quarta-feira, 26 de outubro de 2016

SUPERVÃO lança novo videoclipe


























Após lançar seu primeiro EP - Lua Degradê - e ser destaque em diversos blogs nacionais de música, a Supervão apresenta o seu segundo videoclipe. A música que ganha imagem é Lua em Gêmeos, lançada no início do ano numa parceria inédita entre os selos gaúchos Lezma Records e Honey Bomb Records.

A produção do diretor Lucas Carneiro Neves é fruto de uma das festas organizadas pelo próprio selo dos integrantes, a Lezma Records, na cidade de Porto Alegre. Após filmagem e edição, o videoclipe foi remixado pelos membros da banda por meio de corrompimentos de imagem, produzindo o glitch e o datamosh, técnicas utilizadas nos movimentos estéticos contemporâneos que se inspiram na web e a utilizam como meio de difusão.

SUPERVÃO é uma banda brasileira, de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, iniciada em 2015. Os integrantes são: Mario Arruda, Leonardo Serafini e Ricardo Giacomoni, idealizadores e fundadores do selo Lezma Records de Porto Alegre, além de membros de outras bandas como Chimi Churris e Siléste. 

No ano passado soltaram suas primeiras duas músicas no single “Cadilac Olodum”, faixa que ganhou um clipe oficial, junto com o lado B “Priminho Maçã”. Em 2016 lançaram o EP “Lua Degradê” e chamaram a atenção de meios especializados , além de se apresentarem em festivais como Kino Beat na capital gaúcha e Festival Brasileiro de Música de Rua em Caxias do Sul. A banda também realizou uma mini turnê de três shows pela cidade de São Paulo e até o final do ano se apresenta no festival da rádio Unisinos FM no bar Opinião, ao lado de artistas como Frank Jorge e Bidê ou Balde, e também no Morrostock em Santa Maria.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Sound Bullet apresenta a música Aceitar Perdão no Superdose 2016





































O Superdose, websérie assinada pelo coletivo cultural Pomar (RJ), explora a diversidade da música independente e autoral, trazendo a cada episódio artistas e bandas da cena alternativa. O som que ganha destaque nesta semana é o da banda carioca Sound Bullet.

A Sound Bullet entrou para o line-up do programa por representar a eminente qualidade do indie rock nacional. Em atividade desde 2009, o quarteto tem apresentado diferentes nuances de um som que ecoa influências do britpop e do rock progressivo. Ao Superdose 2016, a banda levou a música Aceitar Perdão.

Desde o lançamento do EP Ninguém Está Sozinho (2013), lapidado pela produção de Diogo Strausz (Castello Branco, Alice Caymmi, João Capdeville), os jovens músicos vêm conquistando público do Rio de Janeiro e de São Paulo.

O atual foco de trabalho de Guilherme Gonzalez (vocal e guitarra), Fred Mattos (baixo e vocal), Henrique Wuensch (guitarra) e Pedro Mesquita (bateria) é dar fôlego à produção do primeiro álbum da banda, aguardado para início de 2017.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A iniciação de Rita Oliva: “Instinto” revela novo ciclo da multi-instrumentista do Cabana Café e do duo Parati


























Integrante da banda Cabana Café e do duo Parati, Rita Oliva ressurge como PAPISA em seu mais novo trabalho solo. Agora, ela se revela multi-instrumentista, autora e executora de sua própria obra, inspirada no arcano 2 do tarô. Quem abre os caminhos para esse novo momento é a faixa “Instinto”, música que fala sobre seguir os próprios desejos, acolher o instinto animal e se libertar sem culpa. O Ritual de Passagem (durante a Lua Minguante) será a primeira oportunidade de conferir as músicas ao vivo. O show acontecerá dia 28/10 no Que Tal Hostel (São Paulo), com formação solo e intimista (voz, guitarra e loops).

