domingo, 30 de abril de 2017

Talude mostra rock experimental mais sujo e direto em EP 'Fragmento'

























No dia (18/04), a banda de rock experimental Talude lançou seu mais novo trabalho, o EP 'Fragmento' pelo selo potiguar Sopro Movimento. Neste lançamento, o quarteto de Natal (RN) se distancia do shoegaze e mostra uma sonoridade mais suja e direta, agregando influências do rock progressivo, da música eletrônica e de vários artistas do independente brasileiro atual. 

Com seus vocais em português à frente do som e incorporando samples, ruídos e até instrumentos "exóticos" como saxofone e digerido ao instrumental marcado por distorções e ecos, 'Fragmento' consegue ser ao mesmo tempo experimental e impactante.  

Talude é uma banda de rock experimental alternativo de Natal, Rio Grande do Norte, formada por Felipe Beniz, Jônatas Barbalho, João Victor Lima e Vik Romero. Tendo diversas referências musicais, o quarteto tem uma sonoridade atmosférica e catártica, mesclando ambiência a momentos de peso e intensidade. Surgido em 2013, o grupo já se firma como um dos novos nomes da cena natalense, contando com algumas passagens pelo tradicional Festival Dosol em Natal (RN) e com uma turnê realizada por vários estados em 2016. Seus lançamentos anteriores são o compacto Saturday Night/New Amsterdam (2014), o álbum Sorry the Trouble (2015) e o single Ruptura (2016).

Gravado e produzido pela própria banda em casa e com masterização assinada por João Carvalho (El Toro Fuerte, Sentidor, Rio Sem Nome), Fragmento está disponível para audição no Bandcamp, Soundcloud e Youtube, chegando aos players de streaming em breve.

Vacilant é uma trilha doce e hipnótica que lembra o charme bêbado de Flying Lotus e Jon Hopkins





































Vacilant é um projeto de música eletrônica idealizado e construído pelo músico Yuri Costa, ex-integrante da banda Voyage Roset. O protótipo do projeto surgiu em 2015, após o lançamento do álbum Dissonia (2015 – pelo selo Ruído B), e desenvolveu-se ao longo dos dois anos seguintes com o auxílio de músicos convidados como Leo Fabrício, Marcus Au Coelho, integrante da banda Casa de Velho e Gabriel Oliveira, também ex-integrante da Voyage Roset.

Vacilant teve seu nome escolhido ao perceber as similaridades entre o termo de raiz no verbo vacilar que tem por significado estar irresoluto, oscilar por falta de firmeza, estar ou ficar indeciso, hesitar, tremer e a estética originada no processo de criação musical.

O projeto foi germinado, gravado e mixado no estúdio criado no próprio quarto do artista com a colaboração dos músicos Leo Fabrício e Marcus Au Coelho. A concepção do EP perpassa batidas eletrônicas e a exploração de rítmicas quebradas. Com influências que transitam entre Aphex Twin, John Frusciante, Flying Lotus e João Donato, a Vacilant se propõe a ser o local de fronteira entre a sensação de diástase da realidade e a tentativa de criar uma percepção no caos. As músicas do álbum investigam as possibilidades rítmicas e dialoga com a experiência de uma paisagem rítmica por meio da música eletrônica;

Vacilant é sobre se sentir deslocado e procurar um eixo.

Em 2016, foi-se proposto uma criação visual em diálogo com a visão da fotógrafa Taís Monteiro. Ao longo do processo, o videoclipe da música Furtivo foi produzido e filmado com o artista Netinho Nogueira como protagonista. A narrativa foi construída a orbitar na ideação de deslocamento, de oscilação, de desterritorialização. Em seguida, as imagens que transitam o imaginário visual do álbum foram compostas a partir do conceito de Antônio Conselheiro em um futuro distante, em outro planeta com o modelo João Vital em constante conversa com a fotógrafa Taís Monteiro. O conceito é de uma imagem de som eletrônico que dialogue não só com uma estética de retrô futurismo, mas com uma identidade cearense e local. Propõe-se que o visual transite no mesmo espaço da música em uma eterna troca de sensações.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

D. Selvagi - Eu Vi Vários Eus / Eu Vi Vários Eus

























Os avanços na tecnologia e a diminuição dos preços dos equipamentos significam que a música que ouvimos em 2017 está muitas vezes cheia de ruídos criados por um computador. Se vamos assistir a um artista de dança ou DJ, eles usam um laptop no lugar de decks. Chame-me de antiquada, mas isso é algo que eu acho mais do que um pouco perturbador.

