domingo, 3 de agosto de 2014

Entrevista - Onze perguntas para Iza Haber

A jovem mulher, Iza Haber começou cedo na música e ao longo desse processo, surgiu a Stigma. Banda que fez um certo barulho na cena roqueira paraense. Iza encontra no primeiro registro em carreira [quase] solo uma ruptura intencional em relação a sua antiga banda. Uma espécie de fuga de um cenário abastecido e anêmico por violões minimalistas, ruídos graves, sonoridade em tons menores, letras em inglês, poucos versos e bem longe da esparrela hiperbólica. Nessa primeira entrevista do blog, convidamos a simpática e talentosa Iza Haber para um bate-papo regado com muito mantra, originalidade, sumidade e pragmatismo.
Saca só..

Vamos começar com uma pergunta bem simples: Iza, apresente-se, diga como começou na música, projetos e outras coisas?

Você já me apresentou: Iza. Simples como o nome que uso. Existo em três vertentes, como as três letras do meu nome: MÃE de duas menina (Zoe e Alice); PROFESSORA e ARTISTA. Componho, canto e toco para ajudar na composição. Comecei na música desde que nasci, acho, mas as apresentações vieram quando tinha 15 anos. Desde o primeiro contato com o lado ''compromisso'' da música, não larguei.
Hoje tenho 30 anos de idade, 15 de ''carreira'' e um pouco de história pra contar.


Agora falando de Iza e Agregados, de onde surgiu a ideia de montar esse projeto?

Mesmo depois de encerrar o Stigma e ganhar minha primeira filha, continuei compondo de maneira despretensiosa e participando de músicas de amigos. Foi um deles, o Camillo Royalle, que meteu corda: Iza, tá na hora de meteres a cara e criares tua carreira solo. Como eu gosto de doidices, resolvi ver no que ia dar. Os agregados são os amigos que me acompanham. A ideia inicial era não ter banda, porque eu já não tinha paciência para lidar com chiliques e outras coisas desagradáveis de um conjunto musical, então, deixava isso claro aos meus convidados e dizia a eles que eram livres para participar enquanto houvesse tesão. Para minha sorte, mantenho um grupo fantástico de colegas e amigos que tão comigo nessa e não abrem.


Como é o seu processo criativo para compor músicas? no que você se inspira?

Não sei se tenho um processo criativo, isso parece receita, linha de produção. Tenho insights. Escrevo sobre tudo o que vivo e o que não vivo. O que me soar poético e interessante vira música. Sem qualquer intensão. As melodias surgem. Tem muita coisa que gosto, mas jogo fora porque não me convence. A música precisa me fazer feliz e dar tesão, do contrário, vai pro limbo.


De acordo com a discrição no Facebook, iza passeia em meio a diversos ritmos urbanos - Rock, Eletro-Rock, Eletrônico, Industrial, Pop, Punk, Metal - como você converte todas essas vertentes na sua música?

Essa descrição precisa ser trocada. Sim, de certa forma há esse passeio, mas ele é maior do que isso, vai para além do urbano. Considere-me uma espécie de flanêur musical. Ouço fados, jazz, lounge, industrial, Brody Dalle, Blur, Vive la Féte e tudo isto e ainda Mozart está na minha música. Nem pense em buscar ingredientes destes que citei (alguns podem até ter), busque a alma dos que falei. Passeio por ritmos e cadências que me agradem. Eles aparecem de acordo com o insight. As portas ficam abertas e passa o que na situação couber.


Qual a formação da banda que te acompanha (nomes dos integrantes e o que eles tocam) e como se deu essa relação de construir o disco?

Hoje meus parceiros são: Carlitos (batera- fiel escudeiro!!!), Raoni (baixo- o homem das imagens), Sabá (guitarra- o homem do solo e das vozes) e Ivan (guitarra- meu produtor musical principal). Não sei como se deu essa relação.... a gente se curtiu! Eles curtiram minhas composições e acho que foi isso. A construção do primeiro disco não foi tanto em conjunto, mas ajudou bastante o entrosamento nos arremates e transformações de algumas canções. Gosto pra caramba dos meninos que tocam comigo.


E o titulo, ''Música Popular Roqueira'', como foi pensado?

Antes de começar meu disco ( que primeiro era single, depois virou ep, até chegar em disco mesmo), eu estava ouvindo exaustivamente Vanessa da Matta ( Bicicletas, bolos e sei lá o que mais) e comecei a perceber que o CD dela e de muitos outros artistas da MPB traziam varias influências de ritmos brasileiros: Forró, Xote, Bossa, Samba e por ai vai. Dai comecei a pensar.... e se rolasse algo assim mas com rock? Tantas vertentes! Abaixo o preconceito, né? Mesmo não seguindo uma orientação, as músicas do meu 1º cd acabaram ganhando essa característica... Se você perceber você vai encontrar influência de várias vertentes... do rock.

          
Todas as letras são de sua autoria?

Sim. Letra, alma e melodia.


Você já integrou a banda Stigma, como isso agregou ao seu novo trabalho?

Bem, o Stigma durou 8 anos.... Eu era uma adolescente boba e sai uma adulta meio confusa e grávida. Em 8 anos cantando e cantando, ouvindo criticas, estudando o próprio canto e o de outras pessoas alguma coisa acho que aprendi. As pessoas dizem que amadureci no meu cantar. Que bom, né?


Nesses 15 anos de carreira, o que mudou? na sua opinião quais são as maiores dificuldades da cena autoral paraense?

Pergunta polêmica hehehe Olha, se em 1 noite muita coisa muda, imagina em 15 anos. Mudou tudo minha visão de mundo, o que influencia nas letras, melodias... em tudo. Não me fecho para mudanças... no segundo disco vocês vão perceber isso. Agora sobre a cena, falar sobre as dificuldades é falar sobre um contexto todo que envolve: Público mal acostumado, Classe musical com comportamento estranho e, claro, Infra-estrutura pífia para shows. Mas, sinceramente? Não considero isso DIFICULDADE, no sentido de serem obstáculos que tornem o troço impossível. Sei lá, sou muito da turma do Do It Yourself, não espero ninguém, vou lá e faço. Se o público que espero não comparece, busco parcerias e conheço outro público. Decidi não viver da música para não torna-la uma atividade chata. Música para mim é loucura e maravilha, é um estado astral muito doido e eu vou partilhando isso com quem quiser. Vendo as coisas por esta óptica, realmente as dificuldades ficam em segundo plano.

  

O que você tem ouvido ultimamente? quais as bandas recomenda para o blog?

Olha, banda que eu recomendo? Acho que o Baudelaires tá com um som muito legal, curto o show deles, gosto também das músicas do Aeroplano, eles são fantásticos. Of Monsters and Me é uma banda bacana para se ouvir almoçando no domingo. Ah, anota também a Cuca Roseta, uma fadista potuguesa nova, linda e mega talentosa. Ela compõe e interpreta de forma impecável.


Quais são os próximos planos?

Os mesmos do inicio do projeto: não ter planos. Mas há um projeto em andamento: o 2º disco.


EXTRA: Valeu, pessoal, pela força que vocês vêm dando aos artistas desta cidade. Os artigos carinhosos e cheios de amor que vocês postam ajudam muita gente. Beijos, Iza!

Links: https://soundcloud.com/izamusic
            https://www.facebook.com/sitedaiza?fref=ts

Um comentário:

  1. Música para mim é loucura e maravilha! Tem sido um prazer Iza!

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