quarta-feira, 24 de maio de 2017

Desavanço - Vida Feito Faca (EP)





































Embalado com narrativa lírica e aveludado com restrição lo-fi, Desavanço traz cinco canções oferecendo um clima reflexivo com voz bucólica, e mergulha em paisagens sonhadoras. Tendo gravado e produzido o álbum totalmente DIY, a dupla Andrei Martinez Kozyreff e Victor V.B foram capazes de dar vida a todos os detalhes de ‘’Vida Feito Faca’’, introspectivo em sua própria maneira inconfundível.

O EPparece tão propositadamente moldado para ser ousado e não tentar ser qualquer coisa que não é. Uma imagem monocromática de um fundo branco e fonte preta simplesmente detalhando cada título, sua quase intencionalmente clandestinidade oferece uma ideia do que você está prestes a ouvir - algo honesto, direto e sem vergonha. 

O projeto dos músicos é demasiado reto para dar inteiramente à melancolia, embora; A voz de Andrei seja pura e crua, e seus instrumentos tão simples e flutuantes. Quando ‘Clara e Salgada’ se harmoniza com a palavra "Apaixonado" nas primeiras linhas, poderiam estar cantando os versos mais tristes do mundo, e eles ainda soam como um feixe de luz. E isso é o que torna este disco tão saudosista. É saudade, é memória, é nostalgia, é saudade de casa. E, ao mesmo tempo, são os amigos queridos que te invadem com historias, onde quer que estejam.

Molho Negro - Não é nada disso que você pensou

Foto: Julia Rodrigues

Eu não tenho certeza qual é a verdadeira descrição desse sentimento que ressoa através de seu intestino quando um pedaço de música impetuosa te atinge pela primeira vez. Talvez, de fato, tais respostas primárias sejam mais bem sentidas do que articuladas, no entanto, se tivessem seu próprio som, espera-se que ele ressoaria algo como a voz mais dramática e ardente de João Lemos . Tentar organizar a loucura não seria um subtítulo ruim para o novo disco do trio paraense, em uma infinidade de paisagens sonoras ainda conseguem criar um produto final coeso que se encontra no cruzamento perfeito de experimental e stoner. As melodias não são previsíveis, mas são distantemente familiares e completamente indeléveis. 

Ao longo de mais de um ano, Molho Negro aperfeiçoou um som que é ao mesmo tempo ameaçador e atraente: Pode parecer tão perigoso que parece pôr em perigo a alma mortal do ouvinte. Mas "", segundo álbum da banda, encontra um lado mais sutil, mais ao mesmo tempo bastante direto e voraz. Lançado na semana passada, o novo álbum da banda é uma demonstração criativa de poder combinado com proeza, as onze faixas cortando um caminho tremendamente poderoso através de referencias contemporâneas e as perspectivas mais sujas de inspirações garage -rock / stoner -rock no início dos anos noventa, de Danko Jones para Broncho.

"Não é nada disso que você pensou" toma a monotonia de muitas bandas de garagem e injeta algo novo. É um exercício de reinterpretação e de encontrar inovação na repetição. No entanto, não perde nenhuma das emoções oprimidas subjacentes a todos os seus estilos de influência. Apenas o que a confusão em questão é continua e ambígua, depois de todo o desespero das canções, eu não posso abalar a sensação de que o ouvinte pode não gostar do que ele vai encontrar. Melodias de rock cativante cheio de raiva e coração. 












































terça-feira, 23 de maio de 2017

Peixefante - Inundando o dia com uma sensação extra de intriga, distorção e sol

Foto: Pedro Margherito

Nós caímos de cabeça sobre os calcanhares apaixonados da Peixefante, graças a sua estreia por aqui em 2015, Lorde Pacal . Foi uma coleção bem sucedida de giro futurista no pop alucinatório , com letras inteligentes que conseguiram se sentir como um fluxo de consciência solta e poesia afiada ao mesmo tempo. Muitas bandas tradicionalistas procuram dar vida a riffs antigos, mas o quinteto de Goiânia parece colocar mais pensamento nele do que a maioria.

A música do álbum revisita uma época em que efeitos de guitarra e truques de estúdio eram as mais novas fronteiras da música; Quando a simplicidade era velha bastante para dirigir e violentamente lançou ideias convencionais fora da janela. Caixas de fuzz e reverberação cavernosa não são tão de ponta como costumavam ser, mas Peixefante parece ter paixão por esses sons contagiosos em "Lucidez". O primeiro disco cheio da banda coloca o melhor da manipulação textural para a frente, com distorção de guitarra tão abrasiva e suave, é como um pedaço queimado de pão de carne em uma frigideira enferrujada.

A produção dá à psicodelia goianiense uma ressurreição muito necessária, enquanto que até mesmo a composição soa de volta a outra era brincando com o surrealismo em cada um de seus versos. Mas a cereja sentimental em cima desta saudação nostálgica é a consciência alterada, destacamento sonhador e um saudoso sentimento de escapismo. Peixefante é mais sobre o impacto do que a inovação, com certeza, mas a música ainda atordoa suficientemente para saber até que ponto pode ser empurrada, puxada e esticada.

























segunda-feira, 22 de maio de 2017

Lilya- Devala - Primavera dos Licantropos





































É estranho ter um corpo. Membros, articulações, cartilagens, veias, nervos, células - a presença ameaçadora de tais partes inescapáveis ​​pode fazer confundir estados de estranhamento existencial. Passar para outras partes que significam convenções de gênero e a noção pode ser suficiente para transformar uma mente de dentro para fora.

