quarta-feira, 31 de agosto de 2016

eliminadorzinho - Nada mais restará | Transtorninho Records

Foto: Fernanda Mandetta

Existem dois tipos de compositores: aqueles que escreverem as letras para uma canção, e aqueles que escrevem poemas que acabam sendo canções. Nada mais restará poderia ser lançado como um livro de poemas. Este intenso foco nas letras faz sentido, neste caso especial, porque a ideia inicial não era gravar as musicas como uma banda completa.

O EP é uma história do que parece ser uma relação perdida e tentando navegar através do tenebroso, que vem de algo que termina muito cedo. As letras são dolorosamente honestas e o álbum parece conhecer todas as formas possíveis para se comunicar com o ouvinte. ‘’ todo mundo que esteve próximo de mim nesse último ano sabe que não foi um período fácil, em muitos sentidos. Cada um lida com esses momentos da maneira que julga mais apropriada, e pra mim essa foi sempre a música. Sem banda ativa, por volta do final de 2015 até abril de 2016 escrevi as músicas que compõem esse álbum, no meu quarto, tentando entender tudo que estava acontecendo. Inicialmente esse projeto não tinha nome, e era algo tão pessoal que não me sentia a vontade para gravar com uma banda, e sim só como algo solo. com o tempo, as músicas - e eu mesmo - foram evoluindo e tomando uma forma que necessitava ser dividida, compartilhada e recriada. Em maio de 2016 eu chamei meus amigos João Pedro e Tiago, e formamos a eliminadorzinho. O nome, apesar de parecer um tanto despretensioso demais, descreve muito do que eu senti nesse ano: uma profunda sensação de estar minúsculo em um mundo gigante e mutável demais, e a vontade de destruir tudo ao meu redor. E daí mesmo veio a necessidade de registrar e botar pra fora nossos sentimentos mais profundos, nossas confissões mais secretas’’.   - Gabriel Eliott Garcia

‘’Nada mais restará’’ é honesto, convincente e nostálgico, é moldado para ser um álbum que transforma suas canções em algo mais poderoso, há momentos de transcendência subliminar calmante no final de cada faixa, acentuado por uma linha errante de guitarra em loop no sentido inverso (um encontro casual entre Algernon CadwalladerPizza PanucciThe Get Up KidsAsh Briggs e January 2nd). Mais do que isso, é um contador de histórias incríveis, com contos de amor e perda, apenas esperando para ser compartilhado com o mundo.













A Nova Terra no EP de estreia do Mystic Rainbow Project

Foto: Ana Mendonça

Um anúncio dos bons ventos do futuro, Mystic Rainbow Project é uma proposta sonorizada para a Nova Terra. Filhos índigos da Era de Aquário, o duo Sat Kriya Kaur e Gibran Sirena busca na transcendência dos corpos e mentes as camadas de vibração e harmonia que são apresentadas no trabalho de estreia, o EP Letting Go.

Despertada pela cultura hindu védica, a primeira criação surgiu num ônibus lotado e foi induzida por uma kalimba (instrumento de origem angolana) adquirida por Sat numa viagem à Argentina. De volta ao Brasil, a ideia foi se materializando ao lado de Sirena, que, segundo Sat, traduz as ideias abstratas do MRP em existência musical.

A influência jamaicana e indiana, mais a espiritualidade dos instrumentos tribais, respondem como base principal para o triphop orgânico de Sat e Gibran. Entre programações eletrônicas, efeitos bem colocados e marcação pulsando sutil do baixo, a atmosfera viva do MRP se deve ao uso de flauta, ukulele, kalimba e de tigelas tibetanas (peças usadas na meditação no Oriente). Os vocais são limpos e delicados (algo que lembra as interpretações de Beth Gibbons) e versam mantras, desejos, união entre os seres. Uma viagem pelas Pleíades ou pelos cinturões de Orion, o trabalho é homogêneo, o clima é contínuo e vai ganhando força ao longo de seus 20 minutos.

Letting Go tem quatro faixas e poderia entrar em playlists de chillwave, eletrônico experimental, new age e trilhas de meditação. Após algumas ouvidas, você percebe que no fundo é música (inter)planetária alinhada com os novos estados de consciência e com a incessante busca pela luz. Bom para quem está procurando aquele algo a mais.

O EP é um lançamento independente, pode ser ouvido em todas as plataformas de streaming e baixado via Onerpm.


































A solidão intrínseca de Lvcasu e seu Capacho


























Tal como acontece com muitos álbuns experimentais, o gênero em que ele se encaixa é muito difícil de descrever. Às vezes, pode parecer orquestral, outras um único mod de ambientações, e às vezes pode parecer como uma matriz mista de uma abundância de sons e amostras. Esse é o caso aqui com o projeto de Lvcasu , Capacho. Lvcasu é capaz e talentoso o suficiente para captar o som de  vários gêneros e esquisitices e transformá-lo em algo que é refrescante e novo.  O disco transita pelo lo-fi, indie, e é emo em sua forma mais básica e pura.  Após a primeira audição das faixas instrumentais, o disco chama o ouvinte como algo exigente de atenção e apreço.

