segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Voando com o novo lançamento da Mutuca Bacana

O som da Mutuca Bacana é um roteiro temperado. O grupo é, antes de mais nada, formado por compositores com a proposta antropofágica de experimentar. Assim, revezam instrumentos entre si, refletindo o clima dos encontros e um certo desapego por uma estrutura rígida. O produto final é, antes de tudo, uma busca. O equilíbrio é dinâmico e o resultado disso tudo é um liquido homogêneo, que não explicita influências mas cria climas e sensações. Guitarras, violão, flauta, bandolim, baixo, piano, sintetizadores, bateria e percussões são explorados, numa constante transformação.

A banda carioca surgiu após uma longa convivência musical em diversos projetos. Com o passar do tempo, as músicas tomaram forma e a brincadeira ganhou um nome, deixando de ser apenas ma simples e inevitável forma de expressão. Nasceu a Mutuca Bacana.

Formada por Christian Dias, Huan Valpassos, Luiza Lou, Rodrigo Pires e João Gabriel, a banda conta com dois EPs em sua bagagem flutuante. ''Mutuca Bacana'' (2011) e o recente ''Pós Tudo Pré Nada'' (2014), que foi lançado dia 04/08 de forma virtual e com show de lançamento para o dia 12/09 na Festa Labirinto, no The Maze Rio (RJ).

Aproveitamos para bater um papo com o músico Christian Dias sobre o novo trabalho e outras coisas que giram ao redor da Mutuca Bacana.

- ''Pós Tudo Pré Nada'' é o segundo EP da Mutuca Bacana, Filho mimado, Pós Tudo Pré Nada chega ao mundo depois de quase dois anos de trabalho. Disco feito de forma totalmente independente, produzido pela própria banda, gravado e mixado num recanto chamado Vargem Grande, no Rio de Janeiro.

    

Vamos começar pelo básico: Como surgiu a banda? Qual a origem do nome? Como apresentariam o seu som?

Abanda surgiu de maneira quase espontânea; eramos um grupo de amigos que se reunia com frequência  para tocar e compor. A faísca inicial foi uma música composta pelo Rodrigo Ribeiro e eu (Christian Dias), chamada ''Quatro Quadrados''. Gostamos muito da sonoridade que alcançamos e do clima que a letra passava, então procuramos compor coisas que tivessem uma certa sintonia com esse som. Ao logo do processo outros amigos contribuirão muito, com ideias e músicas novas, e isso foi fluindo naturalmente até um ponto em que já tínhamos um ''repertório'' considerável. Nesse momento começamos a pensar em transformar aquilo numa banda, mesmo, em quem tocaria qual instrumento, arranjos e assim por diante. Foi mais ou menos por ai que pensamos no nome ''Mutuca Bacana''. Essas palavras foram o resultado de um brainstorm coletivo que ninguém lembra com muitos detalhes... Queríamos algo sonoro e com humor. Fomos buscando palavras e combinações entre elas, cada um escrevendo mil sugestões, quase um mosaico, até que chegamos nesse. Foi o primeiro que agradou a todos.
Temos muita dificuldade em apresentar nosso som, em palavras, como quase toda banda. Gostamos muito das misturas entre estilos e sonoridades que começaram a ocorrer a partir dos anos 60, tanto no Brasil quanto fora. Nossa postura é que os estilos estão ai para brincarmos, acho que nossa preocupação é mais com a música em si, com o som, com a composição. Se ela está legal, se está divertida, se vai bem junto a letra, se estamos passando a mensagem que queríamos. Não importa muito se o compositor trouxe uma ideia para um baião, um tango ou um punk rock. A gente mastiga essa primeira semente e cria a nossa maneira de representar o estilo em questão. Pensamos muito nas músicas enquanto algo que tem uma unidade, como climas que tentamos expressar musicalmente.


Voltando ao inicio da carreira de vocês. Como surgiu a ideia de fazer uma banda que transforma loucura em versos e sons?

Pensando agora, eu diria que não foi bem uma ideia de fazer isso... Em nenhum momento ninguém teve um insight assim. Foi mais uma consequência de observar e tentar entender melhor o que nós já estávamos fazendo, de forma instintiva. No inicio a gente simplesmente pegava os instrumentos e tocava, não era uma coisa muito racionalizada, planejada, sabe? O importante era tocar e criar e se divertir com isso.


Qual a formação da Mutuca Bacana?

Ao longo dos anos passamos por algumas transformações. Hoje somos um quinteto, com Luiza Lou (voz, percussão e teclado), Christian Dias (guitarra, bandolim, voz), Huan Valpassos (teclado, guitarra, voz), João Gabriel Menezes (baixo) e Rodrigo Pires (bateria).


O que andam escutando ultimamente?

Acho que todos na banda escutam muitas coisas, variadas, por estudarmos música. Do erudito ao samba, aos hippies até as coisas mais modernas e eletrônicas. Eu tenho ouvido muito os primeiros discos da Gal, Di Melo, John Frusciante, Rodriguez, Funkadelic e Radiohead. Isso é muito do momento; semana que vem ou na outra já são outras coisas.


Como funciona o processo de composição da banda?

Na Mutuca nós sempre tivemos muitas composições em parceria, acho que em função desse inicio colaborativo e despretensioso. Normalmente alguém chega com uma letra, ou com uma harmonia, mostra ela pros outros, diz o que quer, que sentimento a canção traz. Mas cada caso é um caso; as vezes alguém chega com tudo pronto, sabendo exatamente o que quer.


Ouvindo a banda, percebe-se uma sonoridade dos anos setenta. Como é desenvolvido esse som dentro do mundo mutuca?

