sexta-feira, 12 de junho de 2015

Entrevista - Fevereiro da Silva | O Baile Sonhador


Texto por: Rubens Herbst   


‘’Ainda estou aqui’’, canta Riccardo Borges no inicio e no desfecho de ‘’O Baile Sonhador’’, e a veemência com que faz isso conecta o segundo disco da Fevereiro da Silva com aquele primeiro, de 2011, em que a banda  de Joinville perguntava no titulo: Posso ser o Autor?. É como se ela celebrasse o vigor de sua opção pela música autoral e reafirmasse a crença na veia criadora. Mas o quinteto não o faz como parte de uma simples sobrevida – o que o novo trabalho mostra é uma banda amadurecida, mas determinada a ‘’viajar’’ dentro de sua identidade musical.

Sonhar, no vocabulário desses Silvas, é alimentar os princípios de liberdade criativa e permitir-se formular paisagens sonoras surpreendentes e até oníricas. Porque o bailado propriamente dito não está entre as prioridades do grupo desta vez. A rigor, apenas 50mg – que inaugurou os trabalhos de divulgação como single e um videoclipe acoplado – tenta conduzir o ouvinte à pista de dança. As outras 10 faixas mapeiam os experimentos com o rock e o groove abrasileirado.


Confira a entrevista com Lucas Machado, baterista da Fevereiro da Silva. 


Como foi o processo de formação da banda? 

Tudo começou com o fim do ammusia, antiga banda em que Ricardo (voz) e Lucas (bateria) participaram e resolveram continuar o projeto com outra formação, integrantes e nome. Assim, de 2006 pra 2007, nasceu o Fevereiro da Silva.

Teve muitas mudanças no decorrer desses dois álbuns? 

Mudança na formação somente o Hélio (trompete) que saiu oficialmente este ano. Mudança nas composições e em nossa maturidade como musico, bastante. Considerando os quase 4 anos entre o lançamento do primeiro para o segundo álbum.

Quais as influências de vocês? 

Somos fãs de rock, de samba, de rap, de reggae e somos influenciados por artistas como Raul Seixas, Chico Buarque, Racionais e Paralamas.

Qual a origem do nome da banda? 

Queríamos um nome que remetesse a mistura. Logo veio o nome Fevereiro, mês de carnaval e de saudosas canções, e o sobrenome Silva, de tantos foliões.

Como funciona o processo de composição? Todo mundo contribui? 

Sim. Nosso processo de composição é bem diverso. Não seguimos uma única forma de compor. Há composições com letra de um, harmonia de outro e melodia feita em conjunto. Como também rola musica de um só compositor ou outro que pega a letra de um e "musica".

Por que demoraram tanto para lançar o segundo disco? 

Ficamos quase dois anos fazendo shows do " Posso ser o autor?", nosso primeiro disco, e quando resolvemos compor o segundo, nos submetemos a um processo diferente do primeiro, onde fomos produzidos pelo nosso amigo Rafael Zimath (banda Somaa) desde as composições no violão, passando pelas gravações em estúdio e por fim edição e  mixagem. Demos o tempo necessário para que o resultado atendesse nossas expectativas. Acabou excedendo.

Durante esses anos devem ter rolado muitas composições. Como foi o processo da escolha do repertório do novo trabalho? 

Na verdade estávamos muito envolvidos com os shows do primeiro álbum e pouco produzimos pra o segundo até o final de 2013. Parece desculpa rsrs, mas na verdade não temos tempo pra se dedicar integralmente a banda, pois todos tem uma ocupação profissional formal, e por isso levamos mais de um ano, desde os primeiros meses de 2014, pra compor e registrar nosso segundo álbum.


Quais são as diferenças entre “Posso ser o autor?” e ‘’ O Baile Sonhador’’? 

A gente acredita que o registro de uma obra é consequência de como você está no momento, o que você esta vivendo, passando, escutando e claro, tocando. Esta "fotografia do momento" também influência nas letras, embora algumas delas sejam antigas, todas são nossas leituras para este momento. Outra diferença determinante foi o trabalho de composição que falei acima, isto refletiu nas estruturas das novas músicas, onde, por exemplo, surgiram refrões, pouco ou nada comuns no primeiro álbum.

Ainda falando sobre o novo disco, por que a escolha de ‘’O Baile Sonhador’’ para titulo? A arte gráfica da capa do disco remete alguma coisa? 

O nome surgiu no final das gravações, como uma sugestão do nosso  produtor Rafael Zimath. Pelo que lembro era um nome gigante, algo como "banda larga de um baile sonhador" kkk por aí. Gostamos do conceito e adotamos "O Baile Sonhador", que juntamente com a arte da capa, tem a intenção de criar uma atmosfera de sonho, de constante movimento, e porque não, do nosso sonho de viver pra música e pra ela dedicar todo o tempo que ela merece.

E como tem sido a recepção do público quanto a esse álbum? 

Está muito bom! Temos lido e ouvido muitas coisas legais, principalmente de quem acompanha a gente desde o "Posso ser o autor?". Estamos bem animados com a possibilidade de alcançarmos outras regiões do país e desde já agradecemos de coração a atenção que vocês estão nos dando. Gostaríamos muito de levar o baile pra Belém.




Como é a cena independente de Joinville? Quais bandas indicam para o blog? 

É bastante movimentada e fértil, com varias bandas produzindo EPs, albuns, clipes e fazendo shows. Nossa, é muita responsabilidade citar nomes, com certeza vou esquecer de alguém, mas vamos lá. Todas as bandas que citarei estão ativas, tem ou estão produzindo material próprio... Os Depira, Sylverdale, Somaa, Vacine, Uhul, Coletivo das Flores, Miopia e... (vou lembrar de mais alguém quando pressionar o botão enviar).

Quais os próximos passos da Fevereiro da Silva? 

Bem... Estamos na correria pra organizar nossa própria festa de lançamento aqui em Joinville, no próximo dia 4 de julho. Também estamos divulgando nosso clipe do single 50mg. Disponibilizamos o baile pra download gratuito em nosso site (www.fevereirodasilva.com.br), venda no google play, iTunes, streeming no spotfy, deezer, rdio. Isso tudo pra tocar pra caramba e levar nosso baile pra onde for possível levar.

Ouça ''O Baile Sonhador'' com download gratuito AQUI
 

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