Capacho começa com um calmante, tipo de melodia sonhadora e transições para uma introdução sombria e lenta, notável pelos padrões básicos de gravação e facilidade geral das linhas solitárias de guitarra, que têm seus momentos abrasivos que não são inteiramente fora de lugar. A sonoridade lembra muito bandas como: SomeBodyParts, mrs. Hopewell e Agnostic.  Em torno de um minuto, os instrumentais têm a sua pequena passagem de breve agressividade, que se sente entre os intervalos mais suaves de transição.                                                      

Embora existam algumas faixas que não me impressionam tanto quanto eu esperava, o álbum como um todo é bem interessante para aqueles que apreciam anormalidade. A instrumentação e qualidade de gravação é divertida e honesta. É claro que há cargas de esforço sendo bombeada para a produção deste álbum, e posso garantir que nenhum de seu tempo foi desperdiçado. Cada um e cada música oferece uma experiência de audição de valor, cheio até a borda com composição perfeita e atenção aos detalhes.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Hateyourmusic lança novo disco, "Chá de morango e melão", pelo selo Fiasco Records


Hateyourmusic é um projeto de música experimental lo-fi de João Gabriel Silva, de São José do Rio Preto (SP). Gravando todos os instrumentos sozinhos em casa, João é um artista ativo que não se limita a apenas um trabalho, lançando vários outros projetos que vão da música 8-bits ao Black Metal. 

‘’Chá de morango e melão’’, é definitivamente uma declaração autoral de amor e redenção, com uma combinação de alguns espasmos lo-fi, lirismo muito forte e analógico, super divertido (ainda um pouco sobrecarregado). O disco apresenta momentos de delicadeza com toques de pura nostalgia e as influências folclóricas parecem evoluir para algo mais  Shakey Graves com The Afterglows ou  Naomi Pop com Ttng.

Em todas as 12 faixas os vocais fluem  com tranquilidade e se encaixam muito bem e não parecem inteiramente forçados para a quantidade de emoção que eles estão tentando retratar. O tom é consistente e bem conservado, mantendo a atenção do ouvinte com melodias que recebem apenas uma pequena camada sentimental, mais abstrato do que o esperado com versos como: ‘’essa vontade de ser eu e você / eu percorria as maiores distancias do mundo pra te achar / Talvez eu mande essa carta dizendo que eu quero ficar.’’

"Chá de morango e melão", álbum lançado pelo selo Fiasco Records, foi feito pelo João como presente para sua namorada Aline (retratada na capa do álbum e colaboradora na faixa "vigésima potência"), passa pelo Dream Pop e pelo Indie Folk, com traços de Math Rock. 

Travelling Wave - Simoom / EP | O disco mostra a banda refletindo para dentro e não para fora. É muito mais polido e envolvente do que suas versões anteriores






































Travelling Wave foi rasgando buracos no cenário musical recente. Embora breve, a sua presença tem resultado em um punhado de shows de qualidade, incluindo uma tour por Argentina e Chile e canções que reverberam muito a qualidade da banda. Este ano, eles lançaram um EP de quatro músicas, Simoom construiu uma casa , e cada música possui o seu próprio cômodo com cargas maciças de 5 minutos. Além destas quatro canções, também é importante observar a experiência bombástica que é o Travelling Wave ao vivo.

Grandes coisas se movem lentamente, e que a lógica aplica-se a tudo isso. Cada membro da banda detém o seu próprio ritmo intenso na criação de uma montanha de som através de linhas que rasgam o shoegaze por dentro do noise em um clima gótico. A entrega vocal e as palavras fluem suavemente sobre o ruído, mas também é deliberada na colocação de cada sílaba. Especialmente no momento decisivo de cada canção, quando a emoção se torna avassaladora que se reflete na expressão instrumental.

Esse é um trabalho de estilo ousado que requer escutas repetidas e uma mente aberta. A atmosfera que ressoa a partir de ambas as faixas é algo escuro e convidativo, algo muito admirável para a estrutura simplificada que mantém tudo isso junto. Com estes dois elementos que trabalham juntos, Simoom é um EP que representa, na minha opinião, onde a banda deve olhar para o futuro. Leva influências de um monte de coisas diferentes ao mesmo tempo, souberam  combiná-las em um produto final que soe familiar o suficiente para não se perder , mas na enxurrada de referencias é  fresco o suficiente para manter sua atenção. E, mais importante, ele vai deixar você querendo mais depois que acabou.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, Ao Vivo (2016)

Foto: José de Holanda

Algumas coisas são intemporais. Não importa como o passar dos anos e as mudanças do mundo em torno delas vão reafirma sua vitalidade original, afetado pela erosão do tempo. Coisas como o impedimento da Dilma, ou, neste caso específico, o som clássico do punk rock de meados de 90. Com isso é fácil, a orelha captura melodias, cobrando duros ritmos e determinação para usar esse mesmo riff de base de ‘’Wild Thing’’  em cada música, e atingido uma espécie de imortalidade musical e é esse tipo de questionamento que leva a mais um disco dos cearenses Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, Ao Vivo.