A música eletrônica em 2017 pareci se esforçar em direção a tais estados. De qualquer forma, longe disso: longe dos ídolos da EDM, um elenco de experimentais progressistas do sul do país se voltou para assuntos de gênero como algo sujeito a pesquisa em meios eletrônicos de reclusão ​​e não dançáveis. Em um gênero que há muito tempo privilegia a elusividade e o anonimato - pense no DJ arquetípico sem rosto com sete confusos girando em um clube escuro - a questão da identidade veio para um foco novo e imaginativamente expansivo.

Sinais de transformação de gênero e movendo-se através de estágios sem precedentes de compreensão e aceitação têm sido evidentes em toda a cultura, desde as projeções múltiplas do Abdala , o drone ambient do Acavernus, passando por Cadu Tenório e bemônio . Como um honorífico neutro do género, Felipe Ferla tenta transcender um estilo de música que ultimamente tem ganhado um poder estratégico dentro das fileiras independentes pelo Brasil a fora.

Sobre o artista:

Lilya- Devala é um projeto do músico e co-fundador da Abjection Productions, Felipe Ferla. Neste álbum gravado em janeiro de 2017, Ferla procurou extroverter um pouco sua música permitindo que samplers, gravações de campo e dub se infundissem numa estética suburbana de alienação veranil embalada por ritmos pós-baladeiros.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Oxy - Canções feitas para noites atrasadas e luz de lampejo





































Eu sinceramente acredito que o principal papel de um jornalista de música deve ser descobrir e redescobrir novos talentos em vez de simplesmente apresentar discos mainstream, prontamente disponíveis, que têm a sorte de serem entregues às massas. Mas é uma vergonha que tão frequentemente os critérios para lançamentos parecem basear-se apenas no nome e no reconhecimento. 

Oxy defini o seu trabalho com linhas de shoegaze e dream pop. Seu EP recém-lançado apresenta melodias brilhantes e quase viciantes, e ainda ​​dão a este momento reflexivo e melódico na música uma agradável lavagem nos ouvidos. Com os fones de ouvido direito, é o tipo de experiência de audição que vai transformar o seu mais angustiante e mal-humorado dia de transporte público em uma “viagem pensativa”. Percorrendo o proverbial livro de canções que é a caixa de entrada da Oxy, de repente nos encontramos sepultados sob uma pilha de 4 canções, todas elas compelidas e impulsionadas por aquele poderoso instrumento que aparentemente morreu há anos.

Se você está nervoso com a parede de reverberação, às vezes incipiente, de Ride ou Cocteau Twins, ‘Mad’ pode ser exatamente o que o médico ordenou. O que diferencia esta música de seus riffs processados zumbindo pesadamente ​​dos antepassados ​​do shoegaze é a habilidade agudamente contemporânea da Oxy para o edifício e dissimulação de camadas instrumentais. Um atraso generoso, a pureza despretensiosa de um sintetizador de sopros e, em certos momentos, o baixo e a guitarra e todo o fluxo e refluxo neste número bem equilibrado neo-psicodélico.

O disco foi feito todo em casa e, acima de tudo, sua postura temática sonhadora e contemplativa é notavelmente densa e rica em detalhes - e ainda mais transparente para aquelas partes cristalinas de melodia onde se injeta através das correntes ondulantes e perfura seu coração. Construído sobre uma base de tijolos lo-fi e argamassa dreampop, 'Oxy' é uma verdadeira mansão de reverberação interminável e batida sintetizadas, com sugestões de linhas de guitarra idiossincráticas e suaves e vocais evasivos para combinar. 

Tudo isso dito, a fusão de todas as quatro faixas em Oxy  cria uma experiência de audição que você nunca vai se cansar de ouvir. Embora seja reconhecidamente uma viagem musical de sonho que leva você para fora de si mesmo, ou possivelmente mais profundamente em si mesmo do que você imaginava possível ir, é também uma boa pedida configurá-lo para uma noite livre de estresse junto de um copo quente do seu chá preferido. Este EP, sem dúvida, fará trilha sonora de muita gente por ai.

Recomendado para amantes de Sister Crystals, Foliage e as delicias gostosas lançadas por Wild Patterns.
  

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Letty and the Goos - "Ugly Demons" (videoclipe)

























Eu nunca tive medo de escrever sobre a música que eu não entendo muito, porque muitas vezes o processo de escrever me ajuda a me envolver de forma diferente ... abrindo os ouvidos para os sutis meandros de sua beleza, de uma maneira simplista escutando e absorvendo tudo. Quando ouvi pela primeira vez a música de Letty and the Goos, um trio do interior de São Paulo, fui inicialmente dominada pela pura magia e maravilha da minha descoberta, e só espero que minhas palavras possam fazer justiça ao seu trabalho.

Explodindo como um vento de chinook, o clipe de "Ugly Demons" é sem dúvida, maior do que a soma de suas partes singulares, que em si são incríveis peças de música bem-criativa, multi-dinâmica influenciada por tudo de bom que psych-rock, grunge, stoner e punk possam oferecer. O delicado equilíbrio dessas poderosas influências é mantido sob controle e comandado pela modesta, frágil/pesada voz de Letty. Disse ai encima que fui dominada e provavelmente fiquei mais obcecada. "uma experiência combinando os altos caóticos das guitarras trêmulas do uivo e acordes poderosos e crescentes com a queda fraca da desolação ambiente". Nada que eu tenha ouvido desde então muda essa visão.

O vídeo do single capta toda a intensidade febril do grunge dos anos 90, mas funde com os melhores pedaços de garagem e stoner em uma tempestade musicalmente eclética de influências. Elementos de shoegaze, pop e punk se misturam muito bem sem esforço aqui, mesmo que sejam gêneros muito diferentes: se for um gênero lo-fi tocado em uma guitarra, provavelmente você pode ouvi-lo sem ficar insatisfeito.

