sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Mustache & os Apaches lança segundo disco com ares tropicais


“Queremos ter a liberdade de tocar em qualquer lugar, para qualquer público”. Esse é o desejo que eletrizou o washboard, banjo e bandolim da banda “Mustache & os Apaches” composta por Pedro Pastoriz, Axel Flag, Lumineiro, Jack Rubens e Tomas Oliveira. O resultado é o álbum Time is Monkeyque prova que a sonoridade da banda não está restrita às ruas.

As doze faixas revelam um aumento de pressão sonora, camadas e ruídos, se contrapondo com o primeiro trabalho da banda que era focado em elementos e recursos acústicos.

As letras de “Time is Monkey” contam histórias e percepções através de composições em português que abordam pontos controversos da nossa sociedade, como o individualismo, consumismo e o deslumbre do showbizz, mas sempre com uma linguagem divertida e a ironia característica. Com ares tropicais e influências da psicodelia e muito rock’n’roll, temperado com vaudeville, música latina e africana, “Time is Monkey” foi gravado no Estúdio Canoa por Guilherme Jesus Toledo do selo Risco, no qual a banda integra o cast e foi realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo | Secretaria de Estado da Cultura | Programa de Ação Cultural 2014 (PROAC).

 Faixa a faixa

“Tá faltando renda, tá sobrando tempo, tá faltando dengo: Time is Monkey”. Foi a partir dessa percepção ressaltada por Jack Rubens que surgiu a faixa homônima “Time is monkey”, primeira do álbum. A letra aborda temas contemporâneos como a introdução visceral da internet no cotidiano das pessoas e como elas desperdiçam a vida real por conta disso. O “monkey” é uma alegoria para a vida natural, sem amarras ou barreiras impostas pela vida moderna. O ritmo dançante unido a um DNA frenético remete ao rock brasileiro mais irônico e politizado, como fizeram “Os Mutantes” e “Raul Seixas”.

“Fumaça” é a segunda música do álbum e aborda a diferença entre uma visão distorcida do mundo em contraponto com a realidade, como se fosse um “véu” que encobre fatos e tece outras verdades. Tudo isso é fruto da mente humana. Tomás Oliveira exemplifica: “Como Dom Quixote ao confundir um moinho de vento com um gigante”. A melodia é uma mistura de influências de conjuntos vocais, como “The Coasters”, ritmos caribenhos e arranjos da música do leste europeu.

A letra de “Quantos em mil” fala sobre encontros e desencontros, probabilidades de encontrar os pares neste mundo imenso. A faixa é perfeita para uma dança a dois em um final de tarde.

“Eco” é a música que mais relembra o primeiro disco: acústica e com elementos gypsy jazz. Foi criada a partir de um jogo de perguntas e respostas, artifício que a banda desenvolveu nas ruas a fim de interagir com os passantes.

Já “Surra de mar” é uma letra de amor que compara a sensação carnal e romântica com a força do mar. “Que vem sem avisar e arrasta tudo o que estiver em seu caminho, ele é quem comanda”, disse Lumineiro. Aborda também o descobrimento dos prazeres cotidianos no âmbito de uma relação apaixonada.

“Albatroz”, sexta música do disco, fala da paranoia que conduz a vida nas grandes metrópoles, um desabafo de como o caos da cidade afeta a mente das pessoas. Questiona o sentido de uma vida bombardeada por informações, trânsito, falta de tempo e foco constante no dinheiro, uma inversão total dos valores. O albatroz é a figura que quer ir para praia e com a liberdade de suas asas sentir a brisa do mar. A melodia é composta por influências regionais da música nordestina e gaúcha e remete a uma mistura de “Secos & Molhados” com “Buffalo Springfield”.

“Figurantes do showbizz” aborda a “corrida maluca” pela fama, a hierarquia que é o verdadeiro showbizz e o comportamento desesperado de deixar sua marca na mídia como uma forma de imortalização.

A letra de “Touro pelos chifres” foi elaborada por Pedro Pastoriz a partir de um exercício de composição, interligando adjetivos que remetiam agressividade e violência, tema nunca abordado pela banda. Ao equilibrar as palavras percebeu que a letra em produção podia ser sobre uma mulher, uma figura feminina forte, dominadora e que sabe o quê faz. “Touro pelos chifres” é a música mais rock’n’roll do disco com sintetizadores e efeitos à la “Syd Barrett” nas guitarras.

A música “Orangotango” revela a forte ligação do grupo com a natureza, em especial com os animais. A letra é uma projeção dos músicos no orangotango (escolhido como porta voz da fauna oprimida) e exprime sua frustração de estar se extinguindo, cobrando do homem seus direitos. A faixa, criada por Axel Flag, foi concebida na viola e possui forte influência nordestina.

A inspiração para fazer “Mambo jambo” veio de outros músicos latinos e resultou em uma das composições mais dançantes de “Time is Monkey” com letra em “portunhol” que fala sobre a vida sob o ponto de vista de um bon vivant. Os ritmos são variados e não se prendem ao panorama latino. A faixa também conta com a participação do percussionista Gustavo da Lua, da “Nação Zumbi”, que também marcou presença em “Orangotango”.

A letra “Sono” foi criada na época em que uns dos integrantes da banda, Lumineiro, estava tendo dificuldades para dormir. Ele sentia que a briga com a insônia era como uma relação com uma mulher sedutora, cheia de contradições: quanto mais ele desejava dormir mais o sono se afastava. O vocal é de Axel Flag e traz contrastes de modulações.

Última faixa do álbum, “Ah, vida errante” é mais uma canção sobre o atemporal, sobre a vida que corre, que erra e que não para. A harmonia mistura elementos da música caipira com rock psicodélico em uma batida slow motion.

Faixas:
1. Time is monkey
2. Fumaça
3. Quantos em mil
4. Eco
5. Surra de mar
6. Albatroz
7. Figurantes do showbizz
8. Touro pelos chifres
9. Orangotango
10. Mambo jambo
11. Sono
12. Ah, vida errante

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