Nos compassos descompassados de “Instinto” coexistem a doçura e a força, ascendendo a um estado de sonho e delírio - talvez, de outra forma de percepção. “Nada nessa vida é muito real, então eu posso ser natural, aliada do desejo”, versa o refrão da canção. O single dá uma prévia do disco (que será lançado em 2017) e dos caminhos percorridos por Rita, com olhar atento ao misticismo, à energia feminina e ao que nos é oculto.

“O processo que usei para fazer o single é um experimento e uma novidade pra mim. Sempre quis fazer algo em que eu gravasse tudo, e finalmente decidi fazer. A produção foi feita basicamente no meu home studio. Comecei com beats, guitarra e voz. Depois substituí o beat por bateria e somei camadas de synth, guitarras e vozes”, conta a compositora sobre seu processo, autoral e vívido.

Bateria e vozes foram gravadas no Mono Mono Studio, em São Paulo. Guitarras foram gravadas no home studio da artista e também no Mono Mono. Apesar de ser um trabalho solo, os músicos Daniel Fumega (Macaco Bong), Fabio Gagliotti (aka V.Masta) e Rafa Bulleto (BIKE) também contribuíram com o projeto. A mixagem é de Taian Cavalca e a masterização é de Maurício Gargel. Para lançar PAPISA, o selo escolhido foi o PWR Records, de Hannah Carvalho e Letícia Tomás, meninas que tem movimentado intensamente a cena nordestina. O selo é dedicado exclusivamente a bandas que tenham pelo menos uma mulher como integrante, com o objetivo de dar mais visibilidade a elas.

Como resultado, “Instinto” traz elementos simbólicos tanto em sua sonoridade mântrica e carregada de camadas instrumentais quanto em sua letra, que questiona a ideia cristã de bem e mal. “É inspirada na mitologia celta, nos rituais das estações, na conexão com a terra. Faz parte da busca de uma forma mais feminina de encarar o mundo, integrando mais do que excluindo, acolhendo mais do que discriminando, inclusive a própria sombra, a morte, como partes fundamentais do todo”, instiga Rita. Se os ciclos são importantes à mulher, este é fundamental para PAPISA.

Locomotiva Elétrica - Manual de Delírios Cotidianos (EP/2016 - Umbaduba Records)






















Lançamento de estreia do trio Locomotiva Elétrica, Manual de Delírios Cotidianos, é um daqueles registros que não perde tempo recebendo a atenção do ouvinte. A faixa de abertura, "Karma", bate em você no rosto com riffage experimental cativante, dando o tom para o resto do EP do ponto de vista musical. Embora algumas faixas possam diferir de forma dinâmica e liricamente, a banda mantém o alto nível de energia ao longo dos quase 32 minutos de audição.

Uma estreia de tais ambições genéricas "Progressivo / Psicodélico" não é suposto ser a coisa mais fresca soando, mas definitivamente não é obsoleto por qualquer meio. Embora seja apenas 5 canções bastante longas como manda a cartilha do gênero , cada uma tem suas próprias características únicas e se diferem do resto. Quando você é uma banda iniciante deste gênero particular, tentando fazer uma boa primeira impressão, isso é algo que nunca é demais. Embora não tenha pontos tão positivos sobre este EP, onde o ritmo cai, é pouco perceptível devido ao bombardeio constante de conteúdo emocional pesada sendo jogado em seus ouvidos.

No geral, Locomotiva Elétrica vem fazendo um excelente trabalho em moldar o seu som, mas onde essa estreia não chega a satisfazer é mais facilmente compreendida quando se considera a sonoridade que eles estão trabalhando em primeiro lugar. Pessoalmente, eu adoro quando uma banda tenta algo novo com um conceito pré-existente e tenta adicionar o seu próprio toque individual a sua música. Infelizmente, no entanto, eu realmente não me senti completo.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

MOCHILA - Out of Town






































No primeiro estalo de garganta, MOCHILA - Out of Town , eu queria dizer que foi uma versão curta, mais bastante representativa da noite de Maceió, às vezes coisas assim acontecem , mas casio pop lo-fi está longe da verdade. Há um místico de euforia e nostalgia nas ruas de Maceió,,,  o vídeo felizmente está além de ser honesto; É cru. É exatamente por isso é ainda mais compreensível. Parece que Kayê Holanda  editou o vídeo, tanto para ele mesmos como  para os seus ouvintes. É as emoções despojadas de uma pessoa que não se encaixa no molde atual.