Imagina-se que não há muitas bandas brasileiras tremulando a bandeira para um som sombrio, análogo, discoteca soundscapes, na verdade, provavelmente, me sinto feliz por existir mais de um e, mais pertinentemente, que soam tão gratificantemente bom como D. Selvagi.

O álbum Eu Vi Vários Eus / Eu Vi Vários Eus foi lançado esse mês - através do selo carioca  Transfusão Noise Records – o projeto é capitaneado por Danilo Sevali, uma versão sem formato de banda, com vocais semi-enterrados e batidas espalhadas. Por todas as maravilhas que a referida influencia do faça você mesmo evocou, no entanto, o disco leva as coisas ainda mais longe - e está fluindo aqui a partir de hoje.

Em forma de uma varredura subjacente , lo-fi com expansões de ruído analógico, a forma maleável de cada faixa é mantida dentro de parâmetros, graças ao eminentemente divertido picos vocais que saltam e perfuraram a neblina com um sentido quase voluntarioso de abandono.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Stranhos Azuis, powertrio de rock, lança seu primeiro álbum

























Chega às plataformas digitais o primeiro álbum da banda Stranhos Azuis. Produzido pela própria banda de forma independente, o disco de 2017 reúne a experiência dos músicos Danilo Zanite, Daniel Dellelo e Luciano Matuck, tendo como referência principal a pegada do rock n’ roll setentista.

Neste disco são apresentadas 10 faixas que tratam de temas pessoais e cotidianos, como solidão, amor, conquistas e desapegos. O disco ainda transita por diversas vertentes do rock, como o folk, o blues e o hard rock.

O disco foi gravado em diferentes estúdios de São Carlos - SP e apresenta poucas participações externas para manter a essência do trio. Vale ressaltar uma homenagem feita ao músico sitarista Alberto Marsicano, em que samplers de gravações realizadas com ele em estúdio foram adicionadas à música “Sr. Da Razão”, dando um clima esotérico muito especial a ela.

Um vocal potente e guitarras que percorrem diversos timbres. Um baixo intenso e uma bateria marcante. O powertrio mostra pegada em seu primeiro disco com faixas que mesclam o creme mais puro do rock setentista com elementos do rock atual.

Stranhos Azuis é um powertrio de rock formado em 2006, em São Carlos/SP. Tem influências de bandas setentistas como Black Sabbath, Led Zeppelin, Jethro Tull, Banda Made In Brazil e Patrulha do Espaço. Conta com músicos experientes, Danilo Zanite (guitarra e voz) e Daniel Gordi (baixo), também integrantes de uma das mais importantes bandas de rock brasileiro dos anos 70 e 80, a Patrulha do Espaço, e Luciano Matuck (bateria).

Lançaram em 2010 seu primeiro DVD ao vivo, no 3º Festival CONTATO, abrindo para a banda Cachorro Grande. Conquistaram o 1º lugar duas vezes na 2ª (2008) e  5ª (2011) edições do Festival de Bandas Independentes do CAASO (FeBiCA – USP/São Carlos).

Em 2011 lançaram seu primeiro EP com 4 músicas, juntamente com o videoclipe da música “Terceiro Mundo”, produzido pela TVE São Carlos. No ano de 2012, na 6ª edição do festival Rock na Estação em São Carlos - SP, abriram para o Ciro Pessoa (ex-Titãs) e em 2014 na 8ª edição do festival abriram para a banda Krisiun.

A banda tem se apresentado desde 2007 em diversas festas universitárias, casas noturnas, festivais e SESCs.

