quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Assista a rápida passagem do Merda pelo HBB Live Sessions‏






















Desde que a Hearts Bleed Blue (HBB) e Lajä Records uniram as forças, as gravadoras independentes não param de assinar projetos juntas. Discos, palestras, DVDs, e intercâmbios entre as bandas de lá e as bandas de cá. Com essa mistura toda, o selo paulista não poderia deixar de fora do HBB Live Sessions a banda capixaba Merda, do fundador da Lajä, Fábio Mozine, também integrante do Mukeka Di Rato e Os Pedrero

Tem um pouco mais de um minuto cada uma das três músicas escolhidas pelo Merda para a gravação que acontece no escritório da HBB. "A fonte da Coca-Cola", "Eu vou cagar em cima de você" e "Excursion para Punta del Este", são as faixas aceleradas que ganharam uma versão ao vivo no HBB Live Sessions.

Confira a apresentação do Merda:



A HBB e a Läjä Records lançaram este ano um split do Merda com os cariocas do Os Estudantes, vinil sete polegadas. O compacto conta com oito músicas inéditas - três do Merda e cinco do Os Estudantes

Ouça o Split: 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O som básico do lo-fi rock, tratados com as costeletas de composição de Jeff Mangum, o ecletismo estilístico de Beck, e a ambição temática de Radiohead e Pink Floyd


























MENEIO foi formado em 2013 por músicos que já possuem um histórico de trabalho em diversas bandas e outros projetos dentro da cena instrumental, além de trabalhos solo como músicos e produtores musicais e a criação de trilhas sonoras. A banda trabalha em músicas autorais que partem de narrativas sensoriais, construídas através da mistura de instrumentos orgânicos e eletrônicos, com influências de trilhas sonoras, soundscapes, elementos de post-rock e trip-hop. Através da colaboração com vjs, fotógrafos e videomakers, as apresentações possuem visuais específicos, criando um ambiente sinestésico que potencializa a experiência do show.

A música do Meneio é tudo de uma vez simplificada, épico, ambicioso, de partir o coração, coçar a cabeça, divertido, instigante, psicodélico, excessiva, e bonita em sua densidade meticulosa e unidade conceitual. Este primeiro álbum, homônimo, é a mais recente oferta da arte do quarteto; ele faz jus a todos os seus triunfos passados ​​e, simultaneamente, introduz novos sons e estética para a já enorme, e sempre crescente, miscelânea maximalista do grupo.

Como um pedaço de música, o disco é uma adição maravilhosa para amantes de Mahmed, Morcheeba e Portishead. Se está na hora de qualificar o que deveria ser a música de definição de carreira ou simplesmente considerada uma "oferta sazonal" e "um longo álbum", então eu não posso sequer imaginar o que o próximo registro será. Esperemos que (na verdade, o mais provável) a espera não será muito longa e continuaremos sendo tragados pelo Meneio e sua bela arte.

LANÇAMENTO - ‪#‎PD08‬ - Piêit feat. Green Nuggets - ANIMALS (SINGLE)‏


O mais novo single da banda mineira Piêit "ANIMALS" vem em uma época de tormentas. Mas também marca que o EP da banda está cada dia mais próximo (Azul - LANÇAMENTO VIA POLIDORO: Janeiro). Com influência de soul music na potente voz de seu vocalista, ainda estamos falando de uma banda de rock, com referências modernas e originais.

"Animals" veio da parceria entre as bandas Piêit e Green Nuggets em Patos de Minas/MG - 2015.

FICHA TÉCNICA+++++
Compositores: Raphael Piêit e Rubem Franco 
Produtores: Phil Brant e Alan Delay 
Estúdios: DaumRec e Avante72 Studio 
Selo: Polidoro Discos 
Guitarras: Felipe Roque 
Baixo e sintetizador: Alan Delay 
Bateria: Henrique Lima

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Sketchquiet / ''Deep Songs For A New Reflection''/ (2015)






































Escrever e executar sob o pseudônimo Sketchquiet, Mário Alencar abre a separação com um conjunto de faixas que incidem sobre perda e reflexão autoconsciente. Às vezes, synths fuzzed-out têm precedência sobre trilhas abafadas de filmes, apenas para misturar e voltar com o resto do acompanhamento para fora, como ouvido em "Flowers, Animals & Blue Skies". Simples, riffs dedilhados, qualidade lo-fi é uma constante em todas as faixas, mas a predominância parece ser a guitarra, narrativas e melodias vocais em synths ambient, reverb e sutis batidas que lembram de longe: Told Slant, 36, Lowercase Noises, Mogwai e sem as pretensões de Gold Panda, Clams Casino ou Dolphins into the Future.

Musicalmente, o registro é simplista e agradável, com muitas texturas completas, abertas mergulhadas sobre saborosos preenchimentos de baixo, guitarra e samples. Escutas repetidas irão mostrar detalhes intricados na música do projeto. ‘’Deep Songs For A New Reflection’’ se desvia da fórmula tradicional: 'Preocupações, com uma vantagem de guitarra twinkly sobre tambores complexos que leva a um clímax agressivo’. Trilha sonora perfeita para um chá quente no inverno ou deitado sob o barulho da chuva caindo. 