Com uma configuração simplista, a letra ajuda a fazer sentido na neblina, e não tenta ser excessivamente profética ou significativa apenas com o objetivo de obter o seu ponto de vista. E, embora triste, serve como ultima dança de despedida. A agonia tranquila na ponta da língua e o  equilíbrio sob o peso da serenidade nos diz que Mathew Lee Cothran , Delaney Mills e Katie Crutchfield curtiriam casio pop maceioense. 

Os Camelos e sua alquimia de sons orientais no programa Superdose






































A cada semana, o Superdose 2016 apresenta novos nomes da música independente brasileira. Laura Lavieri, Cosmos Amantes e Gabriel Cavalcante protagonizaram os primeiros episódios da atual temporada do programa. Com foco na diversidade dos sons autorais, o Superdose apresenta a banda Os Camelos.

O projeto Os Camelos é fruto da união entre Fábio Hirsh, o Fabíola, no saxofone tenor e Glauber Airola no djembe. Os instrumentos, livres de tomadas, são o fundamento do conceito de trabalho da banda, que é criar intervenção sonora e poética nos espaços públicos.

Com sua música a passeio, sons inerentes à cidade passaram a compor as composições d’Os Camelos. Composições que ganharam, mais tarde, as cordas do contrabaixo acústico do músico Leonardo Contreiras. A sintonia dessa nova formação foi apresentada no Superdose pela canção ‘’Buraco Negro’’.

O escapismo sonoro que Os Camelos leva aos trens, metrôs e ruas do Rio de Janeiro carrega traços orientais árabes e navega pela experimentação livre de batidas genuinamente brasileiras. Essa alquimia sonora de elementos ancestrais transcendeu as ruas e chegou ao estúdio, dando forma ao álbum Ampulheta, lançado em março deste ano.

Lançamento - Theuzitz explora cada vez mais sua sonoridade em “Peso das Coisas”





























Radicado em Jandira-SP, Theuzitz, 20, lança seu primeiro disco cheio um ano após a divulgação do seu primeiro EP, Parqueda Luz, em fins de 2015.

Com a produção toda conduzida por Matheus, o Peso das Coisas foi gravado com pouquíssimos recursos no que diz respeito aos equipamentos utilizados, e com exceção de alguns samples e colagens externos, foi inteiramente captado mixado e masterizado por Theuzitz dentro de seu próprio quarto, com a participação pontual de alguns outros artistas independentes de São Paulo, como Steve de Pace da banda Moblins, que dividiu as guitarras e sintetizadores com o autor em Cavalo, Lucas de Araújo da banda Jagsax, que gravou violinos e saxofone na faixa Saudade, o cantor Diaz e o percussionista Bruno Will que gravaram coro e percussão nas canções Ninguém se Importa e Andaluz, respectivamente.

Percorrendo temas como depressão, transcendência, sexualidade e política, a sua maneira, o Peso das Coisas propõe um ponto de vista mais abrangente no lidar cotidiano. É sobretudo um disco de empatia.

Por Theuzitz

Peso das Coisas é um convite à experimentação. Um comentário em primeira pessoa a respeito da nossa multiplicidade enquanto seres sensíveis em vários de seus aspectos, ideológicos, físicos, espirituais, sentimentais, e em como ela se manifesta e pode ser maleável.

Gravado dentro de um quarto, com poucos recursos, inserido numa cidade distante geograficamente dos grandes centros, o “Peso das Coisas” não deixa de ser também um reflexo sobre esse meu deslocamento, partindo do discernimento de Jandira, onde moro e vivo há anos, até o transito constante para São Paulo, onde me encontro a “vida útil” de trabalho. A ideia também é evidenciar o quanto essas áreas se afetam podem construir novos lugares.

