quarta-feira, 13 de julho de 2016

[LANÇAMENTO] Concreto Morto - "Medo da Astrologia"


“Repetição”. Ritmo. Repetição. Passos maquínicos. Repetição insignificante. O som para. As engrenagens quebraram, ou só desencaixaram? De qualquer forma, o trabalhador surta, soca a máquina, se desespera e se dá conta de que precisa esperar a análise do especialista. Só lhe restam duas alternativas até o fim do expediente:

1) fazer o trabalho manualmente;  

2) aguardar entediado até que o especialista solucione o problema da máquina.

As situações são igualmente cansativas. O horóscopo dizia algo sobre ter um dia ruim mesmo. O fim do expediente chega, e, junto a ele, o tédio. O céu de Curitiba é como uma passagem de Neuromancer. é cinza, como a cor de uma TV fora de sintonia. A cor do tédio faz com que o trabalhador busque alternativas; vive coisas proibidas pela lei, grita, bebe, vive algo proibido pela moral, se espanca, sente culpa por ser de um signo que ninguém quer ser.

Os velhos, que já atingiram os 25 anos, não produzem mais nada além de festas que incitam passos parecidos com os da máquina que quebrara em algum momento entre as 13:45 e as 18:00, pois também estão quebrados. Com as mãos sujas de fuligem, graxa ou algo do gênero, percebem que as mudanças jamais aconteceriam graças a pessoas que possuem as mãos limpas, mas ainda assim, nada podem fazer, pois tudo é sobre o cansaço, o esgotamento, a inanição. A frustração por não poder fazer algo é maior em um mundo que nos diz que podemos tudo.

O trabalhador grita, o narrador ouve, mas não sente, a mensagem é vazia, repetida, esquecida, ignorada, a mensagem contém códigos, mas tanto faz, ninguém ouve além do narrador. O trabalhador não ouve o narrador, mas o sente o tempo todo. O texto acaba nada mudou. Repetição insignificante. “O narrador e o trabalhador desaparecem.”

A Concreto Morto foi formado em Curitiba por Yuri, Vinicius, Daniel e Felipe. Mais tarde, Michael passou a fazer parte do grupo. As referências são bandas do fim dos anos 90 e início dos anos 2000, como Orchid, Converge. “Medo da Astrologia”, o segundo álbum da banda, é como um mau presságio previsto pela astrologia, e o medo dele realizar-se.

Nenhum comentário:

Postar um comentário