Mindgarden lança álbum “Cellophane” na íntegra

Foto: Mixi de Quadros & Flora Simon


























O sucessor do homônimo EP, lançado em 2012, foi batizado de “Cellophane”, palavra em inglês que nomeia a película feita de celulose que possui fácil moldagem, é sensível ao corte e protetora ao mesmo tempo. Esse paradoxo permeia o inusitado conceito como um vetor de orientação estética e visual para o álbum. São dez faixas, com letras que relatam vivências cotidianas, existencialismo e questionamentos à sociedade moderna com sonoridade que varia entre influências e timbres vindos de diferentes vertentes. Algo de Post-rock, Stoner Rock e Psicodelia, tendo como base ritmos de bateria e percussões que fazem a junção de texturas e melodias vocais duplas transformarem-se em verdadeiros mantras.

Já a produção do álbum foi uma construção minuciosa, começando pelo local onde foi realizada a maior parte das gravações: uma antiga residência rural em meio à natureza, que abriga os ensaios da banda desde seu surgimento. “A sugestão veio do produtor musical Carlos Balbinot, com o conceito de captar a banda ao vivo, na sua mais pura essência” relata o vocalista e guitarrista Marcelo Moojen. Para isso, a Noise Produtora de Áudio instalou 20 microfones pela velha casa de madeira e, em dois dias, o instrumental estava captado.

A arte da capa criada por Leo Lucena, que além de ilustrador e artista gráfico, é membro das bandas conterrâneas Catavento e Descartes apresenta uma montanha que é atingida por uma energia que vem de cima e, ao mesmo tempo, emana sua própria energia. “A montanha representa a cidade de Caxias do Sul, enquanto a variedade de cores representa sua cultura plural e multifacetada, que se mistura e se transforma a cada encontro, gerando novas cores.” explica Marcelo Moojen, vocalista e guitarrista da banda, que além de gerar o conceito, fotografou o processo. “A técnica usada para o design da capa foi um pouco incomum: foi feita uma colagem com celofane transparente, fita adesiva e filtros. Assim, a luz branca dividiu-se em outras cores através do fenômeno conhecido como birrefringência” complementa Marcelo.

O álbum físico foi lançado em CD pelo selo Honey Bomb Records no último dia 11 de novembro e foi fomentado pelo Financiarte, uma política pública de incentivo à cultura da Prefeitura Municipal de Caxias do Sul.

OUÇA “CELLOPHANE” LOGO ABAIXO 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Theuziitz - Nostalgia é Inútil – Jovem compositor canta contra a vida cada vez mais estagnada‏






























Theuziitz é o projeto solo de Matheus Antonio, cantor-compositor de 19 anos da cidade de Jandira-SP, que se iniciou no fim de 2014 e lançará o seu primeiro trabalho, o EP Parque da Luz, no dia 19 de novembro de 2015. 

Após ter tocado em algumas bandas da região na adolescência, (Visto Suburbano, Brothers In A War e A Gosto), Matheus, acabou por reunir um número considerável de composições e decidiu gravá-las sozinho. As 5 canções presentes no EP Parque da Luz, foram inteiramente compostas, gravadas, mixadas e masterizadas por ele em seu quarto após ter tido a experiência de trabalhar com as antigas bandas e músicos da região. As influências vão desde o folk lo-fi (Daniel Johnston/Elliot Smith) ao dream pop contemporâneo (Deerhunter/Beach House).


Ele também faz parte do coletivo Terceiro Mundo, que conta com outros artistas da área metropolitana de São Paulo, numa mistura de gêneros musicais que vão do rap, funk e indie rock, e já tem lançamentos marcados para 2016.

O disco será lançado pelo selo Lixo Records, do Rio de Janeiro, e tem seu show de lançamento previsto para o dia 5 de dezembro em São Paulo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Bloomtrip / (Interstate) / 2015

Foto: Thiago Fialho 

Barulhentas batidas imperfeitas; este disco tão incrivelmente divertido de se ouvir. Bloomtrip é uma banda descompromissada e otimista com relação ao trato com instrumentais e vocais. Herdeiros do dinamismo  grunge e do rock alternativo de 90 criaram um som muito original em linha reta a partir da primeira faixa de ‘’Interstate’’. Ultimamente, esse gênero está vendo o crescimento incrível de pequenos grupos locais, que normalmente consiste em não mais de 3 pessoas, cada um com seu próprio som exclusivo. O que é realmente notável sobre grupos como Bloomtrip é a sua capacidade de equilibrar eficazmente influência e som original com a grandeza dessa época tão marcante para a música.

Este álbum é demasiado simples para ser inovador, mas de maneira muito honesta para ser nada mais do que agradável e emocionalmente emocionante, e não parece que a banda estava tentando ser nada mais do que isso. Bloomtrip não soa como o tipo de banda que quer quebrar barreiras e percorrer o país constantemente, ela se sente como uma banda que só quer fazer a sua própria coisa e tudo o que acontece, acontece. Independentemente de saber se estou certa ou não, eu absolutamente gostei muito deste álbum pela honestidade e simplicidade em cada detalhe, a presença vocal é profunda e suave como às faixas vocais em camadas  que complementam os dedilhados de guitarra esporádicos e ferozes. Apesar da natureza simplista de composição da banda o conteúdo lírico é extremamente ameaçador.

