quinta-feira, 2 de abril de 2015

Leo Middea - Canções que viajam pelo mundo


Leo é garoto, mas não bicho do mato. É da rua, da Lapa, da boemia e do violão. Tal como Caetano, Chico e Gil, aprendeu a botar em acordes sua relação com a vida, com o porquê, com o sentimento de ser e se expressar. Evoluiu rápido demais para a banda que fazia parte acompanhar e logo notou que a estrada que mais queria estar não estava entre sua humilde casa e o próximo bar.

Em Buenos Aires, Santiago ou Punta Del Leste, não é difícil encontrar o carioca num bar, numa esquina, caminhando vagarosamente enquanto assobia alguma canção. Leo faz parte do povo e com ele compartilha os seus sonhos. Busca na relação com nossos hermanos reencontrar sua raiz, seguindo em uma turnê que, entre a quase centena de shows em grande parte do território sul-americano, já alcança mais tempo de carreira fora do que um dia teve no Brasil. Agora, Leo Middea é do mundo e o mundo se mostra em sua música.



Suas andanças, seus amigos e familiares estão um pouco dentro de “Dois”, sua estreia em disco, seja em afeto, seja em história, seja com dinheiro. Ao decorrer do disco é possível notar a ligação entre as músicas que foram cuidadosamente organizadas para se fundirem e contarem a história de dois momentos da vida do autor – por isso o nome do álbum.

A percussão, o gingado do violão, os pés inquietos, a roda se formando. Tudo dentro do disco tem um pouco da vida de Leo e seus estudos de teatro, cinema, circo e dança. Sua voz grave e suave, as letras diretas e o ritmo regional brasileiro trazem um frescor tropical ao cenário neo MPB corrente no Brasil, uma sugestão à novidade revisitando não só as influencias novas, mas buscando em nossos vizinhos uma estrada diferente para música feita com vivência e coração.

Desse pequeno tempo de vida, desse violão velho e dessa mochila cheia de saudades, estão um pouco da história de um jovem viajante inspirado pelo desprendimento, pela manifestação artística e pelo prazer de mostrar o seu talento por todo lugar possível. Se tantas casas, pessoas e cidades na América do Sul já se abriram para o Leo, porque não se deixar levar pelo balanço de sua música?


Nenhum comentário:

Postar um comentário