quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Luiza Meiodavila lança seu disco de estreia, ''Florescer''

Foto: Marcos Feittosa

Luíza nasceu e cresceu na zona sul de São Paulo, em um bairro residencial e rodeado pela natureza, aflorando seus sentidos e traduzindo-os desde cedo através da música. Filha de Rita Selke, artista plástica, e Klaus Mitteldorf, fotógrafo, o rumo não podia ser outro. Iniciou sua jornada musical aos 4 anos, quando começou a tocar flauta doce na escola. Aos 10, optou por se aprofundar na sonoridade das flautas, passando pela contralto e chegando então à flauta transversal. Em paralelo, Luíza iniciou suas aulas de canto com o tenor Etor Rivero. 

Filha única, Luíza sempre teve a música como grande companheira. Com seu discman para lá e para cá, viagens de carro para o litoral com a família eram sempre acompanhadas de muita cantoria. Fez sua primeira gravação com 12 anos - em uma viagem de final de ano com amigos da mãe - liderada por Luiz Bueno, do duo instrumental Duofel. Seus pais, sempre apoiaram e incentivaram muito seu dom, que já é claramente perceptível nas singelas gravações de “Como Uma Onda” (Lulu Santos/Nelson Motta) e “Dia de Domingo” (Michael Sullivan/Paulo Massadas). 

Por incentivo da escola, decidiu aos 15 anos acrescentar o estudo do violão, aptidão que impulsionou seu canto. Muito tímida, sua relação com a música foi sempre muito particular. “Sempre tive a música como uma terapia, algo que entendia meus mais profundos sentimentos, e dividir isso com um público não era muito fácil.”, lembra. 

O caminho no canto se estabeleceu quando aceitou fazer parte da primeira banda da escola. Com ensaios regulares, e um grupo de amigos com interesses parecidos, Luíza ampliou mais ainda seu repertório e passou a ler e estudar muito sobre tudo que dizia respeito à música. Passou os 6 meses seguintes à formatura do Ensino Médio em uma profunda imersão nas mais diversas sonoridades, fazendo um intensivo de aulas de canto, guitarra e práticas de banda na escola de música do saxofonista Derico. 

Aos 18 anos ingressou no curso de Produção Cultural, na FAAP e no Conservatório Souza Lima, onde passou a ter aulas de teoria musical, percepção, canto e guitarra. No final de 2011 tomou a decisão de seguir seu coração, saindo da FAAP e ingressando então na Faculdade Souza Lima & Berklee, no curso de bacharelado em performance. 

Inspirando e expirando música em seu cotidiano, se apaixonou pelo mundo do jazz e da música brasileira, que acrescentou um grande vocabulário para sua identidade, que também carrega grande afinidade com o rock, soul e pop. Participou de práticas de banda lideradas por mestres como Sizão Machado, Nenê, Jarbas Barbosa, Vitor Alcântara e Pedro Ramos, absorvendo muitas dicas e opiniões que modelaram seu estudo. Ainda na faculdade, participou de workshops com Didier Lockwood, Débora Gurgel, Guilherme Ribeiro, Casey Scheuerell, George Russel Jr., entre outros. 

Passou a fazer aulas de técnica vocal com Tutti Baê, que lapidou sua voz para traduzir sua alma. O papel da professora foi além do conhecimento da voz, segundo a cantora: “A Tutti abriu meus olhos. Uma das primeiras vezes que eu cantei para ela, ela pediu para que eu parasse e me disse uma coisa que sinceramente, mudou minha carreira. Ela me explicou que meu papel como artista é passar essa emoção para o público, e que se, pelo menos uma pessoa da plateia tivesse se emocionado, ou se eu tivesse feito pelo menos alguém esquecer dos seus problemas pela duração da música, eu tinha sucedido. Passei a encarar o canto de outra forma, vi uma beleza na profissão que não consigo colocar em palavras...Ainda, pelo menos.” 

Apresentou-se em diversos barzinhos exercitando o contato com o público, até que no fim do primeiro ano de faculdade, conheceu Lipe Torre, imediatamente se identificando com suas composições e sonoridade. Junto com seu namorado Zé Victor Torelli, guitarrista e engenheiro de som, se uniram a Lipe em busca de fazer música que a traduzisse. Tentando cada vez mais otimizar seu foco, saiu no segundo ano da faculdade, mantendo em sua rotina somente aulas de técnica vocal com Tutti Baê e Wagner Barbosa, e aulas de piano/harmonia/percepção com a pianista Sílvia Góes, 
passando também a ter mais tempo para escrever e estudar. 

Adotou o nome artístico Luíza Meiodavila e idealizou seu primeiro disco, que simboliza acima de tudo, a concretização de tudo que viveu e aprendeu. A beleza deste processo, no entanto, é tão emocionante quanto o produto final... Por isso o disco leva o nome “Florescer”. 

Dividindo a produção com Lipe Torre e Zé Victor Torelli, o disco é formado por seis músicas, dentre as quais uma é de autoria própria, quatro são de autoria do Lipe, e a sexta é uma releitura de um chorinho de Jacob do Bandolim, gravado em ska. Antes mesmo de gravar o disco, o single “Romance de Novela” (Lipe Torre) levou o terceiro lugar no Prêmio Sorocaba de Música, além de muitos elogios dos então presentes, entre eles o compositor e pianista Francis Hime. 

Com os músicos Cuca Teixeira na bateria, Gabriel Gaiardo no piano, Felipe Galeano no baixo, Lipe Torre e Zé Victor Torelli nos violões e guitarras, Renan Cacossi no saxofone e na flauta, e com participações de Jarbas Barbosa na guitarra e Walmir Gil no flugel, toda expectativa é pouca. A mixagem foi feita pelo grande Luis Paulo Serafim, e a masterização leva a assinatura de Mike Couzzi, vencedor de diversos Grammys. Para finalizar, a arte é assinada pela talentosa kaju.ink. 

As músicas falam sobre o amor e permeiam em uma reflexão de como as pessoas encaram a vida hoje em dia, assunto que Luíza pretende abordar mais futuramente. Entre uma sonoridade rica, harmonias muito bem trabalhadas e arranjos coloridíssimos feitos também por Lipe Torre, a voz de Luíza docemente nos cativa. A afinação impecável e a suavidade com que nos conta as histórias caem como luva em uma época que a música costuma estar repleta de exageros e bombardeios de informação. 

O lançamento ocorreu no  final de 2014 em formato digital, e teve seu lançamento físico no começo de 2015, através da Gravadora Galeão – antiga Velas, fundada por Vitor Martins e Ivan Lins - que apoia sua carreira. Após o lançamento físico do disco, a cantora também pretende lançar uma remessa do álbum em vinil.

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