A banda já muito bem estabelecida em uma assinatura sonora que é muito difícil de comparar. Influência de shoegaze flutuando por cima de tudo em um estilo apropriado de grunge lo-fi brincando com o emo sujo, às vezes adicionando cor outras vezes carregando uma melodia essencial, mas sempre lá para derreter seu coração doce e jovem, acessível e estranho, perfeito para um filme de Danny Boyle ou Zoe Kazan. Este álbum é como uma glândula de Skene com sabor de sorvete. E quem não gosta orgasmo e sorvete?

Transtorninho Records - Lançamento #12 - "Amandinho - Rugby Japonês"‏
































Por Fred Zgur

Antes de mais nada, é preciso dizer que os meninos da Amandinho são alguns dos meus melhores amigos. Coincidentemente, hoje, 11 de novembro de 2015, dia de lançamento do Rugby Japonês, faz um ano que fui à Recife pra um lance de faculdade e tive o prazer de conhecer Felipinho, Danilo e João (infelizmente o Smhir não estava nesse dia). Foi amor à primeira vista.

De qualquer forma, a grande conquista desse álbum talvez seja mais a maneira que ele foi feito do que pela sua sonoridade em si. Um disco cheio, com 11 faixas e 50 minutos, completamente gravado, mixado e masterizado em casa, com pouca ou nenhuma grana, comprovando de uma vez por todas aquela máxima já testada pela gorduratrans e que orienta todos os trampos do Lê Almeida: "a gente tinha um monte de música pra gravar e não tinha grana pra estúdio, daí fizemos em casa mesmo, no nosso quintal, na nossa garagem". É o faça você mesmo acima de tudo, não importa se não vai ficar "profissional", o importante é fazer.

Quanto à sonoridade, permanece o punkinho do EP de estreia "Coisas Novas São Assim", coisa de quem ouve muito Joyce Manor e Open Letters, com momentos de guitarrada shoegaze e os solinhos J.Mascianos que fazem deles o Dinosaur Jr. jovem. As letras são sobre aquela angústia de quem tem 20 e poucos anos, ainda não saiu da faculdade e não sabe muito bem o que quer da vida, e sempre sente muita saudade de tudo.  

"Rugby Japonês" tem esse nome porque os meninos estavam na casa de um amigo que os recebeu em Natal durante uma mini turnê pelo nordeste, e assistiram juntos o tímido Japão bater a poderosa África do Sul na primeira partida da copa do mundo de rugby desse ano. Esse disco é a vitória do pequeno Japão, é a morte ao falso metal, é a sagração de que o punk torna as coisas possíveis, não importa da onde você é, se você tem grana ou não, nem se você sabe tocar. Apenas faça você mesmo.

OUÇA E BAIXE GRATUITAMENTE:

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Floating Kid - Left / 2015






































Repleto de ambiente lúgubre, acordes dissonantes, e muita distorção, Left ecoa muitas  melodias inteligentes ("Return Home", "Waste"). O disco não faz nada se não cortar o calor do verão obscuro com uma refrescante mistura de canções que são divididas em uma limonada fresca e uma bebida energética eletrizante. Agora que essa metáfora foi longe demais, vamos falar sobre os detalhes de como a Floating Kid criou um álbum fantástico que vai fazer você dançar, e talvez até mesmo criar algumas reflexões.

Há um encanto infantil para tudo. Os vocais sussurrados, tímidos e derivados debaixo da instrumentação emo-punk em um sonho, quase shoegaze, formada em "algum lugar na alta flutuação de grungebands", uma vez que se torna progressivamente caustico até que explode em gritos para fora, muito semelhante ao de Small Steps, Indian Summer, Pygmy LushTigers Jaw, Lilac Daze ou Superchunk.

Left é o tipo de efeito sonoro que transcorre como fogos de artifício no quarto de um adolescente, com direito a estouros, estalos e sonhos. Fica demostrado que a banda tem mais alguns fogos de artifício na manga, só resta esperar o próximo espetáculo.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O EP apresenta uma vibe retrô definitiva com vocais lo-fi e guitarra emitindo uma sensação de rock dos anos 70





































Pessoalmente, quando eu ouvi esse EP fiquei apreensivo.  Linhas sugestivas de garage punk com enredo incoerente que, inevitavelmente, entra em colapso sob seu próprio peso. Graças a Stooges os caras da Buzz Driver mantiveram as coisas como devem ser e soar, um bom surf lo-fi, despretensioso e relacionável na medida do ​​possível.

Surgida em 2014, Buzz Driver é de Volta Redonda (RJ) e lançou um autointulado EP em outubro de música barulhenta e pegada setentista. A sua melhor forma de descrição é a alternância de sonoridade peculiar. Às vezes eles levam um som de rock ordinário com características de Cinderella e no minuto seguinte, conseguem distorcê-la, fazendo parecer que o vocalista está gritando do alto de um tubo durante uma tempestade surf music em alguma praia do Havaí. Em outras ocasiões, eles simplesmente abraçam uma canção punk de garagem comum, permitindo que cada batida, supressão de guitarra, e riff melódico tenha espaço entre si, permitindo uma maior valorização da dinâmica e composição. Em todas às vezes, eles fazem música que é tudo em todo pesada e crua, mas também etéreo e intrigante para os ouvidos.

