sábado, 25 de abril de 2015

Entrevista – A exuberância sonora presente no novo álbum da Jennifer Magnética

Foto: Paulo Donato

Jennifer Magnética é uma banda de rock psico-indie de Campo Grande (MS) formada por Diogo Zarate (bateria/voz), Jean Stringheta (guitarra/voz) e Rodrigo Faleiros (baixo/voz). O som cheio de influências ricas dos músicos, arranjos mágicos que flutuam por entre faixas, a capacidade de contar boas histórias, de se reinventar e não cair em uma zona de conforto é algumas de tantas marcas do trio que começou 2015 a todo vapor com o lançamento do  seu quinto álbum: O Nascimento dos Planetas.
Letras ao mesmo tempo reflexivas e divertidas, escolhas certeiras de melodias e presença de palco são alguns dos ingredientes usados pela banda para conquistar seu público. Cada faixa do novo álbum trabalha em uníssono, como um disco maduro sem soar chatoloide/intelectualoide e sem perde a jovialidade e energia. Sem ironia ou pretensão, ‘’O Nascimento dos Planetas’’ tem mais vigor e variedade sonora do que nos álbuns anteriores, podendo facilmente ser colocado na lista dos melhores lançamentos do ano. 


Confira a entrevista 

Como vocês se conheceram e quando decidiram formar a banda?

Eu (Jean Stringheta) e Rodrigo Faleiros nos conhecemos no curso de música da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Tocávamos juntos em uma banda, chamada Tomada Acústica. Quando Diogo Zarate entrou para essa banda e os outros integrantes saíram, resolvemos criar uma banda com proposta autoral em 2007. Assim surgiu a Jennifer Magnética.

De onde surgiu o nome ‘’Jennifer Magnética’’?

Foi baseado em uma colega nossa (nunca mais a vimos), que sofria alucinações e dizia receber mensagens interplanetárias através de campos magnéticos criados involuntariamente pela mente. O pessoal começou a chamá-la de Stéfani (este era o verdadeiro nome dela) Magnética. Lembramos dessa história quando procurávamos nome para a banda e substituímos o Stéfani por Jennifer. É uma história triste, mas gerou um bom nome! Espero que ela esteja bem e tenha diminuído a ingestão de alucinógenos...

Como definem o estilo da banda?

Esta é sempre a pergunta mais difícil de responder... Nós usamos muitos “estilos” musicais diferentes como inspiração ou referência, mas nunca definimos um em específico para seguir. Na verdade, nunca nem tivemos uma conversa sobre isso! Basicamente o estilo é “livre”.

Esse ano vocês completam oito anos de carreira nesse rolê alternativo. Mudou alguma coisa?

No circuito de shows, pouca coisa mudou, ou seja, você ainda tem que fazer toda uma correria para conseguir um espaço, produzir o show, estar em parceria com outras bandas, etc. Viajar, para a gente, também é difícil, pois Campo Grande fica longe de outros centros. A maior mudança continua sendo a internet. Cada vez mais os contatos e disponibilização de materiais (música, vídeos, flyers) são por esse meio. Para as bandas independentes, isto é ótimo, mas você precisa estar consciente de que vai ter que trabalhar pra caramba nesta plataforma! O trabalho vai bem além de shows e ensaios.

Vamos falar sobre o novo álbum. Qual o conceito de ‘’O Nascimento dos Planetas? Quais os sentimentos, fatos e histórias captados na essência das composições musicais? E consequentemente qual a mudança ou diferença deste álbum em relação aos anteriores?

O Nascimento Dos Planetas é um álbum variado, tentamos dar a ele uma produção orgânica, com os timbres dos instrumentos muito próximos em sonoridade durante todo o disco. Já as composições são muito diferentes. Têm músicas instrumentais, um blues elegante, surf music, uma música meio country cheia de modulações... Existe também, uma maior variedade de vocais. Além dos três integrantes que cantam, convidamos outros três, que contribuem cada um deles, em uma música diferente no CD. Em relação aos discos anteriores, acredito que estamos evoluindo e assumindo mais as rédeas da produção.

O que vocês ouviram e que acabou servido de influência para o álbum?