É uma alegria ouvir um grupo que claramente coloca suas diferenças positivamente dentro do trabalho. Nossos ouvidos, corações e almas sucumbem a esta tempestade perfeita, porque ela é familiar, mas como nada mais que conhecemos e tudo o que queremos.

Sobre a banda:
Letty and the Goos é um trio de garage punk de Itapira, interior de São Paulo. Sem baixo, sem solos longos de guitarra e sem frescura, a banda aposta na essência crua do punk: o faça você mesmo, curto e grosso, atrelado a um gole de alternativo que desce muito bem. Recém fundada em dezembro de 2016, a vocalista e guitarrista Letty - nostálgica por nascença, punk rock por aclamação popular - conta com a bagagem musical e cultural dos Goos para formar um trio muito bem timbrado e estrategicamente barulhento: Livia, na bateria, traz o peso das influências cavernosas do grunge dos anos 90; e Arian, na guitarra, flutua entre o passado e o futuro dos pedais de efeito, convergindo o garagem com o experimental, somado ao peso do stoner.

Ficha Técnica: 
Participação: Letícia Bergamini Souto, Livia Tellini e Arian Zago Nogueira
Produção, filmagem e edição: Urgência Filmes (Thiago Altafini e Carol Alleoni)
Gravado em Itapira/SP no dia 29 de abril de 2017

Electric Light Pulp - Song For Kalel (single)

























Gostamos de imaginar que a vida é sobre algo duradouro e maior do que nós mesmos. Com a intenção de deixar um legado ou de acreditar em um propósito, tendemos a descartar todos os momentos "menores" no meio; Escalando uma escadaria iluminada pelo sol, acariciando as páginas de um novo livro, comprando um café, conversas chatas, esmagando brevemente algo / alguém bonito, acordando em um novo lugar ... Isso é tudo que existe. Se a vida é uma série de eventos aleatórios, sem qualquer significado, então a pureza fugaz de sentir algo, qualquer coisa, nesses momentos pode ser tão importante? Talvez ainda mais?

Muito parecido com esse clima, a música de Electric Light Pulp  tem a propensão de pegá-lo de surpresa; Inclinando-se para um lado, acalmando-o e, de repente, mudando de direção; Sol estourando através de nuvens tormentosas que apenas um momento antes parecia impenetrável. Tendo travado os olhos e as orelhas de um seleto grupo com o lançamento do seu terceiro EP, ’'In Reverse’’, o projeto capitaneado por Tiago Felipin continua no caminho  para o lançamento de seu próximo de EP, sem previsão de lançamento. Um encontro surpreendente de mundos e maneiras, "Song For Kalel" é mais do que uma homenagem a um amigo querido, é um documento emocionante de  excursões mais experimentais que mostram uma emoção sempre em expansão.

Basta dizer, abaixo você pode sentir tudo isso, que justificam as intermináveis ​​horas gastas pesquisando, documentando e compartilhando, que fazem este pequeno papel engraçado tão incrivelmente justificável. Seja experimental ou claramente entregue, todos eles se assentam como magníficos exemplos do verdadeiro poder da música; A razão pela qual você está aqui digerindo e a razão pela qual estamos sentados aqui escrevendo. E assim, espero que você encontre algo aqui para chamar um amigo, para trazer um brilho extra para aproveitar ou outra sombra para se esconder, em um mundo que muitas vezes precisa de ambas as coisas.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

[Coletânea] Tributo ao Pato Fu





































Em 2017 a banda mineira Pato Fu completa 25 anos trazendo na bagagem 10 discos de estúdio, 2 discos ao vivo, 5 DVDS e 34 singles. Pensando nisso, Rafael Chioccarello (Hits Perdidos) e João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi) decidiram criar seu segundo tributo em parceria, “O Mundo Ainda Não Está Pronto”, homenageando a criativa e divertida banda mineira. Nada como seguir o exemplo dos Patos e criar versões desconstruídas e inovadoras, assim como fizeram em repaginações de hits como “Eu Sei” do Legião Urbana, “Qualquer Bobagem” dos Mutantes e “Eu”, da Graforréia Xilarmônica. O disco duplo pode ser ouvido no site www.omundoaindanaoestapronto.com.br 

Em 1992, Fernanda Takai (vocal e guitarra) frequentava uma loja de instrumentos musicais e lá fez amizade com dois funcionários, John Ulhoa (vocal e guitarras) e Ricardo Koctus (vocal e baixo). Surgia o Pato Fu, trio que abusava do experimentalismo pop com influências que iam da psicodelia ao punk rock, passando pela new wave, bossa nova e rock and roll. “Fazemos muitos sons diferentes, mas, no fim, podemos dizer que somos uma banda do universo pop, que vai de Beatles a Sepultura. Tudo isso vale”, explicou John Ulhoa. Desde então, a banda só cresceu, lançando os discos “Rotomusic de Liquidificapum” (1993), “Gol de Quem?” (1995), “Tem Mas Acabou” (1996), “Televisão de Cachorro” (1998), “Isopor” (1999), “Ruído Rosa” (2001), “Toda Cura Para Todo Mal” (2005), “Daqui Pro Futuro” (2007), “Música de Brinquedo” (2010) e “Não Pare Pra Pensar” (2014) e colecionando hits como “Sobre O Tempo”, “Perdendo Dentes”, “Canção Pra Você Viver Mais”, “Pinga” e muitas outras. Hoje, a banda conta também em sua formação com Glauco Mendes na bateria e Richard Neves nos teclados.  