O som da guitarra também é excelente, muito crocante e barulhenta, mas também não restritiva dos outros instrumentos.  A banda acrescenta uma dimensão à música e definitivamente chama a sua atenção em primeira audição. Essas músicas são empurrados para  frente por faixas de guitarra e bateria sincopados muitas vezes isoladas e, enquanto os vocais oferecem uma defasagem comparativa que faz a música imprevisível.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O encontro apaixonante entre o punk e a surf music em um saloon mariachi






































Groovy está soando melhor e melhor a cada dia, com a mais recente contribuição vinda por meio do Mestre Felino. ‘’Heavy Groovy’’é um registro impressionante com alto teor de qualidade em um trabalho. O duo é formado por Felipe Vendramini e Thiago Roberto, sediado em Mogi das Cruzes (SP), com um fundo musical diversificado entre os membros. Nova onda pós-moderna, jazz, blues, motown, rock clássico, garage rock são apenas algumas das forças que se encontra em um álbum de estreia incrivelmente bem-arredondado.

Para um disco auto lançado, a qualidade é surpreendente. A primeira música, "Saara", tem uma vibe torta de algum filme de Tarantino, mas acarreta alguns bons minutos de qualidade com o início abrupto. Os instrumentais são apertados, dando a impressão de que esses caras estão juntos há bastante tempo, bem entrosados e tocando de olhos fechados. Em vários momentos ao longo do disco, o duo vai para todo o vapor, utilizando todos os instrumentos e voz, criando uma plenitude instrumental que parece homenagear algumas influências do garage rock .

O disco termina com "Caravana (Príncipe Negro)", É um som muito diferente do resto, com exceção de "Ex-punk", que atua como a introdução à segunda metade do disco. Cada música parece que tem um, por falta de um termo melhor, irmão-canção, de uma forma que dá uma sensação muito equilibrada. As médias de comprimento de cada canção, cerca de 2 a 4 minutos cada, que é um pouco mais longo do que o padrão, mas os Groovys realmente fazem um belo trabalho. Ao todo, havia claramente uma tonelada de tempo dedicou a este disco de estreia da banda que absolutamente valeu a pena. 

“Qualquer Lugar”, single do Cabana Café, sai pela Balaclava Records






































Reconhecer a já antiga sensação de que o fato de tudo acontecer ao mesmo tempo, a todo o tempo e em qualquer lugar nos leva a um estado anestesiado de viver é um sinal do amadurecimento dos paulistas do Cabana Café. A ideia se transformou na proposta de seu novo trabalho, precursor do elogiado Panari (2013) e ainda em processo de concepção, e na maneira como o grupo que mistura indie com bossa tem conduzido o projeto.

As referências da banda como Caetano Veloso e Broken Social Scene, se juntaram a ícones do isolamento em forma de conexão: smartphone e internet. A primeira faixa produzida, Qualquer Lugar, foi feita de forma instantânea, em estúdio, com anotações do bloco de notas de um celular que descreviam cenas reais. A capa da faixa foi feita por um aplicativo de celular pela artista Thaís Castilho. As sugestões surgiam simultaneamente. A vida é agora, é imediata. 



















Crédito: Cassio Cricor

Qualquer Lugar foi gravada e mixada por Taian Cavalca no MonoMono Studio, masterizada por Maurício Gargel e distribuída pelo selo Balaclava Records. Pra seguir com as novidades, o grupo anunciou o sexto integrante Hafa Bulleto (BIKE) e a volta de sua formação com duas guitarras, assumida agora por Hafa e Zelino Lanfranchi (Parati). Completam a banda Mário Gascó (DesReal) na bateria, Taian Cavalca nos synths, Gustavo Athayde (Peaches and Cream) no baixo e Rita Oliva (Parati) no vocal macio e marcante.

Como faz pra sair da bolha e cair no aqui, agora?

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

SILÉSTE - ALIEN/IANSÃ

Foto: Mario Arruda 

Tristeza existencial verdadeira vem de distância (que porra é essa?). Distância entre o eu e alguns em outro lugar abstrato. Siléste vem trilhando uma carreira, até agora, de criar música que é a trilha sonora para aquele lugar em outro lugar. ALIEN/IANSÃ, segundo disco da banda, não é diferente com sua sonoridade etérea de outro mundo, a estimulação melancólica, e som lo-fi atmosférico. Este registro é algo esperançoso, ou pelo menos, de esperança no sentido de que quando você cai em um buraco existencial profundo, você percebe que outro mundo é possível e que este irá eventualmente acabar. O emparelhamento da solidão abstrata da música com o semi/irônico de perspectivas cria uma espécie de antropofagia positiva sobre a vida e a humanidade, construindo uma catarse e, consequentemente, um grande colosso de ideias dividido entre quatro cabeças.

O sucesso do desenvolvimento de uma banda como a Siléste vem de mãos dadas com o desejo de crescer. Ao longo dos últimos anos, temos assistido a uma evolução gradativa entre o álbum homônimo (2012) e o atual de (2015). As referencias claras no segundo disco ficam por conta de nomes como: Joy DivisionThe Fall, Jesus and Mary Chain, Self Defense Family e pequenas nuances de Cocteau Twins e Slowdive.  A partir de uma banda profundamente enraizada no mais sujo pós- punk insinuando algumas sensibilidades alternativas a uma expressão full-blown de desdém marcada por uma necessidade de se tornar inteligível ou substancial. 

