quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Coletânea Udigrudi revisita psicodelia pernambucana dos anos 60 com novos artistas

(Crédito: Julio Mattoso)

"Cavalgando trovões enfurecidos/ Doma o raio lutando com Plutão/ Nas estrelas-cometas de um sertão/ Que foi um palco de mouros enlouquecidos", diz a letra de “Nas Paredes da Pedra Encantada”, de Lula Côrtes e Zé Ramalho.

A psicodelia ressurge com força total. Fora do Brasil, através de Tame Impala, Ty Segall, Pond, Foxygen e, por aqui, muito bem representada por Boogarins, BIKE, Catavento, Supercordas, Bombay Groovy, Meneio, Astralplane, e vários outros. Por décadas, o movimento dos anos 60 permanece vivo entre os jovens que buscam liberdade de experimentação e expansão da consciência.

Um dos momentos mais emblemáticos da psicodelia no Brasil ficou conhecido como Udigrudi, quando Ave Sangria, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Lula Côrtes, Flaviola e Marconi Notaro mudaram os rumos da música brasileira. Surgida em Pernambuco em 1968, a manifestação contracultural bebeu de influências da beatlemania, do tropicalismo, da jovem guarda e do regionalismo. Somado à isso, havia um clima de desesperança no ar: ditadura militar e falta de perspectiva que só poderiam culminar na música psicodélica e experimental pós-woodstockiana.

Pra homenagear esse movimento, Leonardo Paladino, do selo Tramp, convidou artistas da nova cena psicodélica nacional pra regravarem músicas da época. “A ideia da coletânea Udigrudi surgiu em 2013, quando eu – um fã da música psicodélica e do movimento hippie – achei interessante a forma como alguns artistas estavam sendo homenageados em coletâneas colaborativas. Nos anos seguintes, ao perceber que o gênero estava ganhando cada vez mais espaço na mídia e nas playlists dos meus amigos, comentei com o André Prando, Jan Felipe e Erick Omena (Luneta Mágica) que tinha essa ideia de coletânea engavetada e que gostaria de colocá-la em prática em 2016, aí eles toparam e se comprometeram em participar com as primeiras versões”, conta o idealizador.

A BIKE, banda paulista que lançou o elogiado “1943” e chamou a atenção do produtor norte-americano Danger Mouse, participa com a regravação de "Não Existe Molhado Igual ao Pranto”, de Lula Côrtes. “Eu escutei muito o Paêbiru, é um disco que já faz parte do meu subconsciente, além disso tenho alguns vinis do Zé Ramalho e pelos menos uns 20 do Alceu Valença, incluindo os da fase psicodélica”, conta Julito Cavalcante, guitarrista e vocalista da BIKE, que prepara seu segundo álbum, “Em Busca da Viagem Eterna”, previsto pra novembro de 2016.

Quem acabou de lançar álbum e também participa da coletânea é a banda gaúcha Catavento, com “Palavras” do Flaviola e o Bando do Sol. O mais recente trabalho do grupo, intitulado “CHA”, resgata toda a psicodelia sessentista, misturada a uma atmosfera pop e barulhenta. Uma das faixas do disco, City’s Angels, ganhou videoclipe gravado nas ruínas de Caxias do Sul. Ao vivo, o CHA poderá ser experimentado no show de lançamento, dia 2 de setembro no Z Carniceria (São Paulo).

Representando a vertente instrumental ao lado dos Aeromoças e Tenistas Russas, Bombay Groovy também faz parte do projeto: “O Danniel Costa (falecido em maio de 2015), que foi baixista e um dos fundadores da Bombay, apresentou o Paêbiru ao restante de nós, tentou fazer a gente gostar também. Preferíamos Gentle Giant, mas com o tempo assimilamos melhor e nos aproximamos da psicodelia brasileira. O caráter cíclico e as linhas de baixo nos seduziram”, explica o sitarista Rod Bourganos.








































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