A demonstração dessa proposta acontece de forma intuitiva dentro dos gêneros permeados no disco, (folk, punk, noise, samba, dream pop, rock psicodélico, spoken word, indie pop), nas capas (tanto do single “Ninguém se Importa” quanto do próprio LP) e nos samples e colagens utilizadas ao longo das 11 faixas, que relacionam artistas como Dorival Caymmi, Clementina de Jesus, Nirvana, Yoñlu, Zóio de Gato, entre outros.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

QUASAR - Enquanto o Futuro Não Vem






































Recordando histórias de raves silenciosas e chuvas de meteoros, este é um álbum que discute o medo do fracasso e falta de confiança, muitas vezes, mas todos os caminhos só levam a uma sonoridade flutuante. Na melhor das hipóteses, esse registro é pungente, vívido, e mostra algumas composições extremamente sinceras. Na pior das hipóteses, porém, é confuso e inconsistente, que sofre de execução emocionalmente multiplicada. Eu adoraria dizer que os prós superam os contras aqui, mas isso não é o caso. Eu vejo isso, porém, como um exemplo de grande potencial para o futuro.

As pessoas não estão chateadas o tempo todo, e nem é isso. As 7 faixas flutuam como qualquer nuvem em dia chuvoso. É instável. Talvez uma escuta ou duas seja necessário. Não é o que era esperado, mas isso é uma coisa boa. 

Deixe o seu adolescente interior correr  em um campo de flores silvestres. Você está sozinho? De jeito nenhum. Todo mundo precisa  deixar sair a angústia de vez em quando. Por que não deixá-lo fluir fora de seu corpo todo  como a força de um furacão?

Herzegovina - 5am Demo






































Álbuns de estreia são sempre uma incursão emocionante para todos os envolvidos. Herzegovina lançou seu primeiro registro 5am Demo em 26 de setembro, e vai rodar confortavelmente em qualquer caixa de registros. Por definição estrita, o disco é post-punk, mas existe uma quantidade concreta de sub gêneros e confiança que permite uma fuga de acessibilidade que se implanta em seu som ainda em  evolução. Ele mantém um esforço digno entrincheirado em suas próprias ambições.

‘’5am Demo’’ soa como uma mistura de Killing Joke e Soviet Soviet. A progressão de acordes pesados ​​e incrivelmente lenta para criar um feedback cuidadosamente bem colocado, e  a distorção leva o ouvinte a um ataque sonoro que implacavelmente continua no "brilho" como as letras dolorosamente desconfortáveis são colocadas.  Em comparação com versões anteriores dos músicos, o conteúdo lírico é brutalmente irritado e sem corte, em oposição a apática e distante, como na maravilhosa ‘’Lost and Found’’, feita para cair na pista com seu bit delirante.

O trio lançou um registro que, embora não seja inovador sonoramente, é em termos de sua força musical e consistência um produto surpreendente, ... 5am Demo ... foi um passeio que valeu a pena.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Ouça: Todas as Brisas de Lê Almeida

Foto: Filipa Andreia

Embalado pelas ondas do mar de Búzios, Todas as Brisas é o quarto álbum da discografia de Lê Almeida, que, sob alcunha de seu próprio nome, toca ao lado de João Casaes (guitarra), Bigú Medine (baixo) e Joab Régis (bateria).

Neste lançamento, o idioma musical é abrangente e vai da surf music ao space rock sem deixar para trás os delays e as melodias psicodélicas. Todas as Brisas foi inteiramente composto e tocado por Lê Almeida e masterizado por João Casaes, entre 2015 e 2016, no Escritório (RJ). O trabalho é o número 90 da TransfusãoNoise Records, tem distribuição digital da DeckDisc e será prensado em K7, vinil e CD em parceria com a Outprint (SP) e IFB Records (USA). 