O álbum visceralmente estabelece a Siléste como uma entidade em constante mudança. Ele não só marcou a partida de seus velhos hábitos, mas mostrou um lado mais maduro de uma banda embutido hipercriativade jamais vista. Mas se o primeiro disco é uma declaração de boas vindas, então ALIEN/IANSàé uma análise profunda que isso é uma necessidade absoluta, uma expressão ousada mais do que uma ideia diferente e isso é completamente compreensível. Com uma reputação prolífica que os precede, parece muito orgânico para deixar apenas 9  músicas caírem do reino do desenvolvimento e nos ouvidos de seus fãs. Siléste está oferecendo uma fuga de acessibilidade que se implanta em seu som em evolução. Isso mantém um esforço decente entrincheirado em suas próprias ambições. A música aqui é emocionante, cativante, desprezível, e surpreendentemente difícil de assimilar (em um nivel que The Psychedelic Furs raramente conseguiria).


































Ai que Preguiça: Rafael Castro lança single e clipe em homenagem aos preguiçosos do mundo






















Comemorando o Dia Internacional da Preguiça - e seu aniversário! - Rafael Castro, o preguiçoso mais produtivo do Brasil, decidiu lançar faixa inédita com clipe “tosqueira style”, como define. A direção é do artista e produção, montagem e filmagem ficaram por conta de seu produtor, Juka Tavares.

Assistam, compartilhem e dividam esse cansaço todo conosco! Porque mesmo com preguiça, quando Rafael Castro fica mais velho o presente é todo seu. Quem quiser comemorar com o artista pode ir ao Puxadinho da Praça hoje, 06/11, que haverá festa com show de Eristhal Luz + discotecagens especiais.

Vamos ao vídeo, que muito texto dá preguiça de ler:

Acidental lança primeiro videoclipe

Foto: Chuim


























O Acidental, projeto solo do baixista da banda Mundo Alto, teve o primeiro videoclipe lançado nesta quinta-feira (5). "Teste", música que dá voz ao vídeo, faz parte do EP digital de duas músicas lançados em fevereiro deste ano pela Hearts Bleed Blue (HBB).

A banda criada por Alexandre M., tem base unicamente em suas mais diversas influências musicais e se diferencia dos demais trabalhos do músico. O videoclipe de "Teste", gravado em São Paulo por Chuim e Rafael Trindade segue uma linha experimental. "O vídeo foi montado de forma não linear com camadas sobrepostas que se entrelaçam e se confundem. Usamos como pano de fundo a cidade, que é retratada de forma cinza e densa, puxando para estética dos anos 80 de bandas como Jesus and Mary Chain, Depeche Mode e Joy Division", conta Chuim.



Com um processo de criação um pouco mais lento, o Acidental vai ganhando vida enquanto Alexandre divide o seu tempo com a agenda cheia do Mundo Alto. "Como o Acidental depende basicamente de mim, eu acabo pegando o tempo livre que tenho em casa pra compor ou programar alguns samples. Gostaria de ter mais tempo para tocar violão sem o compromisso de ter que fazer algo, somente por lazer. Acho que nessas horas que aparecem as melhores coisas", explica Alexandre.

No entanto, apesar da falta de pressa, o músico adianta que a banda já está em processo de composição e que um novo trabalho do Acidental deve surgir no próximo ano. 

Ouça o EP:


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O álbum de estreia do Caffeine Lullabies é o encontro entre a intimidade de Waxahatchee e o neuroticismo de Conor Oberst


























Não me interpretem mal, eu curto muito as influências post-rock - emo - indie de bandas como Caffeine Lullabies, Alberi, desventura e Loyal Gun  costumam fazer em seus discos. Coisas que chama a atenção para as bandas mais antigas, como Algernon Cadwallader e The Get Up Kids ou nomes mais atuais como The World is a Beautiful Place e Sport.

Com nove faixas, The Closest Thing to Death é curto. É rápido. O som é alto. “Triste.” E isso é realmente a única maneira que se sente o disco por inteiro. Eu teria que puxar os ouvidos para fora em um ritual clássico, para subentender a sonoridade alternativa, dos riffs cacofônicos, tambores absolutamente abafados e para os vocais estridentes. É uma vergonha que é quase impossível discernir uma palavra, mesmo com letras na frente de você, porque a letra da música é socialmente ansiosa para fazer uma leitura honesta e pessoal, vomitando linhas como “Staring At The Ceiling’’/ ‘’Only for This Night’’ / ‘’Queen of Seas’’

As faixas vão mudando de direção e simetria que chega a determinado momento em que soa como duas vozes distintas; um tem uma voz mais alta, mais comparável talvez à de Andy Maddox, vocalista do seminal (The Saddest Landscape), enquanto o outro tem uma mensagem mais contida, paisagens mais tristes que lembra Kyle Durfey (Pianos Become The Teet). É uma bela justaposição, particularmente em um gênero em que você está dado um teor violento de emoção em cada nota.

O resto do disco continua de uma maneira semelhante ao inicio, somente em comprimentos mais curtos e com tempos mais rápidos. ”When You Wake Up", a faixa final, é provável que seja a melhor do grupo. A sua vertiginosa introdução é seguida por um colapso sludgy a la This Town Needs Guns . É o momento mais significativo do desvio de marca usual  estridente, emoviolence in-your-face do grupo. Um registro indie pouco convencional, que nunca se afasta da inocência e ar fresco  combinado com uma borda do punk decididamente DIY. The Closest Thing to Death é um inferno de sentimentos confusos presos em um acompanhamento  que deveriam ter recebido muito mais atenção. Um conglomerado de gêneros e estilos que somam junto para fazer um álbum coeso e envolvente do início ao fim.