A primeira vez que me deparei com Jonnata Doll & Os Garotos Solventes, eu tinha 26 anos. Naquela época, a música do grupo, predominantemente de seu autointitulado (incrível), estava explodindo com o tipo de energia que vem com a confusão jovem e necessidade de liberação / libertação. Era um som cativante, uma mistura de punk rock, new wave e subversivo, que teve na minha imaginação Sex Pistols bebendo cerveja com New York Dolls ou MC5 discutindo ideias niilistas com Stooges.

O cartão de visita da banda sempre foi uma mistura de tecnicidade prodigiosa e melodias bem cruas. Embora este registro ainda tenha generosas porções de ambos, como um todo, inclina-se muito mais para o punk de raiz, em relação a versões anteriores do grupo. Dito isto, Faixas inéditas como“Cheira Cola”  e Crocodilo” apresentam o mesmo vigor e uma multiplicidade de influencias e estilos. Embora a única novidade seja um ‘’ao vivo’’, o álbum cria alguns momentos memoráveis. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Cosmonauta Fantasma - Ansiedade​/​Tragédia Em 1ª Pessoa EP






































Há essa coisa sobre o que agora rotular como o rock de garagem que acaba por ser mais social do que qualquer outra coisa. Ao contrário do noise ou shoegaze, onde a ligação gira em torno da esperança de fazer conexões humanas-alimentadas emocionalmente através do som de alguém sussurrando (talvez ou não).

Cosmonauta Fantasma é o codinome de Murillo Marques, uma espécie de one man band com sonoridade beirando o garage punk, noise, lofi e o surf rock. O projeto já tem um EP de duas faixas gravado de forma DIY entre 2013 a 2014 e remete fortemente a nomes como Warm Thoughts, Museum Mouth, Speedy Ortiz, Radradriot, Dirt Nap....

Para um debut de duas faixas, Ansiedade​/​Tragédia Em 1ª Pessoa é desafiador, é sujo, e é declarativo. Há conteúdo lírico potencialmente preciso em sua descrição de sentimentos e imagens, e realmente criativo para mostra-lo ao longo de todas as faixas. 

Em conclusão, o EP é bem produzido (na medida do possível), bem criativo, e bem executado. No entanto, como qualquer banda que depende fortemente de efeitos lofi para desenvolver seu som, as partes mais importantes de composição permanecem o que sempre foram: melodia, harmonia e ressonância emocional.

É lançada a segunda mixtape da Lixo Records - Ouça Coleta Seletiva



































Já  está ao ar Coleta Seletiva, segunda mixtape da LixoRecords, selo independente do Rio de Janeiro formado em 2015, em conjunto por Paulo Merlin e Delitinho Bonnie, que além ser um dos representantes mais jovens na música independente, é também um dos selos mais ativos no país, que só entre singles e discos, nos últimos 8 meses do ano, contabilizam 21 lançamentos e vão crescendo.

Uma das causas é a pluralidade estética que inclusive própria mixtape demonstra. São percorridos gêneros que vão desde a música experimental e eletrônica do Botas Batidas e do Pancho, a psicodelia do Pratagy e do Semente de Maçã, o folk do Theuzitz, o slowcore da Soos Tenido e do Santos, e também o rock alternativo do Felipe Neiva e do João Feijão. A importância maior é a força das produções e a possibilidade dar vazão as mesmas, independente das condições de produção.

Atualmente com o número grande de lançamentos e integrantes do selo, a Lixo Records passou a atuar de forma mais anárquica tanto sonicamente quanto em termos de produção geral, onde passa a atuar de forma independente, variando entre os estados de cada um dos artistas, e também transitando entre outras linguagens artísticas, como a da literatura e artes visuais. O exemplo notório a respeito disso, é a capa da Coleta Seletiva, concebida por Izabella Figueiredo, escritora que também lançou seu primeiro livro, Matadouro, pelo selo, e também prepara seu primeiro disco solo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Coletânea Udigrudi revisita psicodelia pernambucana dos anos 60 com novos artistas

(Crédito: Julio Mattoso)

"Cavalgando trovões enfurecidos/ Doma o raio lutando com Plutão/ Nas estrelas-cometas de um sertão/ Que foi um palco de mouros enlouquecidos", diz a letra de “Nas Paredes da Pedra Encantada”, de Lula Côrtes e Zé Ramalho.

A psicodelia ressurge com força total. Fora do Brasil, através de Tame Impala, Ty Segall, Pond, Foxygen e, por aqui, muito bem representada por Boogarins, BIKE, Catavento, Supercordas, Bombay Groovy, Meneio, Astralplane, e vários outros. Por décadas, o movimento dos anos 60 permanece vivo entre os jovens que buscam liberdade de experimentação e expansão da consciência.

Um dos momentos mais emblemáticos da psicodelia no Brasil ficou conhecido como Udigrudi, quando Ave Sangria, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Lula Côrtes, Flaviola e Marconi Notaro mudaram os rumos da música brasileira. Surgida em Pernambuco em 1968, a manifestação contracultural bebeu de influências da beatlemania, do tropicalismo, da jovem guarda e do regionalismo. Somado à isso, havia um clima de desesperança no ar: ditadura militar e falta de perspectiva que só poderiam culminar na música psicodélica e experimental pós-woodstockiana.