Por Carlos Albuquerque

Arte: Lê Almeida

Lê Almeida não tem muita noção do próprio tamanho.

- Pior que nem lembro. Da última vez, eram dois metros – chuta, de um jeito 
engraçado, o grande cantor, compositor,  guitarrista, dono de gravadora, artista plástico e farol da independência musical “made in Rio”.

Quando nos encontramos pela primeira vez, há seis anos, ele sozinho já tomava quase todo o espaço do estúdio improvisado no apertado quarto da casa dos seus pais, em Vilar dos Teles, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro.  Como me explicou  na ocasião - serenamente, sem nenhuma reclamação -  ali ele gravava, produzia, editava e “prensava” (em CDRs, com capas boladas por ele também) quase todo o material da Transfusão Noise Records, selo que gerou entre 2004 e 2005. Algumas gravações mais complexas, porém, eram feitas do lado de fora do Interestellar Lo-Fi (nome bastante simbólico com o qual batizou o local), como no quintal da residência dos Almeida, desde que a máquina de lavar roupa não estivesse funcionando e os passarinhos da área dessem uma trégua no seu canto independente.

De lá pra cá, Lê não parou de erguer-se, trazendo um bocado de gente junto. Lançou três álbuns solo, tocou em diversos projetos paralelos (dentro da própria TNR), co-produziu um álbum dos Autoramas (O Futuro dos Autoramas) e foi o combustível para que a gravadora colocasse na rua mais de 80 discos, de bandas como Carpete Florido, The John Candy, Suite Parque, Babe Florida e – temos um nome campeão - Uma Nova Orquídea Em Meu Jardim Alucinógeno. Como indicam os sinais, todas elas apresentando um contagiante som de guitarras distorcidas e tintas psicodélicas.

Falando em mentes alteradas, num ano em que o Brasil parece uma bad trip - dentro da qual são derretidos direitos e garantias, sem o menor pudor – Lê chega ao quarto álbum, Todas as Brisas, com a espinha ereta e o coração tranqüilo, soprando breves momentos de ternura elétrica, capazes de ajudar a atravessar essa onda ruim, uma canção de cada vez. O disco é o sucessor de Mantra Happening, marcado por um hipnótico clima de jam, estilo “space rock”, como diz sua hashtag no soundcloud. Curiosamente, o novo disco – gravado no Escritório, novo quartel general da TNR, no Centro do Rio, que abriga também um micropalco e um minibar - fica num meio termo entre o shoegaze dos seus trabalhos iniciais e os lindos sonhos delirantes de “Mantra”.

- Esse disco já tava gravado quando fizemos o Mantra, mas eu achei que a gente tava em uma fase ao vivo muito mais ligada ao Mantra do que a esse disco, por isso lançamos ele primeiro – explica ele, referindo-se ao seu power-quarteto, que tem  João Casaes (guitarra), Bigú Medine (baixo) e Joab Regis (bateria). – Mas Todas as Brisas traz um pouco do trabalho anterior, com umas faixas mais longas do que eu fazia antes.

Com um vinil que terá fotos de praias nos selos dos lados A e B, além de músicas com nomes como "Quebrante das ondas", "Praia alta" e, claro, a própria faixa-título, não é difícil imaginar de onde vem a inspiração para o clima ensolarado, sem previsão de chuvas, que marca Todas as Brisas.

- Esse disco tem mesmo um clima de praia, uma conexão que só percebi depois que uma amiga falou algo parecido sobre Paraleloplasmos  – explica Lê, que participou recentemente do Pulso,  uma residência artística na Red Bull Station, em São Paulo . -  Também rolaram umas viagens pra Búzios que me levaram ainda mais pra esse caminho.

