segunda-feira, 6 de março de 2017

LANÇAMENTO #21 - 'Ale Amazônia - Falso Protagonismo' (BR/RPC)




























Ale Amazônia é um musico compositor, cineasta, escritor e produtor independente nascido em Curitiba, Paraná e radicado na cidade de Xangai, China. Tem passagem por bandas como Motim (BR), Homunculi (BR), Little Monster (BR-RPC) e Dirty Fingers (RPC). Em Fevereiro de 2017, lança seu primeiro álbum solo, o primeiro elemento de uma obra tríade composta por música, cinema e literatura intitulada “Falso Protagonismo”. 

Respeitando as métricas do situacionismo, aleatoriedade  e restrição, Falso Protagonismo busca explorar sentimentos e percepções psicológicas cruas através de canções compostas, executadas e gravadas uma única vez. Com exceções de  "A made feeling" e "Queria nadar até você pra te ver te beijar te amar". Gravadas de forma caseira e não profissional esse álbum não é um produto artístico, mas, sim, o fim de um capítulo; uma virada de página; É de conteúdo pessoal e revelador.


F (Pairs, Next Years Love e Little Monster)

"Junho de 2014.
Ale Amazônia me apresenta uma demo de um de seus projetos solo, chamado "demônios estrangeiro e espírito de raposa". Eu, jogada em um porão úmido, ouvia o material, um amigo meu imediatamente me disse:"Quem é este? Muito ruim!!”. Dois anos e meio mais tarde, ele me pediu para escrever uma resenha para seu primeiro álbum solo, “Falso Protagonismo”. Escrever algo similar à própria atitude dele: não se importando como as outras pessoas pensam.

Isso me deu grande liberdade para comentar sobre o seu trabalho. Dadas as nossas relações tensas e delicadas, eu não quero pressa, não quero investir muito. Mas este álbum, mais especificamente as 11 músicas que o compõe, é de boa fé, está além dos limites da razão.

Sem arranjador experiente e estrutura musical, mesmo misturado com o erro e discórdia gerada pela improvisação, neste "Falso Protagonismo” não há uma bela voz, e a sua produção não é para dizer o quão perfeito ele é, mas sim, revelar um produto áspero onde a franqueza é o único remédio dentro desse delicado estado cheio de emoções conflitantes. E a maioria dos sentimentos são não inteligíveis, mas, sim, claros e palpáveis. Na verdade, não mais sincero, enquanto movendo para o seu próprio bem.

Melodias simples e emocionais são preenchidas com letras poéticas e extremamente pessoais, como um homem nu em pé na beira da estrada que ignora a atenção de todos. Ele e seu próprio confronto, sem medo de expor a sua vulnerabilidade. Seu ressentimento e conflito são de corpo inteiro, ele ficou no passado em um cruzamento. Seu próprio papel para desabafar a raiva, culpa profunda por seus erros, de ferir as pessoas se desculpando, passado e luta por uma nostalgia melhor e interminável.

Ao contrário de outras bandas de Ale, este "Falso Protagonismo", é de sua própria criação, seus próprios desempenhos, gravando e publicando e decidindo sobre o seu próprio trabalho. Foi um rompimento; o final de um capítulo; algumas nostalgias e registros particulares do passado em seu tipo favorito de forma - a música - para virar a pagina de sua vida.

Há um estado de espírito, não muito especifico não muito bom, não muito preciso, porém muito direto e profundo. Impressionante como é a mente. Os momentos de verdade que não podem enganar. ”

Por Ana Moravi (Cineasta, Escritora, Música e Compositora)

"Olhos abertos num filme, sonhei entrar de gaiata num navio rumo a China. No meio do caminho tinha um produtor independente que me disse estar voltando de uma turnê com uma de suas bandas, Dirty Fingers. Pasmei, foram 31 cidades da China e na sequencia preparava uma viagem com o duo Little Monster para tocar em várias cidades do Brasil, também de forma independente. Pensei, pelo amor de Dadá, quem diabo é esse cara para quem o mundo não tem limite. Alê Amazônia com certeza é alguém que leva às última consequências o modus vivendi Do it yourself. Entre as cidades, encaixamos Belo Horizonte e pude sentir a energia, o humor, o feeling e o tesão com que ele produz e toca. Passados alguns meses, estava eu encerrando ciclos pelas montanhas de cá, quando recebo links de seu projeto solo, "Falso Protagonismo". Bateu na hora, experimental, sujo, descomplicado e libertário. Lembrei de uma personagem de um filme que gritava: não há nada, nada, que saia do seu coração e vai direto para a sua boca? Em Falso Protagonismo há. Como se estivesse em uma das muitas jams que vivenciei com o Em Dias De Surto, mais uma vez ouvia um som capaz de presentificar uma vitalidade visceral, ácida e sarcástica. Por intensos 42 minutos, estive naquele quarto em Shangai transmutando emoções. Um álbum que de fato não é um produto artístico, como nos adverte, é puro punkjass do coração. Afinal, não há o que muda, não há quem mude, só há mudança”






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