A coletânea reúne diversos artistas do cenário independente nacional dando seu toque em versões para as canções do Pato Fu, as recriando em passeios por estilos como rock, tecnobrega, forró, rap, MPB, folk, stoner rock, psicodelia, experimentalismo…

Participam do tributo Antiprisma (São Paulo/SP), Berg Menezes (De Recife/PE mas vivendo em Fortaleza/CE), Capotes Pretos na Terra Marfim (Fortaleza/CE), Der Baum (Santo André/SP) , Djamblê (Limeira/SP), Eden (Salvador/BA mas vivendo em São Paulo), Dum Brothers (São Paulo/SP), Estranhos Românticos (Rio de Janeiro/RJ), FELAPPI e Marcelo Callado (Niterói/RJ), Floreosso (São Paulo/SP), Gabriel Coelho e Renan Devoll (São Bernardo do Campo/SP), Gilber T e os Latinos Dançantes (Rio de Janeiro/RJ), Horror Deluxe (De Pouso Alegre (MG) mas vivendo em Taubaté/SP), João Perreka e os Alambiques (Guarulhos/SP), Lucas Adon (São Paulo/SP), Lerina (Santo André/SP), Mel Azul (São Paulo/SP), Molodoys (São Paulo/SP), Paula Cavalciuk (Sorocaba/SP), Pedroluts (São Paulo/SP), Serapicos (São Paulo/SP), Silvia Sant’anna (São Paulo/SP), Subcelebs (Fortaleza/CE), The Cabin Fever Club (São Paulo/SP), The Outs (Rio de Janeiro/RJ), Theuzitz (Jandira/SP), TucA e Thaís Sanches (Campina Grande/PB mas vivendo em São Paulo/SP), Valciãn Calixto (Teresina/PI), Venus Café (de Volta Redonda/RJ mas vivendo no Rio de Janeiro/RJ) e Yannick com Camila Brumatti (São Paulo/SP).  

A arte da capa, inspirada nos robôs gigantes do clipe de “Made In Japan”, foi feita pelo designer Pedro Gesualdi, que também é músico e atualmente toca nas bandas DERCY, Japanese Bondage e Danger City.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Feira Equatorial - Paná

Foto: Thamires Rafael

Talvez, também, a personificação mais forte do nome, Feira Equatorial certamente transporta o ar de um navio com ela, as canções perpetuando uma sensação ardente de viagem e transporte, como mensagens transportadas de um lugar e tempo para outro. Talvez seja o calor da produção, ou possivelmente os vocais instantaneamente acessíveis de Thalia Sarmanho, seja qual for, a estreia de ‘’Paná’’ de alguma forma remove a barreira entre o ouvinte e a música. Cada batida golpeia diretamente no peito, o rangido das batidas risca cortes através da tensão harmoniosa, melodias perfuram com a lavagem do som, tudo exatamente da mesma maneira que envolvente, que nos lembram de compartilhar cervejas nos fins de tarde refrescantes de Belém. 

O primeiro EP da Feira Equatorial apresenta 4 faixas que são principalmente entrelaçadas de voz e guitarra, com o ocasional florescimento percussivo, e, por toda a sutileza que se senta no coração deles, a magia silenciosa se espalha excepcionalmente, como grandes sombras longas lançadas para o mundo. Compelindo em tudo, o registro foi construído sobre as fundações da banda e oferece algo enfático, apesar do apetite lento para a vida que fica no centro dessas canções. Um disco que precisou passar por um processo de maturação ate ser apresentado o mundo em sua plenitude.

O álbum abre com 'A Flor e a Calçada' e a intenção de descarrilar os sentidos é clara. É como se estivéssemos presos em alguma batalha cibernética entre o hiper-realismo industrial e o minimalismo abstrato zen do caboclo marajoara. A previsibilidade logarítmica choca com o caos niilista. No entanto, ao lado de Thalia, cujo vocal lânguido cruza sem esforço mesmo as paisagens aritméticas mais desafiadoras, descobrimos que essa perplexidade faz estranhamente sentido total, mesmo que não possa ser totalmente compreendida.

A entrega vocal hipnótica é a pedra fundamental aqui, decifrando os impulsos conceituais aleatórios da música e codificando-os em um som tradicional puro. Esse processo reflete a incessante construção de sentido da vida moderna, presa pelo ritmo dos avanços tecnológicos que não devemos entender. Como em ‘O Mistério das Enchentes’, compartilhamos no sentido de insatisfação, até mesmo de frustração, em perder-se a uma maré irreprimível de compromisso e à confusão de valores no mundo de hoje. ‘Vim Pra Te Ver’  fornece uma resposta determinada a isso, em parte, com a sua lisergia, obscura cacofonia dando lugar a um muito direto ‘Vim aqui pra te contar, que o dia é bem maior hoje com você’.  E aqui, ‘La Sal’ sai de cada centímetro do regionalismo com sua guitarra e baixo fazendo um convite a uma dança quase que espontânea , tendo um fim tão nostálgico. 

Não há dúvida de que esses esboços são nada além de orgânicos e intuitivos. Vestindo-se sem um pensamento de uma desilusão, eles inibem um espaço que se sente ao mesmo tempo emocionante, mas também um deslocamento vertiginoso; O sorriso mais largo permanentemente enfeitado, o som inebriante de uma nova cidade florescendo na frente de seus próprios olhos.

