segunda-feira, 27 de abril de 2015

A jornada de reencontro musical e emocional de Aline Lessa

Foto: Ph Rocha

A vida parece ser uma longa busca por algo que nos toque. Um amor para andar de mãos dadas, a satisfação por alcançar algum sonho ou objetivo, a vitória de pessoas próximas. Tudo nos toca um pouco, ao mesmo tempo em que pode gerar decepção. Assim aprendemos muito com a vida e com nossas buscas, conquistas e vivências.

Transformar essas vivências em melodias é a forma que Aline Lessa usa para se expressar para o mundo. Por seis anos, a jovem escreveu canções para sua primeira banda, a Tipo Uísque, gerando os álbuns “Afague” e “Home”, lançados pela gravadora Som Livre. Juntos se apresentaram de pequenas casas cariocas até o imenso palco do Lollapalooza Brasil, de programas de TV até o impressionante festival SXSW, nos EUA, gerando várias turnês, criando público fiel e tendo o merecido reconhecimento das canções que escreveu.

Assim, como uma líder interior, Aline direcionou musicalmente o trabalho do sexteto até decidir ir para um período de reformulação de sua carreira. A partir de 2014, começou a trabalhar em canções diferentes do rock alternativo de sua antiga banda, se entregando as influencias caseiras e serestas que ouvia com seu pai. Uniu aí seus estudos de violino e piano, além da participação em corais, para dar luz ao seu primeiro álbum solo, auto-intitulado e dotado de canções extremamente tocantes.

E não é apenas um disco, mas sim um trabalho que parece juntar Gal e Bethania de setenta, um pouco de Marisa Monte e algo atual, meio experimental e extremamente envolvente, com letras inspiradas e, pela primeira vez em sua carreira, feitas em português. O tom denso das faixas reflete a intensidade sentimental da cantora, que escreve sem pudores sobre si própria e como encara a dor sem fugir dela. Em resumo, pode-se dizer que é um disco de amor, não diretamente a uma pessoa, mas sobre o impacto do amor na vida.

Apesar da quietude, da introspecção, do ‘ser para dentro’ da Aline enquanto ser humano emocional, a sua produção conjunta com Elisio Freitas (produtor e arranjador do disco "Porquê da Voz", de César Lacerda) conseguem revelar uma cantora surpreendente, com voz doce, ao mesmo tempo forte e carregada dentro de seus sentimentos expostos nas 10 canções escolhidas, tornando o repertório homogêneo e confessional.

A realidade é que o caminhar fora da nova MPB brasileira a diferencia na multidão e isso só acontece porquê Aline não tenta emular alguma sonoridade ou cantora, mas apenas tocar o ouvinte com suas palavras, voz e melodia, transformando sentimentos em música, dor em poesia e vivência em arte.

O álbum está disponível para download e streaming
http://www.alinelessa.com/ 

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