sábado, 18 de julho de 2015

Entrevista - A busca por um som de bases experimentais do KOOGU


Composto por dois membros do Calistoga, Henrique Geladeira e Gustavo Rocha, juntamente com Daniel Garça, compõem o trio experimental KOOGU.  Depois de umas Jam Sessions e passagens por vários festivais em Natal, o projeto finalmente reuniu material suficiente para um EP. Não cometa o erro de pensar que À Espera da Chuva é apenas um registro raso de três faixas dominadas por loops saltitantes. É um EP experimental, com certeza, mas é também um bem trabalhado, off-beat-first-record  que, quando bem combinado com o instrumental catártico e o experimentalismo sonoro e visual , torna-se uma obra com um desempenho que é tão hipnotizante, reflexivo, e nostálgico como a música que caminha por si só. À Espera da Chuva é complexo, divertido, cativante, corajoso e original. Confira a entrevista logo abaixo.

Qual a história do KOOGU? E o que esse nome quer dizer?

A banda começou com o fim de outra banda (Calistoga) que tinha com meu irmão Gustavo, a gente queria continuar tocando juntos então fomos buscar pessoas com alguma afinidade musical para entrar no projeto, logo achamos Daniel Garça que eu tinha tido uma experiência  bem legal com ele em estúdio quando produzi duas musicas de Simona Talma solo, com ele tocando bateria. Convidamos,  ele topou e hoje não consigo imaginar outro baterista melhor pra esse projeto. Koogu é uma referencia a Psilocibina que pode ser encontrada em cogumelos, que chamados carinhosamente de cogu, os dois “o” na verdade é um símbolo de infinito (∞) com relação a nossa experiência com loops, repetição, na percepção de onde começa e termina algo, o infinito como possibilidade.

A banda é um trio. Qual o histórico de cada um na música e o que cada um toca?

Todos nós já tocamos em vários projetos autorais em um pouco mais de 10 anos, vou citar só alguns pra não ficar chato. hehe Eu e Gustavo tivemos o Calistoga enquanto Daniel tocava no Lunares, bandas que nas suas épocas de existências foram bastante expressivas, principalmente aqui na cidade. Gustavo atualmente toca também no Son Of a Wicth, eu atualmente toco no Zurdo, acompanho alguns artistas que gravo ou produzo esporadicamente e também toco no TalmaeGadelha que Daniel também faz parte. Daniel hoje além do Koogu e TalmaeGadelha, faz um tributo ao Raul Seixas e tá começando um projeto solo.

O que cada um toca no Koogu:

Henrique: Guitarra, Sintetizador e Órgão
Gustavo: Baixo e Sampler
Daniel: Bateria e Drum Pad

Como você descreveria a música da banda? Como vocês definem esse som, o que é a sonoridade do KOOGU?

Não existe uma sonoridade definida dentro da banda, a gente gosta de explorar principalmente o nunca não feito por nós mesmos e também nossas características adquiridas como instrumentistas. É tudo um experimento musical, a gente monta tudo, cria um loop, vai tocando em cima e procurando coisas que façam sentido em timbres, brincando com o tempo, passagens, camadas… deve ser mais no sentido de causar sensações do que estar dentro de um estilo ou definição.

Qual a dificuldade de uma banda com o estilo de vocês para atingir novos ouvidos?

São os mesmo de qualquer banda independente no Brasil, eu creio que nosso som não tem muitas barreiras para novos ouvidos. A questão é como chegar neles, acredito que pegar a estrada e se jogar é a melhor opção para criar novos públicos.

O quão importante é a internet e as mídias sociais para a banda, e o quão importante é a internet para promover as bandas hoje em dia?

A internet é a base de tudo, acho que não existe nenhuma banda que pense em carreira e não invista na divulgação dentro da internet. Acreditamos na importância dela e tentamos usar ela da melhor maneira para acrescentar. 

