sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Chapa Mamba - Remoto






































Chapa Mamba me faz cócegas no ouvido desde o mês de janeiro de 2015, quando a banda carioca lançou por aqui seu segundo registro, Banda Forra . Os vocais simples e com estética DIY de Stêvz garante uma sonoridade sempre redonda nos seus trabalhos. 

O novo disco é quase um soundbites de programas de TV como "Freaks e Geeks", "The Office" e "Scrubs", Remoto é um hibrido conjunto de dez faixas com começo e fim. As canções reverberam um instrumental que muitas vezes se sente como se estivesse em ponto de ebulição, trabalhando durante a noite, enquanto o resto do mundo vai sobre sua rotina noturna de descanso.

Devido a isso, juntamente com o crescimento pessoal e exploração que é descrito dentro, Remoto é imensamente pungente; Às vezes pesado por tais coisas, mas sempre disposto e pronto para a batalha através deles, para passar para o que vem em seguida. O humor é sempre sombreado, uma lâmpada mal iluminada no canto do quarto oferecendo apenas luz suficiente para trabalhar. A sonoridade macia suporta tudo, com o molde do vocal escasso e rachado de Stêvz. Como um caráter de ligação, não distante pessoal ou removido da realidade que começa às vezes, como uma esmagadora, inteligente, infecciosa e brilhantemente seta que orienta o duo (às vezes trio) para um novo caminho, eminentemente excitante.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Jujs - Mini coletânea de demos da Jujs






































É difícil escrever sobre o mesmo tópico de música em várias ocasiões; É ainda mais difícil quando a coleção exala tal sensação de atmosfera que qualquer tipo de abordagem descritiva se sente completamente ligada e conduzida por metáforas e sentimentos pessoais. Júlia Tiengo Zumerle (Jujs) de vinte e poucos anos está principalmente ciente das promessas baratas de jovens adultos, faixas laterais, becos sem saída e falsos começos e sua aproximação convoluta a este espaço liminar de vida é refrescante e profundo.

‘’ Mini coletânea de demos da Jujs ‘’puxa a beleza do abismo. Um trabalho íntimo e rico, o lirismo da compositora se derrama através de um espaço aperfeiçoado com um olhar de quem está pronto para separar as verdades percebidas através de uma dureza mordaz. Cada palavra é cuidadosamente escolhida para ser tão importante quanto a próxima, sem inflexões exageradas ou ritmos clichê. Construindo um espaço que é inteiramente seu, Júlia não se afoga em suas tristezas - em vez disso, ela permanece à tona com uma esperança relutante que, por sua vez, permite exalar um pouco de luz na mente do ouvinte.

Como "hello, mariah" detém laços nostálgicos, faixa mais impessoal, a musicalidade é um aceno pródigo e pensativo para o mundo dela, mas com uma sonoridade bem simples e direta  e arranjo que se sente fresco e moderno. Júlia aborda assuntos difíceis com coragem e suavidade impa. ‘’Carta Aberta’’ é uma canção sobre como suprimir o desejo de mergulhar de volta para uma situação que é tóxica para si mesmo. A última faixa do EP, ‘’Comunicação organizacional’’, é imersiva em última análise, nos relacionamos com a sua vulnerabilidade, com a sua impotência e impermanência emocional e, porque representa algo que talvez tenhamos esquecido, ficamos cada vez mais profundos no seu núcleo transitório, de alguém que vê o mundo um pouco diferente para a maioria. Um esforço monumental não para os cansados; Mas um esforço monumental mesmo assim.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Adorável Clichê - São Tantos Anos Sem Dizer

Foto: Luísa Kinas

Alguns discos nascem com a capacidade de mudar todo o ponto de vista do seu dia; Para levá-lo para fora de seu entorno e deposita-lo inteiramente em outro lugar, em terras detalhadas e trabalhadas pela magia que exalam. ‘’São Tantos Anos Sem Dizer‘’ é um desses discos; um conjunto de trilhas, com faixas bem longas, um aglomerado sugestivo de canções cruas, suaves e ostensivamente intensas que gotejam com a atmosfera.

