terça-feira, 12 de maio de 2015

Entrevista - Mahmed - "Sobre A Vida Em Comunidade"

Foto Luana Tayze
Mahmed é uma banda instrumental de Natal, nordeste do Brasil, com influências que vão da música eletrônica/experimental ao rock barulhento. O som é muito intrigante e cria uma ambiência tranquila que te deixa calmo, como uma boa brisa. Talvez seja pela forte conexão de seus integrantes com o mar e a linda cidade que vivem.

O primeiro material do grupo é de maio de 2013, o EP "Domínio das Águas e dos Céus". O lançamento foi responsável por colocar o Mahmed no mapa dos melhores lançamentos daquele ano, seguido de uma série de shows em importantes festivais pelo país, como DoSol, Natal Instrumental e Campus Festival. 

Em 2014, o quarteto tirou o ano para preparar seu primeiro disco cheio, que foi gravado e produzido pela própria banda em seus estúdios móveis e caseiros. "Sobre A Vida Em Comunidade" soa como se John Frusciante tivesse passado semanas descansando em praias brasileiras, surfando e ouvindo muito dream pop e Tortoise. Os temas desenvolvidos neste registro são viciantes e fáceis de gostar, com ricos timbres de guitarra e um baixo cheio de groove que dança junto com a bateria, dando sempre a quantidade certa de espaço para os silêncios. Os vocais distantes e interlúdios trazem um sabor especial ao material. É definitivamente um som que representa bem as boas vibrações vindas de Dimetrius, Walter, Leandro e Ian, ainda mais transparente nos shows.

Confira a entrevista com o baixista Leandro Menezes.

Como surgiu a banda?

Eu sou amigo de Dimetrius (guitarra) há uns 15 anos, e sempre conversamos sobre montar um projeto, uma banda... Tentamos algumas vezes, mas nunca dava certo. Em 2012 descobri por acaso o soundcloud de Walter (guitarra), que já era meu amigo, mas não sabia que ele tinha essas músicas na internet. Ele fazia as músicas dele e gravava tudo em casa, esquema DIY mesmo, usando fruit loops, samples de musicas... Mostrei isso pra Dimetrius e ele pirou. Então decidimos chamar Walter para fazer um som com a gente, ele topou e foi mais ou menos assim que começou o embrião do Mahmed. Começamos compondo algumas músicas, mas ainda não tínhamos encontrado um batera. Em 2013, Dimetrius conheceu Ian (bateria), através de amigos em comum, e descobriu que, além dele ser um excelente baterista, tinha um home-studio irado. Perguntamos se ele gravaria a bateria de 03 músicas no estúdio dele e ele aceitou. E tamo aí até hoje tirando um som.

Quais as principais influências?

Difícil responder, a gente escuta de tudo um pouco. Estamos sempre pesquisando, conhecendo bandas novas. Sempre que alguém descobre algo massa, mostra pro outro. Não sei como explicar como as coisas que a gente escuta influencia no som que fazemos no Mahmed, mas enfim, no geral escutamos desde Racionais Mc’s até Elliot Smith.



Falando sobre o disco de vocês, foi um pouco demorado, né? Essa demora foi programada? Como foi a gravação do disco? Falem um pouco sobre o processo.

Gravamos durante um ano, exatamente. Entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015. Parece ser muito tempo, mas, olhando agora para trás, não achamos que demorou tanto, acabou sendo feito no tempo certo. Não foi nada programado, acabou acontecendo assim. Fizemos tudo no esquema caseiro, aquele mesmo esquema faça-você-mesmo do punk. Então era feito quando dava nos finais de semana, nos feriados. Sem contar que nesse meio tempo, tocamos bastante, o que ‘atrapalhava’ um pouco o processo de gravação. Então deixamos as coisas fluírem naturalmente. Sobre o processo de gravação em si, foi feito em várias etapas. Primeiro, gravamos a bateria na casa de Ian, daí partimos pra casa de Walter para colocar o baixo. Depois acrescentamos as guitarras, que foram gravadas tanto na casa de Walter, quanto na casa de Dimetrius. Foi um processo bem mambembe. Por último, Walter ficou responsável por dar a colorida final no disco, pincelando com samples, efeitos, camadas...

Vocês enfrentaram alguma dificuldade na produção do disco?

Acho que única dificuldade foi a grana que gastamos com cerveja. rs


Foto Luana Tayze

Como é que surgiu a parceria com a Balaclava Records?

A gente viu que o perfil da Balaclava tinha curtido nosso EP ‘Domínio das águas e dos céus’ no Soundcloud, então decidimos entrar em contato com eles. Acabou que essa ousadia acabou dando certo e hoje estamos bem felizes com essa parceria.

Contem como funciona a cena independente de Natal. Existe espaço para todos?

Para uma cidade pequena como Natal, acredito que a cena está em um momento muito bom. Não raro, a gente vê matérias em blogs e sites de outros estados falando a respeito da efervescência musical daqui. É claro que ainda existem dificuldades, mas vejo que aqui já existe um pequeno circuito de bares e festivais bem legais. Todo final de semana tem show com bandas locais e autorais, na minha opinião isso é ótimo.

Como vocês tem visto a evolução dos festivais? Ainda há como crescer mais?

Acho que os festivais estão se adequando a nova realidade do país, mas não sei se tenho muita propriedade para discorrer sobre esse assunto. Então vou falar do que anda acontecendo por aqui nas redondezas. Apesar da crise econômica que se fala tanto, aqui em Natal posso citar o surgimento de pelo menos dois festivais muito legais: Catamaram e Under the Sun, ambos organizados por membros de bandas daqui e amigos. Tudo feito no corre, sem edital ou verba pública, e parece estar dando certo. O Under the Sun, por exemplo, já teve duas edições e contando. Acho que é um bom sinal, mas é difícil prever como será a evolução disso daqui 2 ou 3 anos.



Existe um limite em tentar viver de música no Brasil ou isso é praticamente impossível?

No caso da gente, seria um sonho viver disso, tocar, viajar, produzir... mas infelizmente não vivemos de música, pelo menos ainda não. Por enquanto, todos na banda têm seus corres e trampos. Mas enfim, não acho que seria impossível viver de música.

Quais bandas indicam para o blog?

Vou citar algumas bandas aqui da cidade: Fukai, Kung Fu Johny, Igapó de Almas, Koogu, Zurdo, Tropicaos, Esquizophanque, Ópera Loki, Far From Alaska, Talude, Son f a Witch, Dusouto, The Automatics, Moloko Drive, Mamute... Tem muita coisa ainda que não tô lembrando agora... Sem falar nos nossos vizinhos, tem muita coisa boa rolando aqui no nordeste, ainda citaria Glue Trip(PB), Kalouv(PE), Anjo Gabriel (PE).


O que podemos esperar do disco e quais outras novidades para o restante de 2015?

Lançamos o disco dia 14 de abril e até aqui está tendo uma repercussão ótima. Vamos tocar bastante agora nos meses de maio e junho. Fechamos datas no RJ e SP no final de junho. Estamos a fim de tocar, viajar, mostrar nosso som por aí. Só chamar!

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