quarta-feira, 15 de abril de 2015

Entrevista - Sivie Sue Mori - Drafts Misreads (2015)


Sivie Sue Mori, banda de Post-Hardcore formada em 2013 em São Paulo - SP. 
Composições entre caos e drama, Sivie Sue Mori chama a atenção para o gênero post-hardcore com influências norte-americanas. Suas letras, na maioria das vezes apresentam  um convite para a reflexão pessoal e autocontrole. ‘’Drafts Misreads’’ é o segundo EP lançado pela banda e mantem a carga máxima de elementos que expandem o repertorio torto e barulhento do grupo.  Conversamos com Jimi arrj e Mario Camino sobre o novo registro. Confira esse papo logo abaixo.




A pergunta clássica: Por que ‘’Sivie Sue Mori’’? A banda teve esse nome desde o inicio?

Sim, a banda teve esse nome desde o seu princípio e Sivie Sue Mori em uma tradução livre do latim significa "Deixa-la morrer" que por sua vez é livre para interpretação, assim como direcionamos as nossas músicas. Queremos que as pessoas sintam e revivam de certa forma suas experiências, pensamentos e caminho vividos.

Quais as influências de vocês?

Cara, a gente tem uma influência gigantesca, hahaha Tem a literatura de Franz Kafka, Allen Ginsberg, Kerouac, Osho, etc, diversos filmes, músicas que vão de Erik Satie a Pianos Become the Teeth e alguns conceitos de movimentos artísticos como algumas pitadas de dadaísmo. Mas a maior influência mesmo são as pancadas que já tomamos até aqui e o nosso som acaba saindo de forma natural, como se estivessemos contando algo para alguém.

Atualmente, quem toca na banda e como se conheceram?

Hoje nós somos Mario Camino (vocals/drums), Jimi Arrj (backing vocals/guitar), André Felipe (guitar) e Gabriel Tadeu (bass). Eu (Jimi) conheci o Mario através de alguns amigos em comum, falando sobre música eletrônica. O André tocava na banda de um amigo e o Mario viu que o Tadeu era louco no palco há uns 4 anos atrás e sempre quis colocá-lo na banda.



Falando sobre o novo EP, como rolou o processo criativo, composição de letras e músicas?

A composição das músicas do segundo EP vieram junto com as do primeiro e começamos a compor tudo em uma época que isso era a única coisa que nos restava fazer. Nos conhecemos em um momento de completa desolação, falar ou tocar algo que transparecesse isso foi algo que aconteceu de uma forma natural, nem era nossa intenção, nem nada. Conforme as coisas foram ficando mais claras para nós mesmos, mais transparentes fomos nas letras, mas ainda assim, as vezes nós mesmos refletimos sobre algo que escrevemos a algum tempo e acabamos interpretando de alguma forma. hahaha

E essa capa fodástica.. Quem desenvolveu a arte?

Essa capa é uma foto da tela que a nossa amiga, fotografa, pintora e grande artista Adriana Morais nos presenteou após ter ouvido os sons. É uma expressão dela sobre as coisas que dissemos e nós achamos que sua obra complementa as expressões das seis faixas do disco. Colocamos no encarte algumas fotos dela pintando a tela e ficou tudo incrível. Obrigado, Adriana!


Estava vendo que não Tem nenhuma faixa com nome de mulher nesse EP... Falem um pouco sobre a temática desses sons e por que preferiram soltar um novo EP ao invés de trabalhar em um Full Lenght?

As primeiras quatro faixas com os nomes de mulheres completam uma ideia e termina o EP com uma frase em aberto "An idea rising..." que se completa no segundo EP com "...while we fall..." "...and I call it Story." que é uma segunda ideia. Depois temos 4 faixas com nomes de lugares considerados sagrados ou que as pessoas vão para adorar algo ou alguém que são uma terceira ideia. Não significa que as letras se interliguem, muito menos a melodia, mas são sentimentos ou momentos que se sucedem, assim como as quatro fases do luto, por exemplo. Agora que essa cadência se fechou, estamos compondo para o Full Lenght que terá uma outra estética.

O EP anterior, ‘’Solitude, Selfless’’, teve uma reação bastante positiva. Como é gravar um novo trabalho com esse sentimento nas costas?

Definitivamente isso nos empolgou muito a gravar e continuar compondo e tocando! Sentimos um pouco a preocupação com a reação das pessoas sobre este novo trabalho, considerando que não soa tão melódico quanto o "Solitude, Selfless.", mas deixamos fluir e a receptividade do "Drafts Misreads" foi tão positiva quanto. Gratidão a todos!!



Como vocês se sentem em relação a esse novo trabalho?

É um sentimento de alívio que finalmente conseguimos expor algumas reflexões nossas e ficamos supresos com as pessoas que se identificaram com algo que dissemos nestes dois trabalhos. Tem quase 1500 plays no bandcamp em 10 dias que lançamos o Drafts Misreads. Para nós é algo importante de verdade! Agora iremos fazer alguns shows, vender alguns CDs para comprar algumas passagens para outros estados, sei lá.