O disco da Adorável Clichê é pura catarse pop indie; Uma mão guia reconhecível quando seu corpo se sente cansado e pesado. O novo EP tão aguardado, parece ter nascido da ansiedade, da perda de relacionamentos e nunca se sentiu como se estivesse em falta, mas a magia na execução da banda faz dele um dos álbuns mais esperançosos do ano.

Eu desafio você parar para ouvir o registro e não se sentir como um novo humano - é um banger, mas como o resto do disco, é um banger com um ponto emotivo e consciente. Relevante em sua entrega e corajosa em sua execução sincera, Adorável Clichê cria o tipo de synth-pop que faz você se sentir bem sobre a vida, mesmo apenas por um momento. Em um mundo que está se tornando irrefutavelmente solitário, ‘’ São Tantos Anos Sem Dizer ‘’ é um farol brilhante e reconfortante. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

PVLSΛR - Homônimo





































De vez em quando eu gosto de misturar meu indie pop normalmente alegre com algumas melodias mais escuras. Especialmente se isso aparecer durante os meses mais frios e escuros do ano, talvez porque corresponde ao meu humor e pode até me fazer sentir melhor do que Panetone MarizaPVLSΛR é definitivamente uma banda (ou projeto paralelo dos integrantes da Taunting Glaciers) que eu colocaria nessa categoria. 

E "sonho-garagem-pop-grunge" pode ser um gênero? Imagine melodias curtas, cheias de fuzz, com as texturas de guitarra do rock alternativo alimentado por vocais que ficam dormentes, não exatamente inteligíveis em uma primeira audição. Essa é a melhor maneira de descrever o EP com duas musicas autointitulado lançado pelo trio. De maneira simples, este é um EP que tenta empurrar gêneros do rock de garagem em uma temperatura mais quente, com guitarras brilhantes e seções rítmicas noventistas. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Filipe Alvim - Beijos




























Do outro lado de Juiz de Fora, até agora, aqueles que conseguem manter um olho afiado na cena ‘’quarto-pop’’ vão provavelmente estar cientes do talentoso Filipe Alvim; um daqueles atos precoce, prolíficos que o país parece ter em abundância de, agora e para sempre.

É reconfortante saber que Filipe faz uma proposição ao vivo notável, porque a sua música, tanto no novo álbum ‘’Beijos’’ e a abundância de lançamentos que o precederam, raramente é esculpida e bem afinada - duas coisas que nem sempre equivale a um desempenho memorável, mas pode ajudar de inúmeras formas. É verdadeiro dizer, porém, que há certamente uma cepa enterrada de magia implacável ao seu trabalho, o tipo de coesão cheia de intrigante encanto, enviesada que mais do que merece algumas banalidades mais batidas e te lança em um mar de incertezas que não se sabe de onde veio, ou onde ele pertence, mas que constantemente puxa a do coração suas canções estranhamente maravilhosas.



O novo disco faz isso desde o início. Abrindo caminho’’ Vida Sem Sentido ’’é uma faixa de quase três minutos liderada por melodias preguiçosas  e formada por um cenário sempre mutável das letras e picos ocasionais de adições coloridas que saltam dentro e fora de foco como explosão radiante de cor através da nebulosidade imponente de tudo. Dando o tom para o resto do registro, persuasão de sonho de migalhas é indicativo do tom over-riding, mesmo nos mais curtos momentos, mais imediatos que também estão presentes. ‘’ Miragem ‘’é minha preferida do álbum e uma onda  pungente ao seu deslocamento sentimental, uma trilha sonora nebulosa, saudosa à aventura de fim-de-semana, quer exuberante ou algo muito mais letárgico, enraizado nas fibras do seu próprio dia.

Não há nada particularmente confortável sobre os mundos que Filipe cria e convida-nos, mas isso não significa que eles não podem ser reconfortantes. Como se de repente encontrar um recanto tranquilo na mais irregular das rochas, existem lacunas dentro desta paisagem bem-tecida onde tudo de repente cai no lugar, onde essas esquisitices apresentam-se quente e abraçando tudo ao invés de queimada e distorcida - e se não são aquele doce, breves momentos de prazer entre a confusão que torna este disco proibido de nunca ser deixando dentro das paredes  do qual foi produzido, é um novo sopro de vida calorosamente cativante.