No ano de 2017 ocorrerá o lançamento de seu primeiro disco, previsto para o 1º semestre. No 2º semestre a divulgação do disco será realizada por meio de uma turnê que terá foco na região sudeste de SP.

Download Gratuito AQUI 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Cora lança clipe com rolê de skate, praias paradisíacas e muita liberdade

Foto: Walter Thoms

Livre, leve e melódico, assim pode ser descrito o primeiro single das curitibanas do Cora, que já pode ser ouvido, sentido e apreciado no novo clipe de “Calandria”. A faixa é uma amostra do que está por vir no lançamento do EP “Não Vai ter Cora”, gravado em 2015 e previsto para finalmente ser revelado ao público em abril, em lançamento digital do selo Honey Bomb Records (Caxias do Sul-RS), unindo forças com PWR Records (Recife) e Coletivo Atlas (Curitiba).

“Calandria” é o passarinho que batizou a mais mântrica das tracks do primeiro EP da banda. “Otimista como quem voa por aí nos céus da América Latina, a Calandria é o equivalente hispânico do Sabiá e segue sempre com vontade e sem expectativas em direção a paisagens que tem como única condição ter ares de liberdade” explica Kaila Pelisser uma das fundadoras da banda.

Sobre o clipe elas complementam: “a gente curte skate e sempre pensou em fazer um clipe juntando música e os boards. Pra prestigiar e provar que tem mina mandando bem sim, entramos em contato com a Yndiara Asp, uma skatista profissional de Floripa que dispensa comentários nos quesitos dahorismo, habilidade técnica e fofura.”

Quem assina a direção do clipe é a produtora de vídeos Rasputines art, que além de fazer clipes de bandas também trabalha com skate e usou uma vx1000, câmera clássica dos vídeos de skateboard, chegando num resultado coeso e fluido: “sendo a calandria um pássaro e as colagens da intro e do final serem do Sea Organ em Zadar, na Croácia, a paisagem mental da música sempre pareceu um pássaro brisando na praia. Pensando nisso tudo, chamamos nossa passarinha pra voar no Édem Skate Park, que fica na Praia Brava de Balneário Camboriú”.






























Foto: Natália Alvarenga

Origem:
Desde 2013 a banda existe para de alguma forma, segundo as integrantes, “falar da darkzera que é a alma feminina em processo de descobrimento”. Já tendo experimentado diversas mudanças de formação, seus trabalhos de estúdio incluem duas demos lançadas em 2014 e o single “ADA” de 2015. Atualmente, em 2017, as fundadoras Kaíla Pelisser e Katherine Finn Zander (aka Katze) se consideram em um “relacionamento aberto” com músicos e amigos diversos que vêm e vão pela banda nos shows, muitas vezes organizados por elas mesmas, dentro das produções do Coletivo Atlas, um grande fomentador de cultura independente da capital paranaense.

Sobre o som:
Suas influências são permeadas por elementos do rock alternativo e do dream pop. Essa fusão cria um ambiente expansivo e harmônico com nuances psicodélicas e escuras, retiradas diretamente do interior da alma feminina em seu processo de descobrimento. “Uma banda de meninas sempre nos pareceu fazer sentido pela força das suas representações e das nossas referências como Warpaint, Grimes, Cat Power, Hole, Pixies entre tantas outras” revela o duo. O título do EP de estreia é irônico, um trocadilho com uma mensagem quase que rindo de si próprio, mas ao mesmo tempo nos traz a esperança de que sim, vai ter Cora.
Por enquanto, confira os títulos das demais músicas e aguarde o EP inteiro:

Tracklist de “Não Vai ter Cora” (2017)
1. Mystic Mirror
2. Center of the Self
3. Meerkat
4. Cactus
5. Calandria

My Magical Glowing Lens lança single inédito e anuncia primeiro álbum completo

Foto: Heitor Righetti

Uma odisseia contemporânea, uma viagem pelos confins do pop e do misticismo, uma jornada através do tempo e espaço. Esse é o single ''Sideral'', uma das primeiras composições feitas para ''Cosmos'', o primeiro álbum completo da banda capixaba My Magical Glowing Lens previsto para ser lançado em maio. “Ela traz pensamentos e sentimentos sobre a ligação entre mente e espaço sideral e sobre transformação e libertação do eu/ego mediante a ideia de infinito”, define Gabriela Deptulski, mentora da banda que tem na sua discografia um EP lançado no início de 2014.