Download do disco AQUI


MARIO THE ALENCAR - GREAT DIARY THINGS (ALBUM, 2017)





































Seu histórico como Mario The Alencar (uma de muitas de suas personificações) mostra um trabalho calcado no folk com ”insights guitarrísticos”, tudo num clima lo-fi, termo que é bagunçado, eu admito, onde a gravação caseira faz questão de mostrar que é feita em casa. Seu novo trabalho vai além, muito além – amadurecido como produtor e compositor ele construiu para mim, sua melhor cria.

Influências de Eliott SmithPedro The Lion, Daniel Johnston – Mário tem seu jeito de cantar um pouco desafinado/desleixado com um quê de Stephen Malkmus e Sufjan Stevens que são perceptíveis nesse álbum; disse perceptíveis, não copiados. O cara é ”full noventista” nas suas referências na maioria de seus projetos, mas principalmente como Mario The Alencar, assim também como sua banda Killing Surfers. Desde que aprendeu a lidar com programações de bateria sua evolução é gritante, suas guitarras ora levemente distorcidas ora carregadas de chorus, flangers, delays que lembram outros trabalhos seus como o Sketchquiet.

Amigos, o cara criou seu estilo e isso é um diferencial. Com o auxilio de Reuel Albuquerque guitarrista da banda Jude, colocou de forma sensacional metais e sopros sampleados em algumas faixas, a diversidade do disco atingiu um patamar maior ainda, às vezes lembrando o trabalho solo de Neil Halstead, vocalista do Slowdive/Mojave 3 e o já citado Sufjan Stevens. O disco é produzido pelo próprio Alencar, ele gravou as guitarras, contrabaixo, vocais, baterias e as letras são de sua total autoria.

Destaque para as belíssimas faixas BlanketsPale CloudsSummer’s Day e Longing. Em Breakfast Junkie e Feeling So Blue ele brinca de Pavement com um tom debochado/brincalhão. A música Hard Country que leva a um country mais alternativo com guitarras dissonantes também merece esse destaque. 

Uma coisa que observo, esse rapaz também é artista visual e designer gráfico, e o som de seus discos se relacionam com as capas, ora com ilustrações próprias ou com fotos ou montagens. Se a capa é mais sombria seu som será mais ”dark” (haha), se o desenho é mais singelo seu som será mais enxuto e nesse álbum, ele fez uma capa mais colorida, com pequenos detalhes que merecem um olhar mais atento e coincidentemente esse é seu disco mais virtuoso e diversificado até agora. Vai agradar quem curte os referidos artistas – é um som indie (no clichê mesmo), mas é de primeira.

Embarquem nessa viagem deste artista que não tem medo ou vergonha de amadurecer.

por Carlos Otávio Vianna

segunda-feira, 15 de maio de 2017

“Má Vontade Boa Intenção”: Valciãn Calixto antecipa novo disco com single inflamado e cheio de ritmos


























Uma música sem receio de falar a que veio e um artista irrefreável em sua trajetória ascendente na cena independente nacional. A história já é conhecida: músico se muda para o Rio de Janeiro ou para São Paulo em busca de reconhecimento da mídia do que é considerado o centro cultural do país. O assunto é uma das críticas presentes no inflamado single “Má Vontade Boa Intenção”, de Valciãn Calixto. A música anuncia o segundo disco do cantor e compositor, e já está disponível no Bandcamp e YouTube.

Verdadeira crítica geracional, o single precede a mistura rítmica que já é marca registrada de Valciãn desde o disco de estreia, FODA! (2016), considerado um dos melhores do ano em diversas listas. As composições do músico surgem de experimentações unindo diversas influências, mas sem definir rótulos. Com uma percepção maior das diversas sonoridades, Valciãn acredita em uma unificação de gêneros musicais, no fim do separatismo e do elitismo nas artes.

Ferina e agressiva, música traz em sua melodia uma prévia do que será o próximo trabalho do músico: um passeio por vários ritmos, entre eles a swingueira, o rock, o reggae e o afrobeat. Já a letra é um desabafo sobre a cultura brasileira e seus comportamentos.

“A letra ataca diretamente a cultura e o pensamento provinciano que impede o brasileiro de realizar qualquer ação positiva, seja para si, seja para outrem. Isso contribui para a manutenção da atual conjuntura no país, assim como a morosidade que percebo em parte dos artistas do Piauí, como se pode ouvir na terceira estrofe da música”, explica Valciãn.

A famigerada terceira estrofe traz a ideia de que é preciso sair da zona de conforto para crescer. Na visão do cantor, alguns dos artistas piauienses que conseguiram reconhecimento tiveram que migrar do estado - Torquato Neto, Frank Aguiar, Marcelo Evelin, Renato Piau e outros. O músico alega que a razão para essa partida obrigatória é devido à falta de investimento e à renovação de público. Por isso, ele foi um dos criadores do coletivo e selo GeraçãoTrisTherezina, que incentiva a união dos músicos e criadores da região, movimentando a cena local para uma exposição em nível nacional.

“Tapar os olhos para isso é burrice. Não tem investimento, não há cadeia produtiva, casas de shows abrem e fecham sem que percebamos. Mesmo a nível de Nordeste, se qualquer artista quiser se estabelecer, tem de sair para tocar no eixo sudeste do Brasil, Baiana System e Cidadão Instigado são bons exemplos. A Geração TrisTherezina ainda tem muito o que conquistar, muito mesmo, tanto profissionalmente quanto a nível de projeção, mas já notamos nossos nomes sendo mencionados fora do Piauí, o que demonstra uma vitória pequena quanto à terceira estrofe do single”, finaliza.