Alles Club - ''1999''

Foto: Fernando Fazio

Há discos que você acaba de escrever algo e te puxa para vários lugares diferentes, é um sentimento que você sente antes mesmo de sentar-se, que a caneta execute algo; que tudo o que queria dizer já foi dito. ‘’1999’’ se sente como o documento final desse ponto de inflexão entre a idade adulta; o cansaço do envelhecimento antes de estarmos prontos, as consequências dos erros que cometemos e continuamos fazendo, a nostalgia de algo que poderia ter sido feito lá atrás, um registro de sentimentos opacos presente em uma fita cassete, a pura brevidade da vida humana olhando você de volta nos olhos pela primeira vez. Introduzido pelo imediatismo de "velhos amigos", com a sua exploração de uma vida pendurada por um fio, juntamente com um sentimento ardente de nostalgia. 3 faixas com um conjunto de letras que pode varrer o tapete debaixo de você com um dístico aparentemente simples e sincero  que define o tom para um registro que, embora curto e fugaz, vai ficar com você por muito, muito tempo. 

O EP de estreia da Alles Club é pungente e moldado por um sentimento de saudade tingido de verão (ou talvez seja simplesmente o efeito que tem sobre mim), 1999 desenrola muito bem em todas as suas poucas e longas faixa, apresentando-se como uma história verdadeira, rica, vibrante, totalmente realizada depois de vários anos, com canções de viajar, de envelhecer antes de estar pronto para fazê-lo, de uma terra moldada por estradas intermináveis e noites intermináveis, das estrelas e do sol e as vidas tranquilas que pontuam a quietude. Uma varredura intemporal, graciosa de magia que ainda se arrasta para a minha consciência agora e novamente, se eu estou na sua presença ou não; é algo que nem sempre é o caminho. 

"Como você ficou tão enroscado em meu pensamento?", Tais sentimentos foram ecoando pela minha própria cabeça em diferentes pontos ao longo da audição do EP . É preciso uma conexão especial para um disco ou uma música para se sentir como um apêndice de si mesmo; quando isso acontece é algo a ser pontuado, e por isso devemos ter toda vontade de gritar sobre isso quando alguém consegue fazer. Eu não sei quantas vezes eu ouvia as canções desse pequeno e significante lançamento, mas, contra todas as probabilidades, a recompensa de tê-lo rodando nos meus fones foi gratificante. Canções acidentadas, belas linhas que se assemelham ao shoegaze 90s, da mesma forma que as memórias que espalharam raízes e flores na superfície, também espalham boas recordações quando precisamos delas. 

vctrh - música para se ouvir enquanto afogado pela multidão






































Victor h. acaba de lançar um EP de 4 faixas chamado ‘’música para se ouvir enquanto afogado pela multidão’’. O registro apresenta o quanto amplitude e diversidade podem realizar quando o talento atende por complexidade. Misturando eletrônica, experimentalismo e tons e produção lo-fi, vctrh criou uma batida bem estruturada, com lotes de build-up e avarias. É suave, dançante e inquieto. As linhas sincopadas e a sonoridade em camadas ao longo das  músicas, criam uma sobreposição de fluido inegável. 

A música do vctrh apresenta o processamento de efeitos pesados e eletrônica ambiente, dentro de uma estrutura melódica e rítmica. ‘’Cinematic ‘’é um termo muitas vezes cogitado, especialmente com música instrumental, mas relacionado ao EP certamente merece a descrição, com melodias comparáveis a tudo, desde um pequeno filme indie  para épicos de super-heróis da Marvel para criar ambientes imersivos sensoriais. 