As principais influências do álbum vão de Mutantes e Céu, a Flaming Lips e Melody's Echo Chamber. O álbum será lançado num show em Brasília, no dia 21 de maio.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Old Books Room lança clipe de "Bag Of Bones", single do novo EP "Where Do The Wild Dogs Live?"

























Guitarras furiosas, baixo pulsante, bateria pesada e um sintetizador atmosférico. É nas referências tão cool quanto poderosas dos anos 80, 90 e 2000 que a Old Books Room vai buscar inspiração pro seu indie rock cantado em inglês. Formada em Fortaleza no ano de 2011, a banda coleciona shows nos principais festivais da cidade e apresentações dentro e fora do estado.

A banda lançou o primeiro single do seu mais novo trabalho, o EP "Where Do The Wild Dogs Live?". A nova música se chama Bag Of Bones, e veio acompanhada de um videoclipe, quinto vídeo da banda.

O vídeo de "Bag Of Bones" foi gravado nas ruas do centro de Fortaleza, uma espécie de "lyric vídeo real", as edições ficaram a cargo da própria banda, bem no estilo DIY.




Lançamento | Blaxxxploitation é o novo EP do Giallos

Foto: Filipa Andreia
De norte industrial, este trabalho chega mais minimal e conciso, um breve discurso sobre correntes que ainda nos prendem a preconceitos. Chegar em 2017 só poderia soar apócrifo. O noise ainda é marcante nessas três faixas inéditas, mas é a hipnose sugerida pelos loops dos beats e samplers que garante nova linguagem ao EP. Isso porque estamos falando de uma banda que, em sua discografia (agora com 5 lançamentos), nunca se limitou a nada e é a real do experimentalismo, seja com os grooves de metais (característica do debut ¡CONTRA!) ou com ruído e silêncio, como neste novo trabalho.

Direto e reto, Blaxxxploitation é mais uma peça do manifesto antropofágico que Giallos está criando, comendo o Brasil falido pelas bordas, digerindo o que ele tem de mais indigesto para devolver, em forma de arte, o que cabe a todos nós no presente: atacar.

Blaxxxploitation está sendo lançado em fita K7 e em todas as plataformas de streaming, com download gratuito no Bandcamp. Giallos faz show de lançamento no dia 21 de abril, no Hotel Bar, em São Paulo.

Giallos é Claudio Cox (voz e cassiotone fuzz), Luiz Eduardo Galvão (guitarra) e Flavio Lazzarin (bateria e samplers).

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Vinicius Mendes explora as sutilezas do íntimo em "Mercúrio"



Um artista, assim como o deus Mercúrio, manifesta diversas facetas: é poeta e mercante, mensageiro e inconstante. Vinícius Mendes, compositor de Taboão da Serra/SP, tomou a figura mítica de referência e fez "Mercúrio", seu segundo disco. Produzido por Lucas Silva (LVCASU) e com participação de Theuzitz, o disco é lançado em 11/04 pelo selo Pessoa que Voa (SP).

Vinícius descreve seu segundo trabalho como "um disco sobre a vulnerabilidade e a incerteza que emanam de qualquer processo criativo". Em suas composições, questiona o legado de sua música desde "Home is ______" (2016) e a glamourização da depressão. Suas letras, pela primeira vez escritas todas em português, demonstram uma maturidade crescente em relação ao seu primeiro disco.

