terça-feira, 9 de setembro de 2014

Entrevista - Katty Winne


Katty Winne é uma artista alagoana, que faz um som meteórico com influências de My Bloody Valentine, Best Coast, Weezer, Sonic Youth, Slowdive, Pixies, Nirvana, Hole e um labirinto de referências. A moça de olhar tímido, faz um barulho de respeito, qualidade, forte e doce. Tudo combinando com uma estrutura melódica e uma pegada de Shoegaze, Dream Pop e estética Lo-fi.
Ao lado dos amigos Márcio Junior (Guitarra), Iran Félix (Baixo) e Junior Pinheiro (Bateria), Katty Winne prepara o aguardado lançamento do disco ''Shadows of the Moon''.

 

A Katty Winne (Pessoa) começou na música quando e como?

Comecei na música pequenina, sempre adorei cantar e fingir que tocava para o público. O triste mesmo é que só fui ter contato com uma guitarra aos 18/19 anos. Aprendi sozinha e acho que sempre foi algo no sangue. Meu pai é músico e cresci ouvindo música de boa qualidade, boa parte da infância por causa do meu pai. Na adolescência eu era apaixonada por MTV e nessa fase de quase adulta, eu conheci muita gente envolvida com bandas boas e com um universo musical parecido com o meu. Toquei em algumas bandas, montei projeto solo (que rendeu a banda Katty Winne), toquei em bailinhos de igreja, toquei em festas underground, toquei na igreja por muitos anos, me vejo envolvida com música desde que nasci.


Como rola a cena independente alagoana? Quais as bandas você indica para o blog?

A cena anda melhor de que nunca! Estamos vivendo um momento muito bom aqui. O que antes era palco de bandas de Metal e Hardcore, hoje em dia é palco de bandas Indie, Pop, Rock' n' Roll em geral. O momento é propicio para quem quer mostrar seu projeto, tem alguns coletivos tomando conta dos eventos, tem movimentos voltados pra divulgação e comunicação entre bandas, tem gente trabalhando voluntariamente pra fazer a coisa acontecer, estamos em um momento realmente maravilhoso. Aqui em Alagoas tem tanta banda boa que eu adoraria que o mundo conhecesse! Tem a Necro, que é uma das bandas mais legais que eu conheço - banda de Hard Rock e tal - com uma mina na guitarra e um show que deixa você hipnotizado. Tem a Baztian que faz um som Emo/Grunge, mas emo tipo antigão, algo meio Real Emo. Tem a Flowed, que é uma banda de grunge pauleira. A banda Pormenores, que é do interior de alagoas e os caras fazem um som com ótimas influências e uma pegada única.


Como você percebe a música independente brasileira hoje em dia? Quais os erros e acertos? É um cenário que se sustenta?

É um cenário que vem crescendo bastante, tanto em quantidade como em qualidade. Existem bandas muito boas, e há lugares mais desenvolvidos (como Natal - RN) onde a possibilidade da cena crescer é maior, e lugares ainda se organizando. É um cenário que se sustenta, mas que precisa de um esforço de todos os envolvidos para criar mercado. É basicamente uma troca entre as bandas e produtores, você não consegue tocar em outros lugares só por querer, é preciso haver contato com o pessoal que organiza e faz acontecer. O público é um resultado desse intercâmbio. O ponto negativo do cenário independente é que temos o risco de encontrar um público reduzido, o equipamento sonoro pode não ser tão bom o suficiente para uma boa apresentação, o investimento pode não sair como o planejado, no final das contas, você vai mesmo para fazer seu nome.


Existe relevância nesse mercado?

Comercialmente, sim. Tem banda que foi gravar com boas gravadoras, que fez show em outros paises e tem conseguido um espaço bacana para tocar. Artisticamente, tem também. Poque há essa possibilidade de parceria, há bandas de todos os estilos e é possível sempre encontrar uma sonoridade cada vez mais adequada ao gosto de cada público.


Muita gente acha que por ser independente, gravar um disco é fácil. Qual sua opinião sobre essa questão?

Não é. Falo por experiência própria. Pesa muito a disponibilidade financeira dos membros, a ajuda de parceiros, tudo isso interfere num prazo, por mais que você crie um cronograma. É preciso buscar melhores equipamentos, saber fazer a produção de si mesmo, a não ser que a banda consiga pagar seus produtores. O dinheiro chega a ter uma função importante, no sentido da rapidez da gravação de um disco. É preciso haver todo um planejamento, no final das contas.


Sobre seu novo disco, ''Shadows of the Moon'', era pra ter sido lançado em 2013. Qual o motivo do atraso?