Esta é uma demonstração de grande alegria para ouvir; é um daqueles discos que transpira felicidade sonora pura. Algo feito de maneira ‘’descompromissada’’, e que se sente extremamente moderno, tanto em sua mistura de subgêneros de dança e pista (você vai ouvir acenos para NERO e MSTRKRFT) e como as letras abordam a forma como interagimos com algo a nosso redor. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Coletânea traz bandas indies fazendo e refazendo clássicos de Natal






































Essa coletânea surgiu da ideia de que um selo precisa de lançamentos para existir e que nada melhor do que esses lançamentos venham de amigos, incentivando a produção deles, esse então é um retrato da produção de amigos e bandas que estão em torno desse selo.

Ninguém aqui tem interesse no natal pelo lado religioso, muito pelo contrário, mas acreditamos que o clima de encerramento de um ciclo que vem com o Natal e Ano Novo é um bom rito de passagem para uma nova etapa e nada melhor fechar esse ano tão maluco do que com música.

As únicas regras da coletânea foram que a música deveria ser gravada em casa, DIY, sem auxílio de profissionais ou estúdio e obviamente que a canção tivesse como tema o natal, assim tivemos canções inéditas como “every xmas i just nap and nap” do Electric Lo-Fi Seresta, “Xmas so much better with you” do Unbelievable Things e versões para clássicos natalinos como “Então é Natal” da Simone, “Quero Ver Você Não Chorar” e “Santa Claus Is Coming To Town” que já são praticamente de domínio público no Brasil e a outra nos EUA. Além de várias outras versões de músicas natalinas das bandas mais variadas. Nós da NapNap esperamos que vocês curtam e tenham ótimas festas de fim de ano. 

Sobre o selo:

A NapNap é um selo dividido entre o Brasil e Los Angeles, focado em gravações caseiras e honestas. O som do selo passeia pelo Indie, o Lo-Fi, o rock alternativo e a música ambiente. Em 2016 foram 4 lançamentos, além de uma fita cassete que compila os lançamentos do ano e alguns artistas que devem sair pelo selo no ano que vem.

Banda santista The Scuba Divers lança seu 1º single, "I Wanna Die In London"


























Uma visceral carta de amor à cena musical britânica dos anos 80. Assim pode-se descrever o primeiro single da banda de rock alternativo The Scuba Divers: "I Wanna Die In London". A faixa é uma amostra do que está por vir no disco homônimo da banda.  

A inspiração para a música veio de uma conversa entre os irmãos Daniel Teles (Guitarrista e Vocalista) e Maurício Teles (Baixista e Vocalista) sobre a cena pós-punk britânica, de acordo com Daniel, compositor da letra da música. "Bandas como The Smiths, The Cure ou Depeche Mode, transformam temas pessimistas em composições tão cativantes que faz com que esse estado de espírito melancólico se torna uma espécie de fetiche", conta. ‘’É quase como se a tristeza e a morte fossem mais belas em Londres". 

Daniel conta que a The Scuba Divers tinha uma composição em andamento, portanto o nome do projeto foi mudado para "I Wanna Die In London" (Eu quero morrer em Londres). "Inicialmente um título irônico, mas bastante forte. A ideia ficou na minha cabeça e então eu escrevi a letra como uma homenagem e ao mesmo tempo como uma crítica às bandas inglesas que exercem grande influência em nossa música", destaca.  

Ouça o single logo abaixo: 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Gabriel Gaspar - Laços

Foto: Larissa Carvalho

Gabriel Gaspar é um artista solo que quer expressar todas as coisas de que gosta, na música e produção. A música que ele libera é uma mistura que varia de um simples lo-fi / atmosférico, experimental e música ambiente e chama influências de bandas como if i die in mississippi, Bedbug, Castlebeat, The Seed Coat.

‘’Laços’’ é o 4 registro do musico e apresenta sonoridade cacofônica e bombardeios dissonantes de guitarras até os sons mais sutis e melodias que evocam correntes de Mogwai ou The Radio Dept, a malevolência orquestrada deste álbum é satisfatória.