Pra homenagear esse movimento, Leonardo Paladino, do selo Tramp, convidou artistas da nova cena psicodélica nacional pra regravarem músicas da época. “A ideia da coletânea Udigrudi surgiu em 2013, quando eu – um fã da música psicodélica e do movimento hippie – achei interessante a forma como alguns artistas estavam sendo homenageados em coletâneas colaborativas. Nos anos seguintes, ao perceber que o gênero estava ganhando cada vez mais espaço na mídia e nas playlists dos meus amigos, comentei com o André Prando, Jan Felipe e Erick Omena (Luneta Mágica) que tinha essa ideia de coletânea engavetada e que gostaria de colocá-la em prática em 2016, aí eles toparam e se comprometeram em participar com as primeiras versões”, conta o idealizador.

A BIKE, banda paulista que lançou o elogiado “1943” e chamou a atenção do produtor norte-americano Danger Mouse, participa com a regravação de "Não Existe Molhado Igual ao Pranto”, de Lula Côrtes. “Eu escutei muito o Paêbiru, é um disco que já faz parte do meu subconsciente, além disso tenho alguns vinis do Zé Ramalho e pelos menos uns 20 do Alceu Valença, incluindo os da fase psicodélica”, conta Julito Cavalcante, guitarrista e vocalista da BIKE, que prepara seu segundo álbum, “Em Busca da Viagem Eterna”, previsto pra novembro de 2016.

Quem acabou de lançar álbum e também participa da coletânea é a banda gaúcha Catavento, com “Palavras” do Flaviola e o Bando do Sol. O mais recente trabalho do grupo, intitulado “CHA”, resgata toda a psicodelia sessentista, misturada a uma atmosfera pop e barulhenta. Uma das faixas do disco, City’s Angels, ganhou videoclipe gravado nas ruínas de Caxias do Sul. Ao vivo, o CHA poderá ser experimentado no show de lançamento, dia 2 de setembro no Z Carniceria (São Paulo).

Representando a vertente instrumental ao lado dos Aeromoças e Tenistas Russas, Bombay Groovy também faz parte do projeto: “O Danniel Costa (falecido em maio de 2015), que foi baixista e um dos fundadores da Bombay, apresentou o Paêbiru ao restante de nós, tentou fazer a gente gostar também. Preferíamos Gentle Giant, mas com o tempo assimilamos melhor e nos aproximamos da psicodelia brasileira. O caráter cíclico e as linhas de baixo nos seduziram”, explica o sitarista Rod Bourganos.








































quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Eu, Você e a Manga - [Full Length ] Um disco que desperta os sentimentos mais estranhos dentro de um mesmo sentimento



























Depois de sinalizar algo bastante positivo com o single ‘’Marinheiro’’ a banda Eu, Você e a Manga solta no mundo seu primeiro álbum autointitulado com 12 faixas.  O disco é uma mistura impressionante e perfeita de power pop, indie,  shoegaze, que é o tipo de banda que iria satisfazer a todos em um bar na noite de sábado. 

A sonoridade é curiosamente quente e mansa, apesar da distorção. Parece que a banda amadureceu muito para lançar um primeiro álbum tão intenso, forte, mais suave, mais limpo que traz tudo para baixo com delicadeza incomum. As letras são adoráveis e cativantes que enche o ar com um curto e doce soneto remetendo às memórias de infância.

Este álbum é muito simples para ser inovador, mas de maneira muito honesta para ser nada mais do que agradável e emocionalmente emocionante, e não parece que a banda estava tentando ser nada mais do que isso. Eu, Você e a Manga não soa como o tipo de banda que quer quebrar as barreiras, parece uma banda que só quer fazer a sua própria coisa e tudo o que acontece, acontece.

Trio Paulista MudHill lança Lyric Vídeo do novo Álbum "Expectations"


























Por: Jair Naves

"EXPECTATIONS", o nome do LP de estreia do trio paulista Mudhill reflete bem o longo processo de realização desse trabalho, o primeiro álbum da banda, chega a público depois de um período de gestação de aproximadamente dois anos. E, após tanto tempo de preparação, as expectativas em torno desse registro não poderiam ser mais altas.

Dito isso, a vitalidade e a urgência das canções nos faz esquecer que se trata de um trabalho de quase veteranos. Podemos encarar esse novo trabalho como o auge criativo e musical dos artistas aqui envolvidos. Ainda que possa ter apelo maior junto aos interessados no que se convencionou chamar de "indie rock""post hardcore" ou coisa que o valha, seria um erro reduzir o potencial de "Expectations" a um nicho específico de ouvintes. As doze faixas impressionam pela maturidade dos arranjos, pelo esmero na parte técnica, pelas boas letras em inglês e, especialmente, pelas inacreditáveis performances vocais dos cantores. São raras as bandas de rock brasileiras que tem em seu vocalista seu ponto forte em termos musicais; o fato do Mudhill poder contar com duas vozes tão boas em sua formação é quase um pequeno milagre, algo a ser verdadeiramente celebrado. 