O novo álbum de Valciãn Calixto deve ser lançado no começo do segundo semestre de 2017.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Deb and The Mentals - Mess

Foto: Guilherme Caetano


Em meados dos anos 2000, o punk não era apenas um bálsamo para os corações doloridos; Era uma rejeição emblemática do mainstream, uma fonte de identidade reconfortante entre bandas que se consideravam estranhas. Em última análise, no entanto, grande parte dos seus medicamentos sacarinos derreteu nas narrativas generalizantes da cultura ocidental branca, oferecendo uma perspectiva alternativa do que uma inventada da dominante patriarcal que aparentemente rejeitou.

Urgência hoje em dia não é algo para ser completamente entendido. Somos urgentes por todas as razões erradas e certas. Para pagar uma conta. Para cumprir um prazo. Tomar o controle de uma quantia vasta de dinheiro de um membro rico, mas infeliz da família real nigeriana. Urgência tornou-se taquigrafia para se apressar ou merda vai acontecer.

O álbum de estreia do Deb and The Mentals, ' Mess ', é urgente em todas as formas certas. Ele cai de seus alto-falantes com uma vitalidade insaciável, cheio de palavras que precisam ser ditas e histórias que precisam ser contadas. Sentado em algum lugar entre as dissecções metafóricas alimentadas por essa música visceralmente física: coros de explosão no peito combinados com riffs e vocais, cuja entrega e, por vezes, afetiva, nos deixa eletricamente em sintonia com a dor da banda, atingida por um senso compartilhado de alteridade.  Um estilo de música peculiar e engenhosa que nunca parecia se encaixar perfeitamente dentro de uma caixa.

Lançado no mês de março, o álbum é uma exibição fenomenal de poder combinado com proeza, as onze faixas cortando um caminho tremendamente poderoso através do coração de contemporâneos e as paisagens mais sujas de inspirações garage rock nos anos noventa, do Nirvana ao Thee Oh Sees. Mess sucede o primeiro EP da banda, Feel the Mantra (confira aqui), embora um senso tão concentrado de personalidade muitas vezes poderia ser muito para se tomar em uma grande dose, há mais do que suficiente ondulação na arte para aliviar essas apreensões. Sim, a voz de Deborah Babilônia é uma luz de neblina arrebatadora por toda parte, mas o apoio muscular por trás dela sabe exatamente quando subir para frente e, posteriormente, quando derrubar tudo.


Claro, o álbum não é perfeito, como poderia ser? Álbuns de rock são definidos por suas imperfeições, e certamente é um álbum corajoso, canções aptas para o mosh,  mais uma vez a banda tocando como se suas vidas dependessem disso, apenas com urgência necessária. 






































Hiroshima Bunker - Frankenstein (single)

Créditos: Fernando Belchior / Eduardo Zeineddine

Hiroshima Bunker (de São Paulo) é uma mistura intrigante de ingenuidade tímida e gênio criativo. Pelo menos é o que sua música me diz, mas o single ‘Frankenstein’ libera um pouco de enigma, caracterizado em duas dimensões através dos pixels coloridos de sua obra. Post- rock experimental, grunge - rótulos de gênero realmente não fazem justiça a como os fragmentos de momentos da vida real e sonhos que eles  entrelaçam, convidam-nos para uma abordagem não convencional , às vezes mundo surreal. Com um álbum iminente, agora é um bom momento para se familiarizar com o single.

Infecciosa e cheia de cores, a faixa é uma entrega de sentimentos impetuosos, parecem pendurar no éter diretamente através do  instrumental entusiástico e inebriado. É jubilante, e uma batida propulsiva que mal deixa de funcionar desde o primeiro pontapé inicial. Ambicioso e cheio de vida, Hiroshima Bunker é um novo salto na cena independente do pais. Tragam logo um álbum. 








































Embracing Dissonances - Embracing Dissonances (2017)





































O tempo é realmente uma boa analogia para usar quando se trata de Embracing Dissonances (projeto solo de Matheus Lunge). Momentos de silêncio seguido de ruído cacofônico. A escuridão de repente penetrou por momentos de luz. Basicamente é um EP daqueles que os escritores de música muitas vezes vão usar adjetivos loucos, então eu não vou infligir mais nada sobre ele. 

Adequadamente dramático, as duas faixas do registro em si é uma construção arrebatadora e melodramática que faz ligações delicadas com o lado post-rock do músico, mas encarna o espaço entre uma exibição brilhante e emocionante.

Com nostalgia tão ricamente evocativa surge o risco de autoindulgência e cair na armadilha da sacarina pop. E, como não desejamos, pode ser sufocante nas mãos erradas e desajeitadas. Felizmente, Embracing Dissonances tem um aperto constante no sentimentalismo e orienta o registro mais para o território etéreo, com leves toques de shoegaze.  Wish é certamente uma valiosa adição que os fãs de Taunting Glaciers, Mogwai  e Maybeshewill vão gostar. Talvez o aspecto mais satisfatório dele, no entanto, seja a excitação criada pela reinvenção e inovação. Matheus é um artista que tem uma visão e a determinação de colocar isso em prática, onde outros podem ter tentado um dia. 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Flâneur - Frenesi

Crédito: Willian Ferreira

Thiago Soares de Souza é um jovem prolífico. Seus projetos parecem ganhar forma e contornos tendo como incubadora o selo Banana Records. O cara já é conhecido por (Amiluzi, Margem e Farolsaturno). Gravado com estética lo-fi, Frenesi apresenta 4 faixas com total crueza e completamente desnudado.

Um disco menos denso, mas mais quebrantador, é como uma caminhada através de uma vizinhança deserta às 4h, perdido em seus próprios pensamentos distorcidos e na atração da lua. As letras são profundas e fluem com a criação, os momentos calmos são encantadoramente criativos.