Conceitualmente Laços é uma justaposição entre a escuridão e a luz, tanto identificável nos tons e texturas das músicas, bem como nos títulos das canções. A faixa de abertura intitulada ‘’Se Eu Não’’ é talvez uma referência à aflição de audição. Isto é evidente nas primeiras cinco canções deste registro que representam o lado mais sombrio e melancólico do álbum, enquanto o último é preenchido com acentos mais dinâmicos e melódicos. As atitudes contrastantes de Laços , onde não imediatamente  na primeira escuta, a natureza clandestina é o que cria o charme inegável dos seus quase 23 minutos de duração.

Alegadamente temático em torno de solidão física e emocionalmente, o ritmo de queima lenta e minimalista permanece consistente, enquanto elementos graves e órgãos de percussão medem a consistência de como cada música se desenrola com uma beleza única.

O álbum tem um grande fluxo que faz parecer perfeito à noite com fones de ouvido, talvez queimando incenso e apenas sendo suave especialmente com os sons do ambiente e os efeitos mais severos tudo misturado tão bem. O álbum ecoa sonoridade bastante introspectiva, mas ainda trouxe um sorriso ao meu rosto com a forma como Gabriel transforma o som e cria algo tão bonito, que é deprimente ao mesmo tempo.

Laços é um preço a ser pago, é uma identidade visual de desempenho e densidade que irá provocar arrepios na espinha e ficar preso nos seus ouvidos e forçá-lo a reproduzi-la uma, duas e outra vez. Obter uma cópia, virar as luzes e desaparecer no mundo das mentes. Ir a uma viagem para outro lugar, um lugar de beleza e coisas escuras, mas um lugar que você vai revisitar.








































Shark e Os Tubarões (Sorocaba/SP) lança o EP "O inesperado ataque no rio Sorocaba"

Foto: Ednei Horacio Gois

 Por Caio Saviolo

Sorocaba pode até não ter praia, mas nada impede que aconteçam ataques de tubarões nas ondas sonoras de uma boa surf music. A banda Shark & Os Tubarões, após uma maré alta que invadiu alguns botecos da cidade, anunciou um tsunami que virá junto com o seu EP de estreia, “O Inesperado Ataque no Rio Sorocaba”.

Juntos desde o começo de 2016, o entrosamento entre os surfistas musicais Diogo Moraes (baixo), Luís Henrique Dall’ Ava (guitarra) e Bruno Kalash (bateria) veio rápido. O trio conseguiu remar junto para resgatar aquele surf rock que surgiu nos Estados Unidos nos anos 60, principalmente com a influência de lendárias bandas como The Ventures, The Surfaris, The Lively Ones.

A origem dos Sharks começou lá trás, quando Diogo conheceu Luís na primeira série e criaram uma banda de punk rock. Por serem um pouco ruins, as dificuldades para cover eram grandes e assim foram surgindo as primeiras improvisações, que são essenciais numa boa surf music. Épocas de marolinha, mas de muito aprendizado.

Os dois seguiram caminhos distintos, principalmente por tocarem o mesmo instrumento, baixo no caso. Luís começou a encontrar novas vertentes como o blues, tocando nos Albinos e por ritmos brasileiros, onde até hoje participa da Risoflora. Mas Diogo, que já dropava na surf music, trouxe o seu brother das antigas para perto novamente quando entrou na Pato Rouco, que mantinha uma pegada praiana instrumental e com a banda Yolanda e os Balas, com foco nos anos 60. Esse dois projetos já anunciavam o que estava por vir.

Durante um show da banda Os Pontas, Diogo conheceu Bruno (baterista que já atuou em projetos como Tijolo e Monoclub e atualmente toca na Bit Beat Bite Bright) por intermédio de um amigo em comum, que logo percebeu que os dois amavam surf music, filmes trash com boas trilhas sonoras e cerveja barata. Pronto, eles já tinham um ponto de partida para colocar suas pranchas de baixo do braço e caírem no mar.

Foram alguns sons, Luís assumiu a guitarra, alcançando altas ondas sonoras, Bruno logo entendeu a pegada e colocou aquela clássica batida que conversa muito bem com a música e Diogo entrou com o ritmo do baixo marcante que não deixa toda essa sonoridade se perder por aí com muita segurança e qualidade.