No momento em que acontece um certo revival da cena noventista brasileira, com o retorno ao palco de nomes como Pin Ups e Second Come, o timing para o lançamento de "Expectations" não poderia ser melhor. Trata-se de um álbum que recupera a herança desses pilares do cenário independente, mas que não se resume ao saudosismo e aponta para novas possibilidades sonoras, musicais e líricas. 

Temos aqui um dos discos de rock mais empolgantes dos últimos anos feitos no país. Agora é torcer para que tenhamos logo a chance de ouvir essas músicas ao vivo. Que seja logo. 

Sobre a banda: 

Nascida na capital paulista no início de 2013 em SP, a Mudhill é Zeek Underwood (guitarras e voz), Ali Zaher (baixo e voz) e Rodrigo Montorso (bateria) são músicos já conhecidos no circuito independente de São Paulo: Zeek fundou e liderou o Shed, fez parte da formação clássica do Ludovic e contribuiu com diversos outros nomes marcantes do underground brasileiro, como Single Parents e Fire Driven. Ali tocou em diversas bandas no interior paulista, excursionou pela Europa com o Eletrofan e fez parte da formação de reunião do Reffer, patrimônio do hardcore nacional da última década. Montorso também deixou sua marca pelos palcos subterrâneos da capital paulista com o Smalls. Ou seja, embora tenhamos aqui uma banda nova, seus integrantes estão longe de serem iniciantes.

Emerald Hill (PB), banda de Shoegaze, lança single novo pela Fiasco Records





























Emerald Hill é uma banda da cidade de João Pessoa, composta por Vítor Figueiredo (vocais, guitarra), Luiz Lopes (bateria) e Gabriel Novais (baixo). O som da banda é baseado em bandas do underground dos anos 90 até hoje, como My Bloody Valentine, Brand New e Beach Fossils

'Presciência', o single lançado em agosto de 2016 pelo selo Fiasco Records, aponta para um amadurecimento na banda, aderindo a letras em português e mudando sem perder o melhor da sonoridade estabelecida.

Seu primeiro EP, 'Dreams to Come', lançado em agosto de 2015, é um disco que mistura gêneros, climas e temáticas; da agressividade do Post-Punk às texturas sonoras que remetam ao Shoegaze. Desde então, vêm fazendo shows pelo Nordeste e escrevendo novas músicas para um álbum de lançamento esperado para o final do ano.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Astralplane - Pales Tantral (2016)


























Composta por Lucas Pereira no vocal, teclados, guitarra e violão, Savio Magalhães na guitarra solo, Rodrigo Amorim no baixo e Gabriel Sanches na bateria, a banda Astralplane foi gerada em Salvador, Bahia. O grupo é fortemente influenciado por bandas de rock psicodélico e progressivo dos anos 70, tais como Pink Floyd, Beatles, The Doors assim como também, bandas mais modernas como o Tame Impala e Temples.

A Astralplane visa em suas canções uma experimentação dos mais variados gêneros do rock com um toque de nostalgia e psicodelia. A banda lançou recentemente seu primeiro álbum constando 7 musicas com um trabalho completamente autoral chamado de Pales Tantral.

O resultado foi um registro bem polido que empurra ouvintes de cabeça em uma viagem emocional através de melodias satisfatoriamente urgentes e frescas para criar uma experiência de audição intensa e surpreendente.

Há um senso de urgência presente nas canções que os diferencia de seus homólogos do rock progressivo/psicodelico de décadas passadas. O fascínio reside na complexidade de sons e influências sobre o álbum. Pales Tantral  soa como pedaços de 100 bandas fundidas em conjunto para criar algo novo, que reverbera vagamente familiar, mas diferente de qualquer outra coisa. É difícil definir como a banda soa. O que quer que suas influências sejam soa bem.

Tertúlia na Lua - O Eu Além de Mim (Martelo Discos/BR)


Tertúlia na Lua é um Power trio de rock psicodélico experimental, Formada No Gama DF, cidade satélite de Brasília no ano de 2014. 

Músicas com variações rítmicas, letras em português, a banda Tem como característica um som cremoso e transcendental, com influências que vão do tropicalismo ao mangue beat, da música brega ao stoner rock. Instrumentais regados a muita fritação, e camadas sonoras que podem te levar a lugares jamais imaginados.

O trio que é formado por, Christian Caffi - Guitarra e Voz, e os irmãos Thierry Sacramento – Baixo e Jones Sacramento – Bateria.  A banda vem realizando apresentações em várias cidades, Tocando musicas novas e as que estão no EP o Eu Alem de mim lançado pelo selo Martelo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Fábio Allex - De volta ao Passado que Nunca Vivi (2016)






































De  Volta ao Passado que Nunca Vivi. Essa é a designação escolhida para contemporizar o segundo álbum do cantor e compositor Fábio Allex. Assim como o primeiro, Porta-Novas, lançado apenas na internet, em 2013, o atual registro, igualmente, traz 11 canções autorais. Porém uma inquietude pode surgir logo após o nome ser proferido (ou lido): por quê o epíteto?