Nem sempre é edificante, mas há tanta honestidade e verdade em suas gravações que, de alguma forma, apenas ajudou, a saber, que alguém havia vivido alguns momentos de merda e transformado essas experiências em algo bonito; E todos nós temos momentos em nossa vida onde precisamos saber disso.























































quarta-feira, 10 de maio de 2017

Marianaa - xnfrnfl

Foto: Carlos Augusto

Um ramekin é um prato pequeno, usado na maior parte para entregar uma parcela individual do alimento, e faria sentido para uma analogia mais-do que-adequada de xnfrnfl, novo single da Marianaa

Completa com refrãos melancólicos e cordas eminentemente bonitas, a nova música é uma força em sua sinceridade e uma maneira infalível para aguçar os apetites de pessoas que procuram música como um retrato cru, mas incansavelmente real, das emoções humanas esperando todo esse tempo.

O single é uma melodia pegajosa  no estilo rock americano com o espírito feliz e despreocupado de The Breeders, enquanto paira em uma beleza absoluta e linda de uma música, discreta e melancólica, ouvimos um lado mais suave do trio, enquanto silenciosamente croa a melodia. É de alguma forma estranhamente familiar, com seu vocal  manso e guitarra suave e limpa.

Semimorto - Memórias Póstumas





































Como se os vocais espessos, melódicos e mau acabados não fizessem o suficiente em retardar o tempo para baixo a uma sonoridade totalmente inebriada, a melodia monocromática do lo-fi que prevalece durante todo o embalo cacofônico de Memórias Póstumas, faz a trilha spoken word funcionar durante as 3 faixas.

Não que estejamos reclamando no mínimo, no entanto. O EP é maravilhosamente leve e a trilha é, sem dúvida, linda, mas há algo mais escondido nas sombras aqui. As amostras de palavras faladas que fluem para dentro e para fora trazem ainda mais sentimentos de desesperança, e quando o ritmo finalmente sobe para o minuto final, você ou estará correndo para a porta ou rastejando em seus joelhos em direção a ele. Suspeitamos que seja o último.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Andro Baudelaire - Egrégora





































Projetos paralelos, empreendimentos experimentais, chame do que você quiser, mas não há como contornar o fato de que eles podem ser desastrosos. Para cada Átomo da Paz há uma “Egrégora” , não vamos esquecer. Eles podem, no entanto, ser maravilhosos; Permitindo que um artista possa se expressar  apenas  dentro dos limites de sua arte em tempo integral.

Egrégora é o novo disco de Andro Baudelaire (Vinyl Laranja/The Baudelaires) o resultado de seu esforço é um registro  gloriosamente divertido, que oferece um envolvimento que levantou a coisa inteira acima de um outro entalhe e desta vez há simplesmente uma música pop dinâmica, batidas infecciosas e vocais maravilhosamente vibrantes do músico.

Bem como possuir um nome que toca com o prazer da infância, Andro também é agraciado com uma voz que cria um senso genuíno de aventura jovem e nostalgia. O disco é uma delícia. Baseado em torno da ideia de escapismo,  momentos serenos e ritmo lúdico com uma graciosidade terna.

Com cada turno vocal florescente, a trilha limita mais um passo, uma transformação suave e lúcida em um hit animado e em momentos com euforia controlada. Flutuando entre as nuvens de reminiscência, a linha de melodias reverberante atua quase como um despertar, assegurando que ambos os pés permaneçam no chão mesmo se eles estiverem dançando.

PAPISA solta novo single: ouça “Curva”


























A multi-instrumentista Rita Oliva continua experimentando com seu projeto solo PAPISA. Intuitiva, instintiva e sensível aos sentidos, tem passado sozinha por diversas localidades mostrando seu EP homônimo e músicas que estarão em seu primeiro álbum, previsto para o segundo semestre de 2017. Uma delas, a inédita “Curva”, pode ser conferida em session gravada pelo Inhame Stúdios junto à já lançada “Instinto”. Depois de passar pelos festivais Path, em São Paulo (SP), e Cachu Rock Festival , em Araguari (MG), a artista anuncia shows no festival Bananada (Goiânia, 09/05), no Hostel 7 (Brasília, 11/05), no espaço Obra Bar (Belo Horizonte, 17/05) e na Maquinaria (Juiz de Fora, 18/05).

PAPISA, que já recebeu denominações como “Cat Power psicodélica” (Popload) e “bruxa sabia” (Noisey) pela imprensa especializada, é autora e executora de sua própria obra, inspirada no arcano II do tarô (“A Sacerdotisa” ou “A Papisa”) e lançada pelo selo PWR Records. Apesar do surgimento recentemente, realizou turnês pelo Nordeste e Sudeste, passando por locais como Salvador (BA), Patos (PB), Campina Grande (PB), Recife (PE), Maceió (AL), Vitória (ES), São Paulo (SP), Araguari (MG) e Rio de Janeiro (RJ). Agora, se prepara para turnê que passa por Belo Horizonte e Juiz de Fora (MG), Brasília (DF) e Goiânia (GO), no Festival Bananada.

“Curva”, a novidade que celebra o bom momento de PAPISA, é construída em cima de loops e surge como uma espécie de interlúdio entre as músicas lançadas no EP. "Fala sobre a dúvida que precede uma mudança inevitável: o momento suspenso entre ouvir a intuição e confiar no instinto para agir”, reflete Rita Oliva. Gravada pelo Inhame Stúdios, a faixa tem captação de áudio, mixagem e masterização de Rubens Adati e captação de vídeo de Yasmin Kalaf. A edição de vídeo também é de Rubens Adati. Rita frisa que a Inhame Session “foi a primeira gravação no formato de show solo que venho trabalhando agora. E por estarmos no meio do mato, conseguimos criar o clima ritualístico que é tão importante pra PAPISA”.