Falem sobre o selo Black Seagull Records e como rola o processo de produção e distribuição da banda?

A Black Seagull Records é basicamente uma necessidade que sentiamos, com esse "novo" post-hardcore que está se criando aqui no Brasil, resolvemos não esperar, mas produzir nossos próprios eventos, nossos próprios EPs, prensagens, distribuição e tudo mais. A distribuição é feita nos shows, a venda online ainda não está rolando porque queremos prensar tudo que está no bandcamp, mas como é tudo independente, nem sempre a gente consegue separar um dinheiro para isso. É bem legal porque tem algumas bandas de fora do Brasil com interesse de divulgar material por aqui e nós ajudamos os caras e eles nos ajudam lá. Essa rede que se cria com algo independente é algo incrível! Enfim, caso alguém tenha interesse de distribuir ou prensar conosco, colem nos shows e mande uma mensagem na página da BSR ou email para blackseagullrecords@live.com


Como vocês enxergam a cena paulista na qual a banda está inserida?

Nós não sabemos dizer exatamente se nós estamos inseridos em alguma cena. Nós acabamos não nos focando em algum nicho específico. Estamos falando de coisas diferentes das coisas que cena X ou Y estão falando. As coisas são novas ainda, conhecemos algumas bandas desse emotional hardcore ou post-hardcore aqui em SP e algumas do Sul mas não enxergamos como uma cena sólida ainda, mas sim as bandas se enquadradando em outros rolês.

Ainda falta espaço para que as bandas independentes divulguem seu trabalho ou falta interesse do grande público em fugir dos sons tradicionais?

Muito pelo contrário, espaço existe de sobra para todos e existe muita gente buscando sons novos. É que as vezes nós mesmos precisamos expandir nossos caminhos.



O que precisa melhorar na cena para que as coisas evoluam?

Respeito. Evolui qualquer coisa.

Como está a cena hc/punk ai em São Paulo? Tem uma galera ativa organizando eventos, produzindo critica social, frequentando shows? Como é a integração das bandas de diferentes vertentes independentes?

Tem uma galera bem ativa sim. Tem diversos zines, tem evento todo final de semana em algum canto da cidade apresentando algum conceito ou ideal bacana! Na maioria das vezes a integração das bandas acontecem de forma bem coerente, conciliando algumas característica entre elas e tal.


O que vocês observam como a principal característica da cena independente nacional ao longo da primeira década dos anos 2000?

Eu (Jimi) acho que em primeiro lugar, hoje temos a facilidade de gravar nossos sons em casa ou no home studio de um amigo e isso viabilizou que ótimos projetos musicais circulassem, movimentando o círculo de amizades entre as pessoas e consequentemente, fazendo com que mais pessoas fossem inseridas nessa "cena" e criando cada vez mais coisas, seja música ou outra expressão artística ou política. Musicalmente, notei que as bandas se tornaram mais cuidadosas em expor suas noções musicais, explorando timbres, estéticas, compassos quebrados, efeitos, etc. A maioria das bandas das quais convivemos atualmente são assim e o cru foi ficando cada vez mais atrasado. A gente vive em um mundo cada vez mais complexo, acho natural as expressões soarem mais complexas.


Fora o Sivie Sue Mori quais outras bandas e projetos vocês tem participado atualmente?

Bem, o Mario e o Jimi juntos tem o "Vulto" que é um punk/hc/espacial de baixo e bateria, e o projeto audiovisual experimental "Behind The Lighthouse at 7pm". O Jimi tem um projeto solo de glitch/downtempo chamado Monochaotique, o Mario também tem um projeto minimalista/ambient/experimental chamado P A I C O, o Tadeu tem um projeto folk chamado Meekeness e o André está compondo as musicas de seu projeto solo folk/instrumental não intitulado ainda.

Quais bandas indicam para o blog?

Gostamos de Back to Odd, Nvblado, Under Bad Eyes, os malucos da Hollowood, Raça, Odradek, os jovens tristes da Jovem Werther, os cariocas da A Marcha das Árvores que fizemos a tour "Não existe glamour no roque pobre", entre outras!

Além da divulgação do novo EP, quais são os planos da banda para o restante de 2015?

Bem, no momento estamos focados em divulgar o "Drafts, Misreads" e tocar no maior numero de lugar que pudermos e quanto mais longe melhor. Estamos no processo de criação do nosso primeiro clipe e já estamos compondo as músicas para o full lenght que deve sair em 2016. Até o momento temos três músicas quase prontas e adiantamos que dá pra perceber a referência de Trophy Scars e Birds in Row. Obrigado galera do Primavera Noise, foi um prazer participar do blog e esperamos nos encontramos em breve pra trocar essa ideia pessoalmente!

https://www.facebook.com/SIVIESUEMORI
https://blackseagullrecords.bandcamp.com/

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