As melodias vocais são muito menos instáveis e corajosas, perdidas em alguma curva distorcida e dissonante para dar à música um tom inquieto e reflexivo. No mais, é música dançante, e, ocasionalmente, cativante, mas juvenil, e não particularmente imaginativo. E, no entanto, Caffeine Lullabies é parte de uma narrativa que é imensamente importante para centenas de milhares de pessoas em todo o mundo.

 Ouça The Closest Thing to Death:

Mindgarden divulga novo single e detalhes sobre lançamento do segundo álbum

Foto: Mixi de Quadros & Flora Simon


























SINGLE: Após ter revelado o trailer do novo álbum com exclusividade pelo site Monkeybuzz a Mindgarden, de Caxias do Sul, lança agora o primeiro single “Cellophane pela Revista Noize.


CAPA: O quarteto que mistura diversas referências musicais, como Rock Alternativo, Psicodelia, Post-Rock e Stoner Rock, revelou também a arte da capa criada por Leo Lucena, que além de ilustrador e artista gráfico, é membro das bandas conterrâneas Catavento e Descartes. A capa apresenta uma montanha que é atingida por uma energia que vem de cima e, ao mesmo tempo, emana sua própria energia. “A montanha representa a cidade de Caxias do Sul, enquanto a variedade de cores representa sua cultura plural e multifacetada, que se mistura e se transforma a cada encontro, gerando novas cores.” explica Marcelo Moojen, vocalista e guitarrista da banda, que além de gerar o conceito, fotografou o processo. “A técnica usada para o design da capa foi um pouco incomum: foi feita uma colagem com celofane transparente, fita adesiva e filtros. Assim, a luz branca dividiu-se em outras cores através do fenômeno conhecido como birrefringência” complementa Marcelo.

Capa: Arte de Leo Lucena, foto e conceito de Marcelo Moojen
ÁLBUM: O álbum físico lançado em CD pelo selo Honey Bomb Records no dia 11 de novembro foi fomentado pelo Financiarte, uma política pública de incentivo à cultura da Prefeitura Municipal de Caxias do Sul.

SHOWS DE LANÇAMENTO:

04/11 | Pré-lançamento Casa Paralela @ Caxias do Sul/RS (evento só para convidados)
11/11 | Lançamento oficial Sesc @ Caxias do Sul/RS
19/11 | Lançamento oficial Monumento ao Imigrante @ Caxias do Sul/RS
24/11 | Teatro Moinho da Estação com Mahmed (RN) @ Caxias do Sul/RS
10/12 | Lançamento oficial Casa de Cultura Mario Quintana @ Porto Alegre/RS
12/12 | Festival RockZona no Marechal Rock Bar @ Caxias do Sul/RS



SOBRE AS LETRAS:

O álbum essencialmente trata de questões existenciais e do cotidiano, trazendo também algumas críticas à sociedade contemporânea. A faixa título do álbum, "Cellophane", fala sobre a rotina muitas vezes sem sentido que nos aprisiona, sem fazermos qualquer questionamento ou até mesmo sem perceber a sua existência e o que está por trás dela. "Open" fala sobre o medo de mudanças, tanto por julgamentos externos quanto internos. "Empty Days" chama a atenção para o tempo, finito e por vezes desperdiçado em dias banais, como se a vida fosse eterna. Divagações e analogias da existência humana e do astro-rei, o Sol, aparecem em duas músicas, "The Silence of the Sun" e "Solstice". "Brand New Seven" talvez seja a faixa mais existencial do álbum, falando sobre a busca de força interior e a vontade de descobrir o mundo e a si. "Psycho" tem como tema o egocentrismo nas relações humanas. "Bossa Velha" fala sobre despedidas, sobre o que podia ter sido, mas não foi: sentimento comum no amor e na morte. "Life in Vain" traz uma reflexão sobre o uso de drogas, prescritas ou não, para suportar a rotina e a vida contemporânea: é mais fácil tomar um comprimido do que fazer uma mudança. "Exile" trata sobre a dor da emigração forçada por conflitos (disputas de poder, basicamente: ego).



Conceito, sonoridade e produção do novo álbum:

O sucessor do homônimo EP, lançado em 2012, foi batizado de Cellophane, palavra em inglês que nomeia a película feita de celulose que possui fácil moldagem, é sensível ao corte e protetora ao mesmo tempo. Esse paradoxo permeia o inusitado conceito como um vetor de orientação estética e visual para o álbum. Segundo a banda serão dez faixas, com letras que relatam vivências cotidianas, existencialismo e questionamentos à sociedade moderna. Sua sonoridade varia entre influências e timbres vindos das diferentes vertentes do Rock Alternativo, como o Post-rock, o Stoner rock e a Psicodelia contemporânea. Já a produção do álbum foi uma construção minuciosa, começando pelo local onde foi realizada a maior parte das gravações: uma antiga residência rural em meio à natureza, que abriga os ensaios da banda desde seu surgimento. “A sugestão veio do produtor musical Carlos Balbinot, com o conceito de captar a banda ao vivo, na sua mais pura essência” relata o vocalista e guitarrista Marcelo Moojen. Para isso, a Noise Produtora de Áudio instalou 20 microfones pela velha casa de madeira e, em dois dias, o instrumental estava captado.