Esse astral areia e água salgada também contaminou as colagens que Lê criou para acompanhar o disco - um trabalho que ele vem realizando há algum tempo, sempre em paralelo às suas investidas musicais.  Expostas na Galeria Recorte, em SP, e transformadas em fanzine (“todo em xérox e costurado pela minha avó”, ressalta), as 29 obras – com imagens de uma mulher de rosto enfiado num liquidificador, gurus flutuando sobre as águas e um cavalo dentro de uma geleira, entre outras - parecem, às vezes, saídas de fotogramas do delirante diretor chileno Alejandro Jodorowsky.

- Pra mim existe uma conexão clara entre som e imagem. Faço colagens pelo mesmo motivo que faço música e ultimamente tenho me dedicado ainda mais a esse trabalho- diz Lê, esse gigante gentil, ainda incerto do próprio crescimento. - Nunca imaginei que ia chegar numa galeria. Quando comecei, só estava tentando imitar as capas do Guided by Voices e do Pavement.

Ah, Lê, já pensou em pegar onda, de prancha mesmo?

- Nunca pensei não.  Até ando de skate, mas prefiro pular as ondas.

Rio de Janeiro, 2016


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Amsteradio - Precisamos sair de casa (2016)


























Eu  simplesmente amo demais essa banda. Algumas das minhas memórias favoritas com alguns dos meus melhores amigos envolvem os sons do Amsteradio, quer dirigindo pela estrada ou com um violão na casa de alguém.  Diferente do disco de estreia, ‘’FightFor Your Right (To Samba)’’ (2014), ‘’ Precisamos sair de casa’’ é um registro incrível, com um equilíbrio perfeito de melodias ásperas, e sensibilidade pop.

O álbum abre com um ritmo acelerado, mergulhando o ouvinte imediatamente em suas águas frias, a guitarra soa como vento corrente, ondas quebrando em cima da proa de um barco, balançando-a e batendo-a para baixo. Sinto-me imerso neste ambiente que eles criaram para nós. Experimental – noise - punk é um termo muito brutal e irritante, em vez de irônico e despretensioso como nos registros anteriores. 

É realmente prazeroso quando você começa a ver um artista ou uma banda que você gosta crescer e progredir para frente com a sua música, especialmente quando a progressão é muito óbvia. É quase como se você estivesse vivendo através deles e têm a sua própria janela pessoal para a vida dessa pessoa, observá-los amadurecer ao longo do tempo. Sim, você é um porra voyeur. O seu primeiro disco não foi um fracasso, mas, você pode imaginar a preocupação que o seu próximo lançamento seria apenas uma cópia carbono de suas versões anteriores com uma melhor produção. Santos flocos de arroz estou devorando minhas palavras depois de ouvir ‘’Jeans com jeans’’.

A mistura em todo o álbum é fantástica e consegue o equilíbrio perfeito do inicio ao fim. Cada música flui para a próxima e enquanto o estilo permanece basicamente o mesmo em todo o registro. Precisamos sair de casa  coloca a banda definitivamente nas listas eternas de grandes álbuns,  como fogos de artifício, rajadas de hiper criatividade com sinceridade imutável. Amsteradio tem mais alguns fogos de artifício na manga, porque o verão ainda tem um tempo para ir.

Erotic Travelers - A maturidade é totalmente óbvia, e é essa obviedade que faz esse registro tão gratificante






































Apesar do sentimento de descontentamento estético que se tem de olhar para o seu Bandcamp, Erotic Travelers não são apenas mais uma banda alternativa. Bem, eles são, na verdade, um cara chamado Vinícius Fonseca que criou um registro bem criativo embora já tão batido e esgotado. Com 8 faixas, o disco é um grampo típico do gênero indie rock, familiarizado, sem ser demasiado genérico com  LVL UP, Guided by Voices e Pity Sex e não me deixou com vontade de transar.

Eu sei que Indie-pop-alternativo está tomando o mundo pela tempestade, fornecendo um som acessível, mas "diferente" que ouvintes de outros gêneros podem apreciar. O disco tem uma sensação DIY no caminho que parece ser inesgotável, apelando para o público indie-pop DIY, mas os vocais e instrumentais criar uma harmonia que pode ser amplamente aceito por quem procura algo ‘’novo’’ para ouvir.