A frase-título foi retirada do início da última faixa do disco anterior, ou seja, da canção Porta-Novas, do álbum homônimo. A ideia, primeiramente, é estabelecer um diálogo com as duas obras, a fim de assumir que se trata de uma continuidade, em razão da linguagem pop adotada, intrinsecamente fincada na música poética do artista.

Isso não quer dizer que se trata de um mais do mesmo. Inclusive, a produção musical (diferentemente da de estreia, que é realizada pelos competentes Marcus Lussaray, Renato Serra e Jr. Muniz) é assinada, dessa vez, pelo talentoso Memel Nogueira, hoje um dos profissionais mais respeitados e requisitados da nova cena de músicos maranhenses, além da coprodução de Sandoval Filho. Memel, exímio guitarrista, que também é compositor e tem carreira solo, dar à obra mais solidez aos arranjos e fomenta timbres mais coesos, além de explorar múltiplos elementos da música alternativa contemporânea.

De qualquer forma, é certo que não há ruptura. A pluralidade permanece, como canções, essencialmente assonantes e minimalistas, arraigadas de lirismo e abordagens existenciais nascedouras de influências da nova MPB, além da música universal, como folk, reggae, blues, contudo, obviamente, sem pretensões de soar roots, uma vez que os elementos da música pop são a tônica e o alicerce do trabalho.

Há também espaço para o regionalismo. Com participação de Marcos Lamy, Depois do Sol Será Outra Estrela perpassa pelo tambor de mina e bumba-boi, ritmos enraizados e perpetuados na cultura do Maranhão. Outras (belíssimas) participações enriquecem ainda mais o álbum, como a da paulista Mary Luz, em Música & Poesia; além de Kadu Ribeiro, em Há Tantas Moscas; Camila Boueri, em Vestido Cetim; e de Mario Fernando, em Sem-Dita.        

De Volta ao Passado que Nunca Vivi, além de transitar por temas como despedidas, partidas, fugas, sempre com uma perspectiva de autoencontro, de superação, caracteriza ainda uma revisitação do autor à sua memória afetiva, às suas origens.


Filho de maranhenses e radicado no Maranhão desde 1985, Allex nasceu no estado do Rio de Janeiro e morou, desde então, até os 7 anos de idade, no município de Niterói (a cerca de 15 km da capital). E de lá, embora mais distantes, vêm as mais ternas lembranças da infância e, de imaginações constantes e densas – de como seria se continuasse naquela cidade –, quase reais de tão exercitadas ao longo dos anos, tanto que às vezes se confundem com as vivências, de fato. Uma verdadeira volta ao passado, seja vivida, seja idealizada. Uma obra para externar a saudade. 

Faça download do disco AQUI

(Lançamento) "Multiversos ou Disco de Artista ou Música de Poeta" (2016) TucA






































"Multiversos ou Disco de Artista ou Música de Poeta" é o quarto álbum solo do artista multimídia Dellani Lima (TucA). É um projeto ainda mais eletrônico, minimalista, íntimo, praticamente solitário. Como a narrativa que permeia as poesias é intimista, dessa vez não há participações especiais nos vocais. Em algumas faixas, Alex Pix (baixo) e Lacerda, Jr (guitarra) complementam as texturas oníricas das canções.

As letras são críticas ao mundo contemporâneo. Pequenas crônicas, prosas e poemas compõem o álbum, transitando entre o naturalismo do cotidiano e o absurdo poético da ficção científica. Um faroeste urbano cyberpunk.

Um álbum de tropycalwave cheio de influências musicais, desde as antigas referências do synthpop, da ambient music, do trip hop, do spoken word, da poesia marginal brasileira, do tropicalismo e da vanguarda paulistana, às contemporâneas do cloud rap, do glo-fi e do vaporwave.

Download do disco AQUI 

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Nasceu TEMPERAR, o primeiro EP da Dom Pescoço via Bigorna Discos

Foto: Jaíne Lima
A banda Dom Pescoço é de São José dos Campos, interior de SP, nasceu em 2014 e em 2015 lançou diversos trabalhos na internet, sendo o mais importante o seu primeiro single e videoclipe 'Cuba Corazón'. Este foi um marco na carreira do grupo, oferecendo uma ótima visibilidade em sua estreia, como: tocar no programa Metrópolis da TV Cultura; na concorrida Semana Internacional de Música de SP; em diversas unidades do Sesc e Sesi SP; Virada Cultural; festivais vários; no Memorial da América Latina, entre outros.

No ultimo dia 08 de agosto, a banda lançou publicamente em suas redes sociais e canais de streaming o primeiro disco de estúdio, Temperar, título da segunda música do EP, num total de 05 faixas. Este nome tem como princípio traduzir e valorizar a pluralidade do som feito em toda trajetória da Dom Pescoço. Mistura tropical com psicodelia, pós-tropicália. Tropsicodelia

O lançamento tem a parceria com o selo BIGORNA DISCOS, referência no vale do Paraíba em descobrir e valorizar talentos artísticos.

Neste trabalho eles "temperam" melodia e letra em arranjos carregados de experimentações e junções rítmicas vindas de todo o canto. Novas visões de mundo. Tudo no intento de dar mais cor, mais vida, mais luz a um caminho já tão marcado como é o musical.