Não ouvimos nada especificamente para o álbum. Nós trocamos ideias sobre discos do inicio dos anos 70 para referência de sonoridade, mas isso não influenciou tanto no final das contas. Cada um dos três está sempre ouvindo coisas diferentes e trazendo ideias para a banda. Na verdade, nossa maior influência em comum são os Beatles. Nós juntamos várias músicas que cada um estava compondo sozinho, pegamos outras que estávamos compondo juntos e começamos a trabalhar, sem pensar exatamente em influência. Acho que tudo que a gente ouve e gosta acaba influenciando.

Como surgiu a ideia de clipes para cada faixa do novo trabalho? Vocês compartilham da estratégia de nuances do conceito midiática da imagem do videoclipe?

É, em primeiro lugar, uma estratégia de divulgação das músicas. Resolvemos ter um tempo (um mês) para focarmos na difusão de cada uma delas. Desta forma, nós divulgamos todo o álbum, e não apenas a “música de trabalho”. É também muito legal trabalhar com vídeos, essa coisa de criar uma imagem para a música. Além disso, o vídeo é quase uma necessidade hoje em dia.


Contem um pouco sobre a capa do novo álbum. O quanto pra vocês ela traduz o disco?

A capa foi feita pela Mari Armôa, ela trabalho com essa estética de arte. Tínhamos visto uma série de outros trabalhos dela onde ela incluía uma personagem integrada a um ambiente marinho, como parte do sistema deste ambiente. Como a música de abertura tem uma temática interplanetária, perguntamos a ela se seria possível criar uma personagem em um ambiente espacial. Ela disse ok e o resultado ficou muito bom! Todas as divulgações do disco estão dentro desta temática. A capa representa a amplitude, o nascimento constante de ideias e sentimentos.

O Nascimento dos Planetas tem participações especiais?

Sim. Giani Torres e Bianca Bacha cantam em “Preguiça” e “St. Gabriel’s Blues” respectivamente. Elizeu Nico, integrante da banda Gosbstopper, canta em “Campo Grande Oeste Solidão”. O Quarteto de Cordas Sonata toca nas músicas “Virar Pó” e “Sala de Espera 2 (Águas Escuras)”. Marcelo Fernandes toca violão clássico em “Preguiça”. Marcos Borges e Ivan Cruz, respectivamente violão folk e baixo acústico em “St. Gabrie’ls Blues”. Além disso, Alex Cavalheri, coprodutor do disco junto com a banda, tocou piano em “Virar Pó”,” 3 Minutos e Meio”,” St. Gabriel’s Blues” e “Campo Grande Oeste Solidão”, além de acordeão em “Espelho Frio”.

Como é a cena independente sul-mato-grossense? Quais bandas indicam para o blog?

Basicamente muitas bandas criativas em diferentes vertentes, como a psicodelia, o blues, o alternativo e o rock tradicional. Recomendo as bandas Gobstopper (acabaram de lançar o primeiro disco), Os Alquimistas e Professor Lao, além das cantoras Bianca Bacha e Giani Torres. Acredito que a cena local poderia suportar mais eventos, casas de shows e bares para a música autoral. Certamente existem alguns bares parceiros que investem na ideia, mas acredito que com um pouco mais de abertura, a cena local está pronta para ferver. Criatividade não falta!

Qual a principal diferença que vocês veem na cena underground nacional quando vocês começaram para agora?

Atualmente existem muitas coisas que chamam a atenção (ou passa despercebido) das pessoas na internet durante um ou dois dias. Antigamente as bandas tinham que estourar logo no início ou perdiam a chance, hoje em dia acredito que ficam as bandas mais persistentes e que entendem que precisam trabalhar muito para ter um material convincente e original. O reconhecimento não vem mais de uma vez, mas através dos anos.

Quem vocês enxergam como público da Jennifer Magnética? Qual o perfil de quem ouve a banda?

Acredito serem pessoas curiosas e que gostam de garimpar, procurar músicas novas, aqueles que não se contentam com a mesmice das mídias tradicionais. É aquele público que gosta de ouvir um álbum inteiro, ler as letras das músicas enquanto escuta.

Quais os próximos passos da banda?

Continuar divulgando “O Nascimento dos Planetas” e tocar. Estou louco para tocar este material novo. Vamos nos esforçar para agendar apresentações aqui e em outros Estados.


Baixe o disco AQUI 

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