Influenciado por artistas como Elliott Smith, Joanna Newsom e R.E.M, as oito faixas de "Mercúrio" são permeadas por uma sonoridade predominantemente acústica e crua e que busca as suas resoluções composicionais dentro de pequenas pausas, intervalos e intervenções pontuais de outros instrumentos e vozes.


terça-feira, 11 de abril de 2017

Novo Clipe do Unbelievable Things















O Trio paranaense Unbelievable Things lançou ontem o primeiro videoclipe da banda para a música cansadão. O vídeo foi gravado nos dias 25 e 26 de março em Londrina e Maringá nos shows que a banda fez para o lançamento do EP Wasted Time e tenta mostrar um pouco como são os rolês realmente independentes por esses lados. Veja abaixo:

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Hora de Viajar - saiu o novo álbum da BIKE

Foto: Cassio Cricor

BIKE é uma banda que entende de estrada: pelas mais de 50 cidades de 15 estados por onde passou, entre festivais de grande porte e shows em pequenas casas, entre sorrisos chapados e olhares curiosos, muita coisa aconteceu. Um público crescente foi se formando com entusiasmo, enquanto o grupo chamava atenção da mídia nacional e internacional - cruzando o hemisfério e ingressando no selo 30th Century Records, do produtor norte americano Danger Mouse, com uma das faixas de 1943, seu disco de estreia.

Sem medo do que os caminhos da vida podem oferecer e guiados por certo sentido de coletividade, a banda retoma as pedaladas com força no lançamento de Em Busca da Viagem Eterna. É o momento de chegar mais longe, a procura pela trip que dure uma eternidade. Naturalmente as faixas foram gravadas entre viagens e as letras acompanharam essas transições pelos estados do país, como podemos sentir em canções como “Enigma dos 12 Sapos”, abordando as dificuldades no caminho inicial da banda. “Do Caos ao Cosmos”, que ganhou clipe com imagens da Índia e Nepal, é outro exemplo do que as viagens - agora, mentais - proporcionam.

Ainda com os pés na psicodelia, mas explorando mais o lado rock (junto aos já reconhecíveis chilling mantras), Em Busca da Viagem Eterna transita entre a primavera dos Secos e Molhados e um verão de Connan Mockasin, entre outono e inverno com Brian Jonestown Massacre ou Alejandro Jodorowsky. Durante a construção do álbum, um processo mais colaborativo também guiou a viagem da BIKE. “Tudo foi feito muito rápido, durante a estrada… Cada um ia mostrando o que ia fazendo e, quando dava, rolavam algumas jams”, diz o guitarrista Diego Xavier. “Testamos coisas novas, muitas vozes e coros, puxando um pouco mais na criação sem perder a essência do primeiro trabalho”, completa.

A banda se prepara para sua primeira turnê internacional, que incluirá shows em festivais como o Primavera Sound, em Barcelona, e a edição portuguesa do goiano Bananada. Shows na Inglaterra e na Escócia também estão programados. Diego (guitarra e voz), Julito Cavalcante (guitarra e voz), Rafa Bulleto (baixo e voz) e Daniel Fumega (bateria) compõe a BIKE. Em Busca da Viagem Eterna foi gravado no Estúdio Wasabi, em São José dos Campos, por Diego Xavier. A mixagem analógica e a masterização, passada pela fita de rolo, ficaram nas mãos de Rob Grant (Poons Head Studio, Austrália), que já trabalhou com artistas como Tame Impala e Miley Cyrus. As artes que acompanham o disco, feitas por Juli Ribeiro, foram inspiradas nas cartas do Tarô de Marselha e na psicomagia de Alejandro Jodorowsky. O eneagrama presente em todas as ilustrações, e principal elemento da capa, representa o auto-conhecimento, um processo que tem relação com as buscas humanas.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Analogica - Dias de Tédio





















Alegre rock triste, hein? Realmente não há nada como ele. Diga olá, então, para Analogica que ganharam nossos corações pouco tímidos com seu EP Dias de Tédio. Acertando em pouco mais de dezesseis minutos, o disco não dá muito tempo para entregar a sua mensagem, mas a minha palavra que faz a maior parte dela. Vocal limpo e suave, quase impercebíveis explosões de distorção, criando um leito de som para a doce, mas nunca fragilizada emoção que flui de uma forma preguiçosa, mas maravilhosamente fresca.