Na primeira faixa "Não Vou Mais", por exemplo, encontramos numa letra quase mântrica de um rapaz solitário um reggae raiz, envolto em variantes ora dubwise, ora dubstet até desaguar no clássico rockers

Na segunda "Temperar" um funk no estilo James Brown - do sertão - onde falam da Bahia, da importância de viajar o mundo e a si mesmos para que flores nasçam na caminhada da vida.

A terceira "Não Quem" trás num samba hardcore uma espécie de poesia "quase" concreta, onde brincam com a sonoridade dos fonemas passando uma mensagem de amor ou de sua entrega: a quem o protagonista conseguirá entregar seu amor? Toma uma flor, toma meu amor. Quem quer?

Na quarta canção "Tupinambáfrica" - quase um manguebeat - falam da população nativa brasileira, a indígena. Sabemos que é das populações mais marginalizadas pelo sistema elitista em vigor. Índios lutando desde sempre por seu direito à terra e à vida. Nada mais justo que fazer o indígena como protagonista de uma canção. Nesta ele junta-se à população negra tradicional fazendo festa. Que a vida seja uma, com justiça e pé em seus territórios livres da mão oligárquica elitista. 

Na quinta e última canção do EP trazem "Manhã", numa letra falando sobre o dia, o olhar, o sol, e dentro do arranjo mais trabalhado do álbum uma profunda reflexão subliminar: "somos, de alguma maneira, a forma como o Universo possibilitou ter consciência própria de si". Vivamos!

Faça download do EP AQUI

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Death to the Diaz EP - DIAZ via Crooked Tree Records (AL)


Por: Mário Alencar

Eis aqui, o nosso próprio John Frusciante! Sim, pra você aí que prefere o guitarrista mais bipolar dos anos 90 do que a banda que ele se dedicava, está aqui uma boa pedida pro teu fim de semana vindo de Taubaté/SP.

Diaz é aquele cara inquieto com mil ideias que tu não consegue lentamente acompanhá-las (haha) e hoje, é o seu 15º lançamento em 7 anos na estrada – desde 2009, com a falecida banda de rock alternativo Sin Ayuda, era o fundador da galera, também com uma tal de Mestre Xamãe o net label Polidoro, onde lançou os artistas: Senomar, Sick, Piêit, Mario The Alencar, Sketchquiet… 

Death To The Diaz é o último trampo do projeto, mas relaxe! Ele não pretende parar por aqui, às vezes, precisamos sacrificar uma alma velha para que outra com boas energias possua-nos – bem, vocês entenderam.

O disco são rascunhos gravados entre 2010 e 2016, que estavam trancafiados nas coisas misteriosas/secretas do místico (hehe). Nesse registro, parece que Diaz quer nos dá uma trip inebriante para o interior de alguma cidade que você imaginar, e essas devem ser as principais influências ao ouvi-lo: Sonic Youth, Ty Segall, Syd Barrett, T. Rex…

A capinha ilustrada foi feita pelo designer gráfico, Mário Alencar. A produção é do próprio Diaz, ele quem marretou tudo.

Vinícius vai continuar com tudo a sua carreira de músico, só que por outros horizontes (piegas, mas fechou o texto hehe).

Twinpine(s) lança videoclipe da inédita "Holiday Out"

Foto: Caio Augusto

A banda de rock alternativo Twinpines divulgou o videoclipe da inédita "Holiday Out". Escrito, dirigido e fotografado por Alexandre Vianna, o videoclipe é estrelado pela modelo Ali Santos e conta com uma locução do apresentador e radialista Fabio Massari.  

“O Twinpine(s) está completando quase 13 anos e nesse longo período nunca tivemos um videoclipe, então queríamos estrear com um grande feito. O Ale Vianna, que é um grande amigo da banda, se ofereceu pra fazer. Não foi surpresa um resultado tão grandioso por se tratar de um cara cujo trabalho conhecemos e admiramos. Sabíamos que seria algo lindo, mas claro que ao ver uma música nossa se transformar em um visual tão maravilhoso nos surpreende e nos deixa orgulhosos. É uma nova fase da banda e coroá-la com a estreia de um videoclipe tão bem produzido, com acabamento de cinema, é algo novo e motivador pra gente”, conta o baterista Magoo Felix.

"Holiday Out" é o primeiro registro da banda, com a atual formação composta por três guitarras, bateria e voz. O próximo álbum da banda será lançado em 2017 pela Hearts Bleed Blue (HBB). 

Confira o videoclipe de "Holiday Out"

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Após pausa, Zebra Zebra volta com videoclipe de "Regra, Sermão e Temaki"


Depois de um longo período sofrendo com a troca de integrantes, o Zebra Zebra avisa que “está novamente na briga” e pretende retomar as atividades com shows frequentes e novos lançamentos. “É isso que gostamos de fazer. Apesar de nunca termos anunciado uma pausa podemos dizer que estamos de volta. Com mais vontade, mais maturidade e muito material para mostrar”, conta o vocalista Kennedy Lui.