O trio se encaixou e era hora de encarar todos os piratas, sereias, jogadores de frescobol, caranguejos, hippies e vendedores ambulantes que se encontram nos botecos sorocabanos. Após conseguirem entrar em um tubo logo na primeira onda, a vitória acabou sendo consequência e nada melhor que um EP para presentear todos aqueles que acreditaram que era possível surfar sem mar.



























Slinky Johnny - BL&D


























Direto de São Paulo, Slinky Johnny é mais conhecido por seu som slacker-rock introspectivo e hiperativo com vários registros lançados esse ano no seu Bandcamp. No entanto, seu ultimo disco (até aqui) apresenta um lado mais suave com influências populares, uma instrumentação excessivamente permeável, cordas angelicais e vocais densos. As 9 faixas de  BL&D Incorporam uma  abordagem dramática ... Progressão quase teatral, permanecendo calmo e arejado. A combinação de poderosos instrumentais e vocais serenos cria um clima tranquilo, sem dúvida.


Ao se entregar em uma estreita audição, os vários componentes são bastante claros. As texturas são complementares entrelaçadas umas as outras, resultando em estética única ‘’Serotonin’’. No geral, a multiplicidade de tons e influências atribuídos inadvertidamente ao produto final, resulta em um hino erroneamente minimalista. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Vladvostock - Destudo (EP)


























O cultivo de som de uma banda é uma busca interminável. Qualquer artista pode simplesmente imitar o que é popular atualmente, mas são poucos que trabalham para criar a sua própria voz única que fazem impressões duradouras sobre as pessoas. Desde o seu início em 2015, a Vladvostock tem trabalhado para desenvolver seu som apesar das tendências da cena local.

Destudo é um despojado projeto, produzindo autêntica emoção e certa dose de melancolia especial que persiste em todo o registro. O EP oferece uma expressão plena das capacidades do trio. As músicas são executadas com uma sinceridade audível e paixão, abrangendo uma simplicidade vulnerável, ao mesmo tempo, exibindo um peso emocionante. Tudo isso é executado com controle e equilíbrio cuidadoso.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Bruno Faleiro, ex - Câmera, lança projeto Sci F






































Um minuto e vinte de uma pausa instrumental abre  Sci Fi, e é apropriado em relação à liberação propositalmente intitulada. Na realidade, as coisas que nunca se dizem acabam se perdendo (ou se encontrando) naquilo que fazemos, os momentos minúsculos de vida que pode começar a ofuscar tudo. Assim faz sentido que há uma sonoridade pulsante embalada com introspecção, cheio de curvas emocionais e sons familiares. Estou falando de música, de como ela incorpora cada detalhe dentro das nossas emoções diárias.

Canções vêm e vão muito rapidamente através deste disco, certificando-se de se manter fiel ao seu objetivo e dizer o que precisa ser dito. Não há resumos, não demorando para longe do caminho, apenas música embalada com uma honestidade humilde e uma sensação lo-fi. Guitarras de som arranhado, um ligeiro deslize fora de sintonia, mas isso é bom porque aumenta a experiência.  As guitarras são empilhadas como uma parede de tijolos, com a bateria saltando fora deles em seu próprio ritmo intrincado, com os vocais batendo contra as guitarras e não sendo capaz de andar por cima deles, mas se entrelaçam entre eles, tornando-se a argamassa que solidifica tudo.

Projetos como este já apareceram tantas vezes antes, mas como qualquer vício saudável cada um tem um novo brilho para nos manter interessados. É como o cheiro de café da manhã todas as manhãs, é um despertar para um novo dia que nós estimamos e às vezes acho que precisamos; que é parte da rotina de nossas vidas. Bruno Faleiro e seu  Sci-Fi permanece com o mesmo dialogo de Paper Space, I'm Glad It's You, Pill Friends , Suntrodden, são tantas referencias que me saltam a cabeça nesse momento,  crescendo com melodias cativantes e belas realizações; as que nos encontramos e tropeçamos em todos os dias. ‘’Trailer Park Boys’’rola com uma melodia simplista das guitarras e um anseio oco em lembrar as pessoas que saíram das nossas vidas, mas é a nossa própria fachada, porque nós realmente sentimos falta delas.