Composta por Heitor Machado, Leonardo Geri e Diogo Yashiki, a banda é um empreendimento descontraído desde o primeiro momento da introdução de ‘’Introdução aos Dias de Tédio’’, não se sentindo em nenhum momento lânguida, em vez da letargia apresenta algo infinitamente mais prudente, trazendo uma sensação de melancolia subjacente. Uma mistura quase básica de  Action Jelly,  Current Joys e CASTLEBEAT. O sol ainda brilha, as árvores se curvam na brisa, mas 'Dias de Tédio' sonha em outro lugar, ou pelo menos em outra pessoa inteiramente.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Jonathan Tadeu lança " Filho do Meio"





































Pra quem viveu os anos 90, a atual recessão econômica parece um loop cruel, onde nosso lugar no mundo e na vida pode ser bruscamente modificado. E é nesse terreno de retrospectivas, autoanálise e relação espaço/tempo que Jonathan Tadeu fez seus novo disco: nos melancólicos e reflexivos sete dias entre o Natal e o Réveillon de 2016 ele compôs todo o repertório de “Filho do Meio”, seu terceiro trabalho em apenas dois anos de carreira solo. A cada sentada de criação feita em um software de gravação simplificada, ele enviava o material para o produtor e músico João Carvalho (Sentidor/Rio Sem Nome/El Toro Fuerte) finalizar os arranjos e mixar as faixas. Um disco feito em casa, por quatro mãos, ainda que Jonathan e João não tenham se encontrado ao longo do processo de produção. 

Um dos destaques do disco é a abordagem franca de temas inéditos em seu texto, como o racismo, o classismo e a estetização/hipsterização das misérias sociais. O modo descritivo e sensível de seus relatos amorosos continua centralizando o trabalho, afinal, Jonathan se tornou um dos expoentes do chamado “rock triste” ao lançar “Casa Vazia” (2015) e “Queda Livre” (2016), discos onde ele solidificou um estilo melódico, introspectivo e avesso às letras grandes. Agora, as bases eletrônicas, harmonizadas com sintetizadores, desafiam a métrica de suas composições e colocam o músico numa posição singular e inquietante. 

Jonathan Tadeu 

A sequência de lançamentos “Casa Vazia” (2015), “Queda Livre” (2016), e agora “O Filho do Meio” (2017), ilustra bem como a carreira de Jonathan Tadeu acompanha o incrível ritmo de produtividade do coletivo/movimento Geração Perdida de Minas Gerais. Durante 6 anos liderou a Quase Coadjuvante, banda que, literalmente, fez barulho por onde passou. Videomaker nacionalmente reconhecido, ele também dirigiu dezenas de clipes de bandas, inclusive os seus próprios. Preto e de origem pobre, Jonathan é, sem dúvida, um autodidata que deu certo.


Sketchquiet - Tudo é poético aos olhos de cada um, desde que você se permita... (2017)





































Sketchquiet é o projeto de one-man band do Mário Alencar, vocalista e guitarrista da banda shoegazer Killing Surfers. De Maceió, AL, o projeto é instrumental, onde Mário experimenta diversas distorções, reverbs, delays e programações de batidas e samples – suas principais influências vão das guitarras climáticas do Durutti Column ao pós-rock de artistas como o Lowercase NoisesJesu, Planning For Burial e que também pode passar pela música eletrônica dos anos 90, Boards Of Canada, Squarepusher, Four Tetmas mantendo um som original dotado de um vigor único. 

O álbum, Tudo é poético aos olhos de cada um, desde que você se permita... foi gravado e produzido pelo próprio entre dezembro de 2016 à março de 2017 - a arte da capa do disco é feita pelo artista Gellyvan Fernandes. O disco já é o quinto álbum, sem contar com outros EPs e singles soltos, tendo uma incansável discografia em seu Bandcamp.

terça-feira, 4 de abril de 2017

SLSD - "Olhos Abertos, Bocas Fechadas"

Foto:  Renata Manso

Algumas músicas são feitas para o meio da noite. Trilhas sonoras para o silêncio de quartos iluminados pelo LED de um despertador, piscando segundos um por um, aumentando a pressão para dormir antes que a  manhã chegue. Canções que saturam o seu ambiente instantaneamente com uma sensação inebriante de limbo noturno - a única vez (talvez) faz sentido beber uísque em linha reta e sentir o seu chute de aquecimento. Faz com que você reconheça esses momentos, e SLSD também.