Mindgarden

Formada em 2009, compõem atualmente a banda: Marcelo Moojen (vocal e guitarra), Luis Fernando Alles (vocal e guitarra), Mateus Mussatto (bateria) e Mairo Ferreira Ramos (baixo). A Mindgarden (em tradução literal, jardim da mente) nasceu como uma banda de música instrumental e inseriu vocais pouco tempo antes de lançar seu primeiro EP, em 2012. Desde a sua formação inicial, tocou em diversos festivais e alcançou a mídia tradicional e independente em muitos cantos do país, tendo inclusive sua música executada em rádios estrangeiras. O som é uma profusão de influências que passam pelas ondas psicodélicas e progressivas dos anos 1960 chegando ao rock alternativo atual. A banda confessa que a região da serra gaúcha e seu clima de montanha do extremo sul do Brasil também influencia naturalmente no som: a música rural-contemporânea-psicodélica, como sugerem os integrantes. Em 2013 a Mindgarden lançou seu videoclipe “Up in the Sky”, com a direção do cineasta Daniel de Bem. No vídeo, a paisagem rural da região e a paisagem urbana se misturam em uma road trip, traduzindo a dualidade de uma cidade nesses tempos de desenvolvimento acelerado.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Bratislava lança 2o álbum­zine "Um Pouco Mais de Silêncio"

Foto: Daniel Moura 
A banda Bratislava (rock experimental, SP) acaba de lançar seu 2o disco em formato fora do comum: “Um Pouco Mais de Silêncio” quebra o tradicional combo vinil+CD. A plataforma física é um zine interativo produzido artesanalmente, com arte de capa desenhada por Penabranca (Bruno Borges). Na esfera digital, o fã vai encontrar as músicas para download, além de experiências online que mostram detalhes sobre as composições e a banda.

A sonoridade do novo disco da Bratislava caminha para um lado mais escuro e introspectivo. Entretanto, soa mais pop do que os registros anteriores. O disco traz canções extensas, mas com narrativa fácil de ser identificada desde o primeiro acorde. “Ando Morto”, “Deze7 Relâmpagos” e “Ruídos” representam o lado mais melancólico do álbum. Já “Vermelho”, rápida e urgente, tem uma pegada dançante que remete a bandas seminais do rock brasileiro da década de 80, como Zero e Picassos Falsos. “Serpentina” destaca-­se por misturar as duas ondas. A poesia continua densa. Cada letra é um ensaio cheio de surrealismo em torno de situações de perplexidade vividas pelo homem comum, partido ao meio pelas respostas confusas que recebe do mundo no dia-a-dia.
Capa do novo disco "Um Pouco Mais de Silêncio" por Penabranca
Bratislava é Victor Meira (vocais/teclas/synths), Alexandre Meira (guitarra/vocais), Sandro Cobeleanschi (baixo) e Lucas Felipe Franco (bateria), iniciou suas atividades em 2010, e desde então já fez shows em diversos estados do país. Lançou o EP Longedo Sono em 2011 e o álbum Carne em 2012. De lá pra cá, a banda lançou singles e vídeos de sessões ao vivo. Foi selecionada para projetos como Converse Rubber Tracks, Sofar Sounds, Conexão BH, Na Rua, Antessala HSBC Brasil, Rio Harley Days, entre outros.

“Um Pouco Mais de Silêncio” foi gravado em 2015 em diversos estúdios de São Paulo, incluindoFluxxx, Freak, Family Mob e o home studio da banda. O disco tem participação especial de GUIZADO na faixa “Ingestão” e foi produzido por Victor Meira e Matschulat. Mixado e masterizado por Matschulat em Londres durante os meses de agosto e setembro de 2015.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Ouça | Ventre lança catálogo de referências praticas em ''Ventre (抱きしめ と キス)"

Foto: Pedro Arantes 

Foram dois anos desde que a Ventre apareceu para o cenário musical com seus primeiros vídeos ao vivo ("Carnaval" e "Pernas"). Foi um período de criação e experiência intenso, em que o power trio testou e amadureceu sua sonoridade ao vivo. O resultado é o disco homônimo da banda.

"Não ficamos parados enquanto trabalhávamos no disco. Viajamos um pouco, fomos aprendendo com outras bandas, em outras cidades. Tivemos muita sorte de encontrar pessoas de ouvido aberto pra gente!", explica Larissa Conforto, baterista da banda.

Formada em 2012, a Ventre conta ainda com a guitarra e a voz de Gabriel Ventura e o baixo de Hugo Noguchi e reflete em sua música a amizade de seus integrantes. Figuras carimbadas para quem acompanha a cena, eles já tocavam juntos antes mesmo da formação da banda. Sua experiência como músicos molda o mar de sensações que dão forma ao álbum de estreia, produzido pela própria banda com ajuda de amigos encontrados pelo caminho. O peso e a leveza dançam em arranjos que misturam estilos e referências com maturidade de anos de carreira.   

Reunidos para uma conversa nos fundos do estúdio do Swing Cobra, coletivo de artistas que a banda faz parte, eles refletem sobre a história da banda, as canções e as expectativas com o álbum.  

"Estamos felizes em encerrar este ciclo que foi a gestação deste disco. A espera foi longa demais, inclusive para nós", comenta Gabriel Ventura. "Mas viver de música independente no Rio é muito difícil, conseguir bancar um disco com tudo o que deve ter, de estúdio, produtor, equipamentos. Acabamos por fazer do nosso jeito: entre amigos."   

