quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O CHA ESTÁ PRONTO: NOVO ÁLBUM DO CATAVENTO É UM GOLE DE LIBERDADE

Foto: Tuany Areze 

As dores e as delícias de entrar no mundo adulto são questões recorrentes. É possível amadurecer sem abandonar os sonhos de infância? Pensando nisso, a banda gaúcha Catavento (Honey Bomb Records) lança seu novo álbum como um grito de liberdade contra a monotonia, a caretice e a rotina características da contemporaneidade. “As composições vão contra algumas coisas que nos ensinam desde que a gente nasce e entra na escola, que a nossa alegria tem horário e você tem que guardar sua felicidade pra momentos específicos’’, conta Leo Rech, guitarrista e vocalista da banda.

Diferente do primeiro disco (LYATR, 2014), CHA tem composições de quatro integrantes da banda. “Esses sons foram nascendo quase que juntos com os sons do nosso primeiro álbum, alguns até antes. Durante o processo de divulgação e tour do ‘Lost Youth’ a gente foi desenvolvendo eles, de uma forma bem natural, até chegar o momento em que de fato paramos pra focar neles, mesmo que aos poucos. Foi como se a gente gravasse as baterias no verão, o baixo no outono, as guitarras no inverno, as teclas na primavera e as vozes no verão de novo... E nisso, rolaram os dois anos do processo todo de fazer o CHA ferver”, relembra Eduardo Panozzo, baixista, guitarrista e vocalista do grupo.

CHA vem pra consolidar a banda entre as novas apostas da música psicodélica nacional, ao lado de nomes como BIKE e Boogarins. Exemplo disso é a faixa The Sky, que surgiu durante uma sessão de lisergia em Porto Alegre. “A letra e as harmonias situam o ouvinte dentro de diversos fluxos que o caos e a cidade conseguem fazer com o ser humano. A ideia era que lembrasse "Ué", do Som Imaginário, mas o resultado foi além dos anos 70 e o espírito de inconsciente coletivo”, conta Johnny Boaventura, vocalista e tecladista.

Outra canção do disco, "City's Angels", já ganhou videoclipe e é um convite a sobrevoar as ruínas de Caxias do Sul, cidade natal da banda. O cenário escolhido pra gravação foi o antigo Moinho Boca da Serra em Vila Seca, patrimônio histórico que sofreu um incêndio em 2014. “Plantinha” é mais uma das faixas que já havia dado um gostinho do que viria agora.

De acordo com a própria banda, o disco tem um quê de pop. Os ares sujos, no entanto, estão todos ali: nas sobreposições de vozes, misturas instrumentais, na “pauleira”. Ainda assim, é um álbum pra se apreciar com calma, como quem degusta um bom chá. Ao vivo, o CHA poderá ser provado no show oficial de lançamento, dia 2 de setembro no Z Carniceria (São Paulo). “Fique tranquilo se você não entender alguma coisa, estamos tão perdidos quanto você”, simplifica o também vocalista, guitarrista e baixista Leo Lucena. 

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