sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Lançamento: errorama, Todas as Coisas que eu acho que sei | Nap Nap Records


























Formada em uma cidade paranaense com menos de 20 mil habitantes, o errorama surpreende em vários aspectos. O primeiro deles, sem dúvida, é o fato de sustentar canções autorais influenciadas pelo rock introspectivo de bandas como Radiohead e The National em uma região dominada por artistas cover e baladas sertanejas.

Como se não bastasse, o quinteto da pequena Araruna (município da região de Maringá, no noroeste do Paraná) teve de superar a distância física entre o vocalista e guitarrista do grupo, Gustavo Ferreira - que atualmente se divide entre as cidades de Maringá e Rio de Janeiro-RJ - e o resto da banda, formada por Saulo Giovane (Teclados, guitarras e outros), Fabio Silva (Guitarra), Tiago Silva (Bateria) e José Jr (Baixo), para pré-produzir e agora lançar seu primeiro disco completo intitulado “Todas as coisas que eu acho que sei”.

Gravado no estúdio Audiostamp, em Curitiba, e produzido pelo guitarrista da banda Charme Chulo, Leandro Delmonico, “Todas as coisas que eu acho que sei” mostra em 12 faixas o que o errorama tem de melhor; indie rock de sonoridade aberta, com espaço para guitarras noventistas e levadas que podem lembrar grupos de épocas distintas como: Joy Division, Modest Mouse, Interpol ou mesmo Los Hermanos. Tudo isso, incrementado em estúdio por sanfonas, metais e participações especiais de Layara Maizi em “Pra dizer” e Igor Filus (Charme Chulo) na faixa “É que eu tenho que manter a minha reputação”.



Desde 2009, o errorama, luta bravamente para encontrar seu espaço numa região que outrora foi chamada de “Seattle Brasileira”, mas que hoje premia com ostracismo bandas que tenham um som diferente das bandas covers que sempre tocam na região.

Eles que já tocaram por todo Paraná em eventos como a Virada Cultural Paranaense, Bienal do Livro de Campo Mourão e fizeram turnê como banda de abertura do Charme Chulo, vem produzindo esse disco desde o ano passado. A escolha de ter um produtor “de fora” da banda se deu pela busca de uma pluralidade maior nas composições, e principalmente trazer uma nova voz criativa contraposta às ideias da banda.

Outro ponto importante na consolidação da identidade sonora do errorama são as letras, dessa vez todas as composições são em português. A banda que começou principalmente escrevendo em inglês e no segundo EP dividiu-se entre as duas línguas. Em “Todas as coisas…” ficam com o português nas 11 músicas do disco.

Todas essas escolhas, desde composições mais abstratas e abertas, as letras em português e uma produção mais profissional foram as formas que a banda encontrou de se posicionar no cenário independente, de se aproximar ao máximo do que a banda é e do que ela quer ser e alcançar um público além do interior. “Todas as coisas” é um disco para as horas de desconforto, de desencanto, mas também fala sobre amadurecimento, que é reflexo de toda produção do disco.

A arte do disco foi feita por Álvaro Sasaki.

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