"Foi um processo muito cansativo porque muitas vezes aproveitávamos horários vagos em grandes estúdios, entre uma gravação e outra, muitas vezes de madrugada. Passamos por mais de dez estúdios e tivemos muitos amigos, a quem devemos muito, envolvidos - entre engenheiros de som, produtores e artistas", continua Larissa. 

"Quando estudávamos juntos na faculdade, ouvi umas músicas do Gabriel e me apaixonei. Botei muita pilha pra gente tocar aquelas canções, mas ele só tomou coragem em 2012, quando ensaiamos pela primeira vez. De lá pra cá, fomos amadurecendo as canções, entortando até onde dava, descobrindo como trabalhar em trio", explica Conforto.  

"O nome foi sugestão do (Carlos) Posada. Ele foi num ensaio no nosso estúdio, assistiu tudo calado, até que ele sugeriu: 'Tinha que ser Ventre. É visceral e delicado, forte e bonito. ' Ficou!", comenta. 

Larissa começou a tocar bateria na adolescência. E não parou mais de aprender estilos e tentar se aprimorar. "Ela que me escolheu. Sempre fui aficionada por bateria desde criança. Foi algo que veio no sangue. Nunca quis tocar outro instrumento".  

Completa a sonoridade da banda o baixo de Hugo Noguchi. A postura tranquila e sorridente do músico esconde uma presença sonora incomum. Baixista desde os 14 anos, Hugo é um curioso. Experimenta sonoridades eletrônicas e teclados midis, além de produzir outros artistas. Ele define seu baixo como uma mistura dos ritmos jamaicanos com melodias do Paul McCartney e do Smashing Pumpkins

"A gente também é muito fã dos old school, por termos sido criados daí, e de alguma forma isso aparece na maneira que a gente toca", define, citando desde Who e Hendrix até Jeff Buckley e Elliott Smith como paixões do grupo. 

A base melódica de Hugo e Larissa são o alicerce para as letras e guitarras ruidosas de Gabriel Ventura. "O filho é do Gabriel. Eu e o Hugo só pegamos pra criar", brinca Conforto, em certo ponto da conversa. 

Com letras confessionais e observativas, Gabriel surpreende ao tocar com propriedade em temas como desejo, saudade e efeitos do tempo no amor. 

"Falo do que sabemos falar. Com os relacionamentos vividos, acho que foi natural que os atritos e o que é bom dessa vida transpareça no que eu escrevo", comenta.  

Gabriel começou a tocar no início da adolescência. Foi aprendendo com o pai, sambista, e absorveu um pouco de cavaco e banjo, além da guitarra e violão, esses últimos que adotou como instrumentos de sua expressão. Mas a base dessa criação e aprendizado ficou na sua musicalidade. 

"Quando o Gabriel mandou a demo de 'Quente', era um sambinha. A gente ouviu e ficou pedindo 'Faz um riffão' aí", confessa Larissa.  

Essa cumplicidade e dinâmica das apresentações ao vivo estão já  na primeira amostra do trabalho da banda: o single "Peso do corpo".   

A música ganhou um vídeo pelo cineasta Philippe Noguchi, estrelado pela banda junto das atrizes Malu Souza e Julia Shimura. No vídeo, as paixões latentes da canção ("Prestes a alçar voo / Faminto feito um cão / Louco pelo peso que do seu corpo sobre o meu / Faminto feito um cão") ganham forma etérea e sensorial. Um desejo não correspondido vira frustração e a frustração é demonstrada pelas mudanças de dinâmica da canção.   

Essa relação é vista sob o prisma de uma personagem - na verdade, da sua mente, que quer a todo custo saciar o que sente pela companheira.   

"Curiosamente, essa foi a primeira música que tocamos juntos, no primeiro ensaio", recorda Larissa.

"Além disso, essa música foi a primeira que toquei para alguém que não fosse amigo próximo", conclui Gabriel, dando um sentido ainda mais especial para a canção escolhida para lançar oficialmente a carreira da banda.  

"Ventre", resultado de tanto trabalho e tanta cumplicidade, foi lançado de forma independente em streaming e download gratuito. Produzido pela própria banda, o álbum contou com a ajuda de muitos profissionais e estúdios durante sua gestação. E a lista é grande. O disco da Ventre passou pelo Ministéreo, estúdio do Júnior Tostoi, guitarrista do Lenine, que também mixou duas músicas; O Quarto, de Bruno Giorgi, que acompanhou toda a pré- produção e também foi engenheiro e produtor em outros estúdios.   

Eles passaram também pela lendária Toca do Bandido, onde o concurso da Converse Rubber Tracks proporcionou uma diária com o engenheiro de som americano Aaron Bastinelli. O disco ainda teve passagem pelo Superfuzz; Estúdio Musika; Estúdio Quatrilha; Canto dos Trilhos; Maravilha 8; Monoaural.  Uma das faixas foi mixada no Espírito Santo com Gil Mello (Subtrópico e guitarrista da Mango) e Alexandre Barcelos.  Por fim, a masterização foi feita por Matheus Gomes no Magic Master.  

"Deu trabalho, mas é fazendo que se aprende, e a experiência que ganhamos é tremenda", conclui Hugo Noguchi.

Ouça o disco e faça o download direto no site da banda [AQUI]