O motivo do atraso foi basicamente a demora para a aquisição de melhores equipamentos de gravação. O equipamento que tínhamos é o que foi usado na gravação de Molly Gun. São equipamentos limitados, e que para o nosso álbum nós queremos algo menos lo-fi e de uma qualidade superior ao EP Molly Gun, principalmente por se tratar de um disco ''cheio''.


Ouvindo os singles do novo disco, percebe-se uma sonoridade alternando Shoegaze, Grunge e Lo-fi. Essa será a tônica de todas as faixas?

Não. A nossa banda, desde o inicio, nunca pode ser definida à um só estilo. Antes, em Molly Gun, eu criei a ideia geral de sonoridade. Hoje, todos da banda participam das composições, temos bandas em comum que gostamos, mas também temos gostos específicos. Se antes já tínhamos essa variação de gênero, hoje temos mais ainda. No álbum, tivemos influências de Pixies, Weezer, Sonic Youth, Pink Floyd, Silversun Pickups, além do Dream Pop, Grunge e Shoegaze de sempre.



Qual a diferença de Molly Gun para Shadows of the Moon?

Antes de tudo, a qualidade. Depois, a composição, que agora está sendo feita por todos. A banda está bem mais madura, mais segura e mais planejada.


Você lançou ''Sweetheart'' como seu primeiro videoclipe? Como foi a escolha dessa música?

Sim. Tínhamos lançado About a Boy antes. Depois de um tempo, por estarmos sumidos da rede, decidimos gravar uma música que firmasse a diferença sonora e filmamos algo que tivesse a ver com Alagoas. Surgiu ''Sweetheart'', uma música Dream Pop com pegada mais praieira. Gravamos tudo independente com amigos, muito espontâneo, com cenas de uma praia de Maceió. Acabamos por unir o útil ao agradável, e o resultado foi aquele.



O que você tem ouvido e o que acabou servindo como referência para a construção do novo disco? Como se deu a etapa de composição e criação das melodias?

Basicamente, o que quase sempre costumamos ouvir: Slowdive, My Bloody Valentine, Silversun Pickups, Pink Floyd, Yuck, Nirvana, Deerhunter, Weezer, Sonic Youth, Pixies, Seapony, Best Coast, Beach Fossils. Existiram varias etapas, gravações, pausas e composições que surgiram no meio do processo, quando já parecia estar definido. Inicialmente, costumamos compor as músicas nos violões e depois repassamos para o nosso guitarrista e produtor, que cria uma demo com as músicas e passa para nós, onde criamos os arranjos e definimos o som final à ser gravado em estúdio.


Você tem planos de regravar o primeiro EP, ''Super Universe''?

Não. As músicas que deveríamos reaproveitar já foram, como ''Universe''. Super Universe foi um EP criado de maneira inexperiente ainda, com programas simples e captação mito caseira, as letras eram meio adolescentes e não há a intenção, por enquanto, de ter esse projeto de regravação em mente.


Fale sobre o Lemonoise Folkpie?

O Lemonoise Folkpie é a minha necessidade de ter um projeto folk, porque há muito eu sou apaixonada por folk, artistas como Johnny Cash, Bob Dylan, Joni Mitchell, Neil Young, Neko Case... Desde 2010, quando comecei a fazer música, eu tive algumas composições nessa linha. O Lemonoise não é uma banda formada, mas uma parceria entre outros artistas, como uma gravação com Arthur Azoubel, da Team.Radio, na faixa ''Dual''.



Vamos falar das letras, cantar em inglês é mais confortável pelo som que você faz? Ainda existe uma barreira do público com o idioma?

Ainda tem gente com preconceitos, mas nossa banda na verdade é voltada para fazer músicas internacionais. Não fazemos músicas nos moldes brasileiros, ainda que ''Hidrometeoro'', que é uma música em português, consideramos também ser confortável cantarmos em inglês.


E sobre o que falam as letras? São autobiográficas?

A grande maioria é autobiográfica. Falam sobre experiências passadas e presentes, e sobre coisas que almejamos no futuro.


Para quando está previsto o lançamento do disco?

Nossa intenção é lançar o álbum ainda esse ano.


Quais os planos para a divulgação do disco, shows e etc etc?

Temos muitos parceiros que desde o inicio estão com a gente e que aguardam o lançamento do álbum. Também estamos planejando fazer turnê em 2015 para rodar o Brasil e em alguns países já temos contatos.



Links:
 http://winnelofi.wix.com/kattywinne         
 https://twitter.com/winnesunshine       
 https://www.facebook.com/kattywinnerock       
 https://www.youtube.com/user/kattywinneband       
 https://soundcloud.com/kattywinne
 
Lemonoise Folkpie:

           
         

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