A banda divulgou o videoclipe da inédita “Regra, Sermão e Temaki”, até então, a música mais pesada da carreira do Zebra Zebra, gravada no estúdio Costella por Chuck Hipolitho e lançada pela Hearts Bleed Blue (HBB). “Nela tocamos em algumas feridas da sociedade moderna como dívidas com crédito rotativo (cartão de crédito), preconceito, homofobia, crescimento da intolerância, consumo de drogas. O grande questionamento é: nosso modo de vida é eficiente?”, conta Kennedy.

Com roteiro e direção do próprio vocalista e fotografia de Mauricio Franco, o videoclipe foi gravado em um ferro velho desativado no Dique Sambaiatuba, uma das maiores favelas de São Vicente/SP. Kennedy acredita que este seja um dos melhores vídeos feito pela banda “Nossos videoclipes são nossos xodós. A locação, a escolha estética pelo PB e todo clima conseguido entrou em sintonia muito afinada com a música”

O Zebra Zebra iniciou, na última semana, a pré-produção de um novo álbum previsto para 2017 com a nova formação composta por Kennedy Lui (Voz/Guitarra), Eric Santos (Guitarra), Alexandre Delgado (Baixo) e Lucas Real (Bateria).

Assista “Regra, Sermão e Temaki”

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O CHA ESTÁ PRONTO: NOVO ÁLBUM DO CATAVENTO É UM GOLE DE LIBERDADE

Foto: Tuany Areze 

As dores e as delícias de entrar no mundo adulto são questões recorrentes. É possível amadurecer sem abandonar os sonhos de infância? Pensando nisso, a banda gaúcha Catavento (Honey Bomb Records) lança seu novo álbum como um grito de liberdade contra a monotonia, a caretice e a rotina características da contemporaneidade. “As composições vão contra algumas coisas que nos ensinam desde que a gente nasce e entra na escola, que a nossa alegria tem horário e você tem que guardar sua felicidade pra momentos específicos’’, conta Leo Rech, guitarrista e vocalista da banda.

Diferente do primeiro disco (LYATR, 2014), CHA tem composições de quatro integrantes da banda. “Esses sons foram nascendo quase que juntos com os sons do nosso primeiro álbum, alguns até antes. Durante o processo de divulgação e tour do ‘Lost Youth’ a gente foi desenvolvendo eles, de uma forma bem natural, até chegar o momento em que de fato paramos pra focar neles, mesmo que aos poucos. Foi como se a gente gravasse as baterias no verão, o baixo no outono, as guitarras no inverno, as teclas na primavera e as vozes no verão de novo... E nisso, rolaram os dois anos do processo todo de fazer o CHA ferver”, relembra Eduardo Panozzo, baixista, guitarrista e vocalista do grupo.

CHA vem pra consolidar a banda entre as novas apostas da música psicodélica nacional, ao lado de nomes como BIKE e Boogarins. Exemplo disso é a faixa The Sky, que surgiu durante uma sessão de lisergia em Porto Alegre. “A letra e as harmonias situam o ouvinte dentro de diversos fluxos que o caos e a cidade conseguem fazer com o ser humano. A ideia era que lembrasse "Ué", do Som Imaginário, mas o resultado foi além dos anos 70 e o espírito de inconsciente coletivo”, conta Johnny Boaventura, vocalista e tecladista.

Outra canção do disco, "City's Angels", já ganhou videoclipe e é um convite a sobrevoar as ruínas de Caxias do Sul, cidade natal da banda. O cenário escolhido pra gravação foi o antigo Moinho Boca da Serra em Vila Seca, patrimônio histórico que sofreu um incêndio em 2014. “Plantinha” é mais uma das faixas que já havia dado um gostinho do que viria agora.

De acordo com a própria banda, o disco tem um quê de pop. Os ares sujos, no entanto, estão todos ali: nas sobreposições de vozes, misturas instrumentais, na “pauleira”. Ainda assim, é um álbum pra se apreciar com calma, como quem degusta um bom chá. Ao vivo, o CHA poderá ser provado no show oficial de lançamento, dia 2 de setembro no Z Carniceria (São Paulo). “Fique tranquilo se você não entender alguma coisa, estamos tão perdidos quanto você”, simplifica o também vocalista, guitarrista e baixista Leo Lucena. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Eu, Você e a Manga lança single ''Marinheiro''


Com quatro anos de formação a banda Eu, Você e a Manga lança, na segunda semana de agosto, o seu álbum de estreia. O disco conta com influencias shoegaze/alternativo e é resultado de um trabalho produzido durante o afastamento da banda dos palcos, no ano de 2015. No último dia 24/07 (domingo), o single "Marinheiro"  foi lançado, mostrando um pouco do que está por vir nessa nova fase da banda.



Experimentar nunca foi problema, o grupo, que marcou sua estreia em 2012, com o EP Música Desenhada, anunciava um formato completamente diferente do atual. Em 2013, foi tudo novo de novo, com o EP Equinócio. De lá pra cá muito aconteceu, um single em homenagem ao grupo mineiro Clube da Esquina foi lançado, "Futuro" e já mostrava um pouco do que a banda estava jogando por aí. O álbum de estreia trás marcas de um percurso intenso onde tudo que cruzou o caminho da banda foi experienciado ao máximo.

Single Marinheiro: