quarta-feira, 15 de abril de 2015

Gauche - O registro é um passeio por um terreno criativo e experimental


É provável que o registro mais famoso em língua portuguesa da palavra “gauche” (pronuncia-se “gôxe”) tenha sido do célebre "Poema de Sete Faces", de Drummond. A expressão, em francês, significa “esquerdo”, mas também pode ser “deslocado”, “desconfortável”, ou “torto”, como no poema do escritor mineiro. À parte qualquer referência poética, o som da banda Gauche, natural de João Pessoa (PB), transita entre a Psicodelia dos anos 60, Secos & Molhados, Os Mutantes, Clube da Esquina, Violeta de Outono, além do Britpop dos anos 90.

Após nove anos de existência, shows, festivais dentro e fora do estado e três EPs gravados, a banda, composta por Bruno Guimarães (vocal, teclado, guitarra base), Berg Ferreira (baixo), Luís Venceslau (guitarra solo) e Paulo Alvez (bateria), lança no final de 2014 o seu primeiro álbum, intitulado "Teatro de Serafins". Em 2013, a banda foi contemplada com a gravação do disco através do FIC Augusto dos Anjos, fundo de incentivo cultural do Governo do Estado da Paraíba.

O disco foi gravado e mixado por Ruy José, no Estúdio Mutuca, referência para os músicos da cena independente da região, além de ser o QG da banda pessoense Burro Morto. A produção musical foi assinada por Nildo Gonzalez, baterista das bandas Seu Pereira e Coletivo 401, Rieg e Sonora Sambagroove. "Teatro de Serafins" foi masterizado por Arthur Joly, no Estúdio Reco-Master, em São Paulo.

Em agosto de 2014, a banda lançou o single “Mágica”, a primeira prévia do disco. A música foi selecionada para a segunda edição da coletânea Music From Paraíba, da FUNESC, distribuída na 20ª Womex, maior feira mundial do mercado fonográfico, que ocorreu na Espanha, em outubro de 2014. Ainda em outubro, a banda lançou o seu segundo single, intitulado “Estrela Sob Fogo”.




Teatro de Serafins é o primeiro álbum da banda. Produzido por Nildo Gonzalez, o disco foi gravado e mixado no Estúdio Mutuca, em João Pessoa, e masterizado por Arthur Joly, no Estúdio Reco-Master, em São Paulo. A arte do disco foi feita pelo artista plástico Thiago Trapo.

Centrado em texturas melódicas, conduzidas por violões, guitarras, ou por teclados emulando sons de Mellotron, o disco tem como eixo central uma firme coesão entre o baixo e bateria, formando uma base sólida em que passeiam as variadas nuances de cada uma das suas 11 faixas. O álbum flerta com o Barroco Pop e a Psicodelia inglesa dos anos sessenta, mas que busca no Tropicalismo multicores e sem amarras dos Mutantes, e nas paisagens profundamente melódicas do Clube da Esquina, ecos conterrâneos a moldar e a definir o som.  Neste amálgama, juntam-se a atmosfera e as passagens climáticas do Pink Floyd com o som das guitarras e batidas do Britpop dos anos 90 para representar o espectro referencial do disco.

Teatro de Serafins é uma contemplativa e surreal jornada por um universo introspectivo, em que permeia a solidão, o vazio das relações humanas, o abismo do existir. Sem se tornar, contudo, um pesado desconsolo, por vezes se torna esperançoso, em sua profunda inquietude e inconstância. Transitando em uma espécie de dualidade cíclica, força propulsora da natureza (clareza e escuridão) e das condutas humanas, as músicas refletem definitivamente o espírito “gauche” da banda: deslocado das estéticas vigentes e livre para trilhar um caminho único.


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