Deixe este registro crescer em você. Dê-lhe algumas rodadas com alguns fones de ouvido. Se vai ser rotulado como um grande lançamento? Provavelmente não. Mas definitivamente vai inspirar muitas gerações mais jovens a fazer o mesmo (ou melhor). Mantenha um olhar atento sobre Erotic Travelers, esse mineiro sabe o que está fazendo, e ele sabe como deixar uma mina excitada.

Cosmos Amantes dilui rock e psicodelia no novo Superdose






































O programa Superdose retoma a missão de retratar novas bandas independentes e autorais. A temporada 2016 estreou na última semana, com Laura Lavieri em uma versão exclusiva de Quando Alguém Vai Embora, primeiro single solo da cantora. O segundo episódio do Superdose traz as melodias lisérgicas da Cosmos Amantes.

A banda traz ao Superdose a música Canto do Mar, segundo registro oficial lançado pelos cariocas. Com um ano de atividade celebrado neste mês de setembro, um EP a caminho e shows no eixo Rio-São Paulo, a Cosmos Amantes vem amadurecendo boas acolhidas, tanto da crítica quanto do público.

Unidos por mantras, meditações e sessões de improviso, os cariocas criam os sons atmosféricos de maior destaque do cenário independente no momento. Dos seus registros, abstrai-se uma conexão direta com a atmosfera psicodélica e space rock setentista.

Lê Almeida e Clara Cosentino são as vozes e as guitarras distorcidas das produções. Poliana Pieratti contribui nos vocais e conduz os teclados. Vinícius Portella comanda a bateria, enquanto o crítico musical reconhecido por trabalhos no Multishow e no Tenho Mais Discos Que Amigos, Guilherme Guedes, representa a Cosmos Amantes no baixo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Softporn lança seu primeiro disco: ''You Never Cared'' | Crooked Tree Records





























Por: Carlos Otávio Vianna

Fundada em Maceió, Alagoas, pelo vocalista inquieto Mário Alencar (SketchquietMario The Alencar), mestre bigodon Wilson Silva, ambos responsáveis pelas paredes de guitarras distorcidas e sensacionais que permeiam o disco; e Gellyvan Fernandes (Nonsense Lyrics), querida e carismática figura alagoana, no seu contra-baixo pós-punk à la Kim Gordon.

Softporn é rock, que mergulha na vertente shoegaze e dream pop, onde guitarras ora furiosas se misturam com passagens mais serenas. A voz amargurada de Mário sussurra alguma coisa em nossos ouvidos – nossa! Parece triste, mas não! A rapaziada não deixa a peteca cair nunca.

As influências… Os caras conhecem muitas coisas, e misturam sem piedade ou preconceito, mas o som sai naturalmente sem forçar a barra.

Vamos destacar todas as faixas desse disco, sim! Porque não? ‘’I Wanna Sleep’’ e ‘’Medications’’ são dois embriões que parecem ter saído do trio mais barulhento de Nova Iorque desde o Sonic Youth, o A Place To Bury Strangers‘’Pillow Face’’ tem uma intro suave que mergulha depois em seu ”white noise”, assim como ‘’She’s Like Heaven’’, bebem de grandes bandas shoegaze como My Bloody Valentine e The Jesus and Mary Chain – a delicada ‘’Sunrise’’, remete o clima etéreo do Cocteau TwinsSlowdive e Galaxie 500. E por fim o hit, ‘’Another Horizon’’, que lembra… Softporn! É isso, a mistura que pode lembrar alguma banda, mas tem sabor próprio.

A produção ficou encarregada pelo vocalista/guitarrista da banda, Mário Alencar, que com muito suor também fez a arte da capa de You Never Cared.

''Acompanho esse caras no selo desde janeiro desse ano, e vejo como transbordam energias positivas quando falam de música ou quando fazem música; isso serve de lição de vida para mim, não perder o amor por isto mesmo que te traga apenas… Felicidade!''.