‘’Não é Tristeza’’ é minha faixa preferida (me lembra Nice Legs), e eu quero dizer o material que reverbera naqueles lugares corporais que não têm um nome, parecem manter um equilíbrio impressionante entre raivoso,  brilhante e timido . O primeiro é fácil de apontar: é nas palavras, é na flutuabilidade da instrumentação, na atmosfera que toda a coisa é entregue dentro. Este último é mais difícil de definir. Assim como nossas lembranças favoritas também despertam um sentimento de tristeza - a incapacidade de reavivá-las em tempo real, pelo tempo que passou e as mudanças que ocorreram - tão determinadas, as canções se sentem atadas com melancolia mesmo quando, na superfície, elas solidificam sua reputação florescente.

SLSD (Sem Lenço Sem Documento) é uma banda do norte de Santa Catarina que lançou em Março seu primeiro disco pela  Umbaduba Records , "Olhos Abertos, Bocas Fechadas". O disco de seis músicas é uma reunião surpreendentemente suave de dreampop, guitarras embebidas em Masala Chai e vocal queimado que deixa uma marca pertinente em cada uma dessas faixas.

Canalizar esse sentimento de apatia que parece sentar-se no coração do estilo de vida sulista, ‘’SLSD’’ consegue esse truque raro de sentir ambos os sentimentos queimando para fora, mas sem aparecer fugaz. Sustentado por sensibilidade inteligente, o sucesso reside na sua capacidade de obter um sentido genuíno de atmosfera de outro ambiente banal, é quero dizer isso da maneira mais literal; É a música que instiga os sonhos do dia, do amor perdido e ganhado, de terras aventureiras, como se eles precisassem aumentar ainda mais esse sentimento exagerado.  

As vexações da vida cotidiana rabiscam sua marca em cada centímetro deste disco, mas a banda o usa apenas como combustível para seu fogo - e mesmo nos momentos mais nostálgicos do disco, eles mantêm um senso de determinação obstinada que se move sempre para frente, acentuando aqueles sentimentos de isolamento, de distanciamento emocional, que cria uma paisagem vívida tão importante quanto as canções próprias. Uma trilha que olha para trás, mas está firmemente enraizada no presente; Transmitindo uma sensação de imediatismo absoluto em sua capacidade de agitar suavemente as emoções. 

sábado, 1 de abril de 2017

The Tape Disaster - Oh! Myelin

























Eu acabei de ler ' No Country For Old Men ' novamente recentemente; A história de Cormac McCarthy sobre a morte e o caos e um país que cresce e muda mais rápido do que a velha guarda pode compreender. A morte é onipresente ao longo do romance, mas é tratada como uma matéria claramente declarada é claro, algo que acontece em uma variedade de maneiras, por uma variedade de razões, mas algo que só acontece, no entanto. Tão simples como o tempo avançando. Tão fácil quanto respirar. Como nada, mais ou menos.

O recomeço aparece tão profundamente sobre o primeiro disco cheio da The Tape Disaster , mas a representação dele está longe da imagem espelhada de McCarthy. Aqui é esmagadoramente real. Aqui ele destrói vidas, afeta todos e cada aspecto de cada dia, ele rasga conversas, relacionamentos, rotinas. Salta quando você menos espera, mudando o tom em um súbito golpe de lembrança. Através destas oito faixas, a queda da morte manifesta-se de várias maneiras também, desde a raiva plena, até exames sutis do que essas coisas significam em termos muito mais ambíguos - e faz uma viagem tumultuada, mas que ainda oferece esperança e validação e descoberta musical para aqueles de nós que são, como consumidores, apenas expectadores visionários.