SACERDOTISA
PAPISA é Rita Oliva, compositora e multi-instrumentista que lançou seu EP homônimo em novembro de 2016. A proposta marca um novo momento de uma carreira de quase 10 anos com as bandas Cabana Café e Parati. A vontade de explorar suas potencialidades e exaltar a mulher na música levou Rita a gravar todos os instrumentos de seu primeiro single, “Instinto”, e a produzir seu EP sozinha, lançado pelo selo pernambucano PWR Records - dedicado exclusivamente a bandas com mulheres. Atualmente, PAPISA se apresenta em formato solo, criando loops de guitarra e voz que convidam o público a um transe etéreo, enquanto o pulsar de beats e programações incita o despertar dos sentidos do corpo.

O Cinza - Lugar Onde Envelhecemos






















‘’Os melhores momentos de leitura são quando você se depara com algo - um pensamento, um sentimento, uma maneira de olhar para as coisas - que você tinha pensado especial e particular para você. Agora aqui está, estabelecida por outra pessoa, uma pessoa que você nunca conheceu ... E é como se uma mão tivesse saído e tomasse a sua.’’
                                               

                                – Hector, The History Boys (Alan Bennett)

É uma coisa rara e maravilhosa encontrar uma banda que, a partir do momento em que você ouve, sente como se suas palavras e melodias pudessem ser extraídas de uma trilha sonora para seus pensamentos mais íntimos. O Cinza demostra uma vulnerabilidade de coração na manga com um toque de arrepiar, em seu novo EP O Lugar Onde Envelhecemos a banda soa em seu "mais acessível" e "mais honesto momento de criatividade" ainda permeado pelo toque de maturidade cada vez mais presente.

Com 4 faixas O Cinza apresenta a sua composição caracteristicamente agitada nos momentos certos. "Meu reino dourado de vontades tão bela", Malu Guedelha canta, sua entrega tranquila soando clara com resignação ao que se segue. Melodias brilhantes e refrãos resplandecentes ressoam com uma nova intensidade, avançando com ousadia para a promessa de fuga. "Como amantes no salão, muito beijo , pouca prosa", continua Malu. – Sopre esse amor em meus braços.

juntamente com Anthony Carvalho, Leonardo Castro, Pedro Imbiriba e Davi Correa, a banda descreve esta abordagem como "mais simples e brilhante, e um pouco mais divertido", o EP tem uma qualidade cintilante difícil de se afastar. Fluxos com a turbulência e alterabilidade do oceano dentro de suas letras. "Muralha" pinta um retrato quase vívido o suficiente para ser construída a partir de complexidade e intimidade para proporções e vice-versa.

O conteúdo lírico é um pouco mais tumultuado, como se cada música tivesse tentando explicar um momento ou um sentimento é um tipo simples de energia, a natureza simples da música permite um som com a força para varrê-lo fora de seus pés. Uma atmosfera mais leve, mais nuançada, a emoção é tangível.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Supervão anuncia TMJNT, seu novo EP





































Pela convivência em diferentes cenas de música independente pelas quais a Supervão passou em 2016 toma forma TMJNT. Foi a vontade de produção de encontros que gerou as cinco músicas que compõe esse novo EP. 

VMDL é um ponto de passagem, um interlúdio para novas fases. O vídeo, editado por Mario Arruda, é construído a partir das artes que vão compor a capa e os materiais gráficos de TMJNT, que são resultado do trabalho de Mario com a artista Ana Paula da Cunha. 

Supervão em TMJNT é Mario Arruda, Leonardo Serafini e Ricardo Giacomoni. A mixagem é de Bernard Simon Barbosa e a masterização de Vini Albernaz. 
Confira a primeira faixa do novo disco.

My Magical Glowing Lens lança vídeo-single da lisérgica Raio de Sol

Créditos: Felipe Amarelo e Bárbara Carnielli

Para a multi instrumentista Gabriela Deptulski, My Magical Glowing Lens é mais que sua banda: é um aparato mágico que a transporta a um estado de unidade através da música. Fruto de uma experiência da artista com estados alterados da mente, MMGL - que já foi solo e hoje é compartilhada com Gil Mello (baixo), Henrique Paoli (bateria) e Pedro Moscardi (sintetizador), além da própria Gabriela nas vozes e guitarras - se prepara para lançar seu primeiro disco, Cosmos. Depois de soltar a faixa Sideral, eles mostram o clipe ensolarado e lisérgico de Raio de Sol.

Raio de Sol é uma viagem por paisagens que poderiam ser compartilhadas com Os Mutantes, Flaming Lips ou Boogarins. A faixa fala da interação com a natureza e passa seus poderes curativos por camadas de vozes e sintetizadores. “É uma música feita pra uma trilha que fiz até uma cachoeira com meus amigos. Nessa época, era um beat de bateria eletrônico. A versão final veio durante as pré-gravações do álbum, quando a gente estava entrando no clima de Cosmos”, conta Gabriela. O single ganhou clipe com colagens animadas assinado por Leo Lucena (da banda Catavento). No vídeo, uma menina medita sob um tapete de flores até ser levada para uma viagem astral, passando por universos e realidades paralelas. Ao longo da viagem, lembranças, sonhos e pensamentos se juntam à música para guiar seus caminhos até o sol.

My Magical Glowing Lens pega carona no lançamento do vídeo-single e anuncia sua turnê de maio: Goiânia (Festival Bananada), Uberaba, Uberlândia (Bananinha Festival de Quintal) e Brasília estão no roteiro. Acenda seu incenso e assista.