Essa sonoridade acaba transparecendo, por conta da formação musical que tivemos, em comum, e também da nossa afinidade enquanto público, pessoa, ouvinte. Mas na verdade não é algo que chega a ser desenvolvido dentro da banda. É mais uma coisa que está ali, presente, latente. Alguns de nós têm essa identificação com timbres, instrumentos, conceitos dessa época. De modo geral acho que os anos 60 e 70 foram um período muito rico, musicalmente, por todo o mundo. l acaba sempre ali, presente, mas de forma natural. Na verdade até nos preocupamos um pouco; não nos agrada muito a ideia de fazer um som retrô. Somos afetados pelo nosso tempo, por toda uma sorte de estímulos de todos os lugares, que, acredito, acabam se manifestando na nossa música também.


Sendo uma banda que transita nesse circuito, como vocês enxergam a cena musical independente atual?

Nossa percepção é de que há muita gente se mexendo, produzindo, criando e tendo resultados bem legais. Tanto em termos musicais quanto no sentido de eventos, divulgação, etc. A cena independente, graças à internet, te proporciona uma visibilidade e um contato mais direto com o público. Por outro lado, muitas vezes as condições são precárias e amadoras.


O que vocês pensam sobre as gravadoras? Hoje em dia é mais fácil ser uma banda independente?

Sobre as gravadoras, nossa visão é ''de fora'', pois nunca tivemos contato com nenhuma delas para tirar conclusões mais válidas. Sem dúvida, alguma parte de nós se interessa pela propaganda que as grandes gravadoras representam, no sentido de uma visibilidade enorme, estúdios profissionais, equipe, etc. Mas ao mesmo tempo, não ter que cumprir contratos nos dá muita liberdade. Sem dúvida hoje em dia é mais fácil trabalhar fora de uma gravadora por conta da internet. Criou-se uma espécie de classe média da música; você não precisa mais de um estúdio gigante e de uma gravadora para lançar, tocar e ser ouvido.


É la no Rio de Janeiro, Como funciona o cenário underground? Quais bandas indicam para o blog?

O Rio de Janeiro sofre muito pela falta de espaços apropriados. Muitos que eram interessantes fecharam. Nesse sentido, tem muita gente boa tocando na rua, em bares e casas bem underground. Acho que o fato de ser uma grande metrópole também acaba criando uma certa concorrência para os artistas que estão começando, pois quase toda semana temos shows de grandes nomes, shows internacionais, etc. Mas apesar da dificuldade, há muitas bandas adotando estratégias criativas, conseguindo seu espaço e sendo muito bem recebidas pelo público. Tem muitas bandas ótimas; Os Vulcânicos, Gente Estranha no Jardim, Beach Combers, Reflézia, O Padre dos Balões, para citar algumas.


O que dá pra contar sobre a gravação do segundo EP? há previsão de lançamento, números de músicas, formatos físicos, clipes, shows?

O lançamento foi ontem, 4 de agosto! Lançamento virtual, né. Hoje mesmo o ''Pós Tudo Pré Nada'' está disponível na internet, para streaming e download gratuito. Além disso, já temos data para o show de lançamento oficial do disco físico: dia 12 de setembro, na Festa Labirinto, no The Maze Rio. Assim como o primeiro EP, ''Mutuca Bacana'' (2011), o segundo traz cinco composições inéditas.


Para compor a melodia e sonoridade desse segundo disco, Quais foram as principais influências de vocês?

Acho que fomos muito influenciados pelas mudanças que o grupo viveu, pelo aprendizado de pegar a estrada, fazer muitos shows, perceber coisas que podiam melhorar, ganhar experiência, intimidade e entrosamento. O primeiro EP foi gravado quando a banda existia há poucos meses. Dessa vez já tínhamos em mente uma sonoridade, um conceito, conhecemos melhor as músicas, tivemos mais tempo em estúdio e, dessa forma pudemos experimentar mais.


O EP ficou com uma arte de capa muito foda. Quem idealizou o projeto gráfico?

A parte visual é muito importante para nós. Sempre fazemos uma geleia geral com ideias de todos e aos poucos vamos buscando convergências, filtrando e caminhando para algo mais concreto. Dessa vez a arte ficou por conta de duas artistas aqui do Rio, a Ingrid Bittar, que faz colagens maravilhosas e a Bárbara Gondar, que é designer e já fez muitos flyers para a gente. Acabou que descobrimos que uma colagem da Ingrid tinha quase todos elementos que tínhamos em mente, e a Bárbara adaptou para o formato do CD, fez a diagramação e os textos.

 
Qual é a expectativa da contribuição do público nesse novo trabalho?

Bem grande. Nesse contexto de independência o público tem uma função muito grande na divulgação e no retorno que a banda tem, tanto nas apresentações quanto na internet. Além disso, o carinho e a energia que recebemos são grandes motivadores para continuarmos produzindo.


Quais são os próximos passos da Mutuca Bacana?

Os próximos passos são fazer o ''Pós Tudo Pré Nada'' rodar o máximo possível, tanto pela divulgação como através de shows, além de fazer clipes para as músicas e seguir compondo e trabalhando. Até agora fizemos dois EP's, alguns videos e mais de sessenta shows. Acho que um álbum completo seria muito bem vindo! Músicas não faltam.  
            
  

Streaming e Download do novo disco:https://soundcloud.com/mutucabacana/sets/postudoprenada
Links: https://www.facebook.com/MutucaBacanaOficial
          http://www.mutucabacana.com/
          https://soundcloud.com/mutucabacana
          https://www.youtube.com/user/MutucaBacana

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