Tateado por Sebbastian Carsin como uma parte de um diário de sentimentos, parece um tanto grosseiro falar até mesmo sobre Oh! Myelin em termos de musicalidade, dado o peso do conteúdo que é coberto aqui; Basta dizer que  é de longe o seu trabalho mais realizado até à data, um registro veemente, detalhado, imponente tão cheio de vida que quase parece irônico, dadas as circunstâncias acima mencionadas.

De volta a essas manifestações, porém. Eu tive a sorte de evitar a natureza angustiante da morte de um ponto de vista estritamente pessoal, mas eu estive perto disso. Eu vi a maneira que ela afeta amigos, ouvir os ruídos que cria, a linguagem que ela usa. Eu vi isso quebrar as regras, como torna tais coisas como inútil por existir fora do entendimento, sem qualquer consideração pela justiça ou consequências. Eu vi, também, como é difícil de tremer, como ele percorre seu caminho para conversas, em nada em tudo. E assim é aqui. Enquanto canções como o  ‘’ A Sua Sorte ‘’ conquistam o assunto, em outro lugar ele se arrasta para fora das sombras, uma linha de melodias mudando subitamente toda a forma de uma trilha; Um soco-eco se alguma vez tal coisa existisse.

Essa luz é eminentemente importante em um registro como este, e seria errado dizer que é um álbum que vive apenas no escuro. Para todos os momentos de desespero de realização e reflexão, ‘’ Oh! Myelin ‘’ ainda brilha com sangue quente. Há inúmeras quedas no escuro e sombra, abundância de momentos furiosos contra o mundo e a injustiça de tudo. Movendo-se sempre para frente, furiosamente olhando fixamente a escuridão no olho enquanto algo de Township,  Gleemer, Awe Howler me faz entender  um disco que é ao mesmo tempo tão pessoal como está abraçando com alguém que amamos. Nós nunca duvidamos que os sentimentos e personagens são reais, mas também somos capazes de mudar o brilho deles um pouco para investir nossas próprias histórias de volta para eles. E mesmo quando tais coisas não são possíveis, quando as letras pertencem, esmagadoramente, E, no final, isso é exatamente o que o título do álbum representa. 

Preencha essa lacuna em si mesmo. Desviar a declaração para outra pessoa ou usá-la para examinar sua própria vida e experiências, um momento indelével bonito com o toque gracioso e a intensidade ardente de explosões no céu em sua forma mais refinada.  Ouça essas músicas e pegue as vibrações que você precisa delas, elas ainda existirão para aqueles que as escreveram e aquelas sobre as quais foram escritas. E você pode muito bem precisar delas, partes delas, todas elas, para si mesmo. E este registro diz-lhe que mais descaradamente, mais lindamente, mais simples do que qualquer outra coisa que você provavelmente vai ouvir este ano.

(Lançamento) "Filhos Dourados do Soul" - Madame Rrose Sélavy


























O oitavo álbum da banda Madame Rrose Sélavy (décimo primeiro com os bootlegs) é um estilete que abre um corte na trajetória da banda. A poesia, a crítica social, a imaginação e a realidade se misturam e os beats são acentuados pelas texturas das guitarras, dos vocais e dos sintetizadores. As letras, ao mesmo tempo irônicas e líricas, ora são amargas, ora cheias de esperança, buscam retratar as sutilezas, os afetos e a crueldade do cotidiano. Em meio a real distopia em que vivemos, a banda apresenta um álbum que é uma celebração do fantástico e do onírico com a acidez que o momento instiga e um bocado de emotiva sensualidade, pois tudo que não se inventa é mentira. Somos todos filhos dourados do soul!

Madame Rrose Sélavy é uma banda mineira de electro frevo bossa punk da cidade de Belo Horizonte. O grupo é formado por Alex Pix na guitarra, Lacerda Jr. nas guitarras e teclados, Marcos Batista no baixo, Raul Lanari na bateria, Ana Mo nos vocais e TucA também nos vocais, programações e samplers.

Gravado, mixado e masterizado no estúdio caseiro do Colégio Invisível.
Download AQUI