Quais bandas que vocês ouvem que mais influenciaram a concepção do EP?

Não saberia dizer, nós escutamos de tudo e nem só de bandas a gente se influencia, no nosso dia a dia às vezes tem mais inspiração pra criação do que algum disco que escutamos.

Sabemos que vocês são membros de outras bandas, como Calistoga, Zurdo Zurdo, Son of a Witch. Como é o contato com os outros membros? Vocês trocam ideais, músicas, criam juntos ou cada um no seu quadrado?

Como todo mundo é próximo acaba sendo normal alguma pessoa participar de um disco de outra banda, seja tocando, gravando, fazendo jams, produzindo, emprestando instrumento, fazendo a arte, vídeo e etc.

Fale sobre o EP... Como foi o processo de composição? A ideia inicial sempre foi lançar um EP de três faixas?

Todas as musicas foram feitas começando de um loop que eu fazia em casa, mostrava pro pessoal no estúdio e começávamos a trabalhar nele e assim foram surgindo.  A ideia era lançar algo para apresentar ao publico, já que a banda era nova e já estava aparecendo shows, quando terminamos a terceira musica sentimos que já seria suficiente pra consegui mostrar a cara da banda, gravamos e estamos aqui.
  
Em tempos de retorno e celebração ao vinil, algumas bandas estão apostando nesse formato físico em K-7. Como surgiu a proposta de fazer esse lançamento no peculiar e analógico demo tapes?

A gente estava terminando os áudios do EP e decidindo qual formato físico lançar, quando a Catamaram veio com a possibilidade de fazer as K-7, compramos a ideia na hora, apesar de algumas pessoas acharem ruim por nem sempre não ter onde tocar, acreditamos mais no K-7 do que no CD por exemplo, já que a fitinha é um souvenir bem mais legal hehehe.

Em um mundo em que as gravadoras têm cada vez menos importância e, mesmo no mercado independente, os artistas podem se lançar a partir de redes como o Bandcamp, qual o peso de um selo independente como o Catamaran Discos?

A Catamaram é duas pessoas e uma delas é o Gustavo, baixista da banda. O selo nos possibilitou fazer o K7, ajudando na prensagem e fazendo todo o corre burocrático pra mandar fazer. Além de ficar na frente da distribuição delas. A linguagem dos novos selos independentes tem o pé no chão, então como o dialogo é fácil e é um trabalho em conjunto, acreditamos e seguimos enquanto houver vantagem mutua.

Ouvindo o EP, percebe-se que a marca forte é o experimentalismo. Estou certa?

Sim, já que tudo ali foi feito na base de experimentar possibilidades de diálogos com equipamentos que nunca tínhamos usado ou sintonizados juntos pra trabalhar em cima de uma nova linguagem.

Como tem sido a recepção do público ao EP?

Por enquanto fizemos poucos shows e só dentro de Natal, por sorte sempre tocamos em festas que foram muito legais e a recepção sempre foi muito boa.  No virtual tem sido bem legal também, aos poucos vão aparecendo pessoas de todas as partes consumindo a até divulgando.

Como é a cena independente no Rio Grande do Norte?

Cada dia cresce mais e consequentemente exporta mais, hoje em dia qualquer festival no Brasil, grande ou pequeno, tem uma banda do RN e isso é reflexo do que tá acontecendo aqui. Muita gente envolvida construindo aos pouquinhos espaços e vitrines para nossa musica.

Quais bandas vocês indicam para o blog?

Vamos falar de algumas bandas do RN:  Igapó de almas, Fukai, Mahmed, Dusouto, Monster Coyote, Catarro, Tesla Orquestra…

Quais os planos futuros do KOOGU?

Agora estamos fechando a data do lançamento do k7 em Natal e depois pegar o carro e ir pra estrada, no meio desse processo sempre estamos compondo também, queremos mostrar algo no áudio visual, sempre em movimento como banda.

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