Uma mostra criativo- indie - pop despojada de sensibilidades que levam acenos no sentido dos anos 90. As 6 canções aqui são alimentadas por versos curtos, melodias brilhantes e uma entrega confortável, provando mais uma vez que menos é muitas vezes mais, cravejado de bons momentos, sensação mínima que deixa uma marca indelével via lo-fi flertando de maneira bem criativa e quente.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Ambição melódica, liberação emocional, complexidade rítmica, intensidade e experimentação atonal no primeiro registro da Algarobas

Foto Caio César

Em um mundo transitório como a música, a banda Algarobas de Juazeiro do Norte/CE, concentra-se na criação de momentos duradouros com o seu rock experimental e músicas progressivas.  O grupo implementa elementos de rock experimental, a sequenciação eletrônica, dinâmica de banda ao vivo, e synth pesado com belas linhas de guitarra.

A quantidade de movimentos suaves, sangrando através de A estrada é longa e o caminho é deserto  bate no corpo através de uma mistura pulsante e dinâmica. Elegantemente pensadas e expressivas estão canções como ‘’Cores’’, ‘’ Poema de comer ‘’ou ‘’Muitos e podem voar’’, onde as batidas vibram juntas em uma tempestade de euforia melódica e eletrônica. 

A grande sacada inteligente encontrada dentro do primeiro EP mostra uma banda suficientemente inteligente para saber o seu som e como dobrar o talento individual diretamente no ponto de ruptura. Tudo começa com uma melodia saltitante, transcendental que transpira progressões vertiginosas com cadências delicadas e uma inquietação por cima. Algarobas  é um projeto cheio de ambição e deslumbrante consciência melódica, envolto em um flâmulas de seda que felizmente cavalgam sobre as ondas do ar.

Download do disco AQUI 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Lançamento Baztian - Wrong Side Of The Shore


























“Oi, eu toco bateria na Baztian, uma banda de rock alternativo de Maceió, Alagoas”. Basicamente o Caíque Guimarães (guitarrista/vocalista) juntou lá em 2009 eu (Rodolfo Lima - baterista) e o Alcyr Vergetti (baixista), dois broder dele, pra tocar música rock alta com influência de sons que a gente curte muito, grande maioria da década de 90, tipo: Built to Spill, Dinosaur Jr., Smashing Pumpkins e um pouquinho assim de carim... GRUNGE.

Wrong Side Of The Shore possui 11 faixas. Onze sentimentos de inadequação. Onze ruas que não dão no mar, mas que possuem pedaços de horizonte de oceano entre o espaço de um prédio a outro. Onze alívios no dia. Onze angústias que remoem. É difícil demais deixar os sonhos irem aos 30 anos ou mesmo aos 40,50... Tão difícil é deixa-los que este disco saiu. Músicas de guitarra, baixo, bateria e goela. Este disco é repleto de influências, homenagens e citações as formas de arte que nos acalentam a alma. A gente é a Baztian e é ok tocar rock pra sempre. É melhor tocar com os meus amigos do que não tocar com os meus amigos. A cena pela cena. Um pelo outro. Paz!” - (Rodolfo Lima, Baztian)             

O álbum é um lançamento coletivo dos selos alagoanos Gangue do Beijo, Solar Discos, Transtorninho Records e Nervura Distro. Gravado no primeiro semestre de 2016 no Estúdio Popfuzz, exceto baterias gravadas no The Cavern Studio. Produzido por Caíque Guimarães, Mixado por Emmanuel Miranda no Magic Room Studio e Masterizado por Diego Rocha no Bay Area Studio (São Paulo-SP). Arte da capa por João Marcelo Cruz. Fotos por Coletivo Popfuzz.

Todas as músicas compostas por Baztian, letras por Caíque Guimarães exceto faixas 1 e 2 por CG e Rodolfo Lima. Vinheta na faixa 8 retirada do documentário "Hype!" (1996). Violão na faixa 10 por Sérgio Ugeda.