraído e fluido.

“O que nos motivou realmente a gravar as canções foi a nossa surpresa com sua qualidade. Elas têm uma força particular e falam por si só, precisávamos dar a elas o espaço que mereciam. Agora chegou a hora de entregar nossos bebês ao mundo”, revela André Buarque.

Influenciado pelas canções de Bob Dylan e Gilberto Gil, que trazem o espírito trovador em suas composições, André Buarque também busca a contação de histórias em suas letras. “Gosto de elaborar as letras até o momento em que há uma unidade, uma progressão nas palavras. Não precisa ser necessariamente um enredo, mas é importante sentir que se está passando uma mensagem”, conta André.

Mas qual a mensagem que ele deseja passar com suas letras? André Buarque diz que “a arte não se finaliza, se abandona”. Por mais difícil que seja finalizar um projeto, renunciando ao perfeccionismo natural de um músico, o jovem compositor não se priva de buscar novos passos. “A evolução está em completar uma canção e tentar fazer a próxima soar melhor ainda. Um dia de cada vez”, finaliza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário