terça-feira, 27 de junho de 2017

gorduratrans lança seu segundo disco, "paroxismos"

Foto: Lucas Santos

O duo fluminense gorduratrans lança seu segundo disco, intitulado “paroxismos”, pelo selo Balaclava Records. Com nove faixas, o registro sucede o bem recebido “repertório infindável de dolorosas piadas”, que saiu em setembro de 2015 pela extinta Bichano Records e rendeu à banda turnês extensas no Sudeste e no Nordeste.

Produzido no início de 2017, “paroxismos” apresenta faixas mais variadas que seu antecessor, divididas entre dinâmicas leves (“vejo fantasmas em seus olhos”, “quando boas lembranças se tornam torturas”) e pesadas (“problemas psicológicos se tornam físicos”, “linha tênue”, “7 segundos”), além de experimentalismos. Mais completo e plural que o álbum de estreia.

“A principal diferença para o primeiro disco é que tivemos mais tempo para produzir, absorver outras referências. Além disso, conseguimos gravar em estúdio com a grana que ganhamos com o streaming do disco. ‘Paroxismos’ é um disco mais denso, melhor estruturado, feito com mais calma”, avalia Felipe.

Formado em junho de 2015 por Felipe Aguiar (guitarra e voz) e Luiz Felipe Marinho (bateria e voz), o gorduratrans é um duo carioca de shoegaze, noise rock e noise pop com letras em português. O disco de estreia, “repertório infindável de dolorosas piadas”, ganhou destaque em vários veículos da imprensa nacional e internacional e presença em listas de melhores do ano.

O álbum “paroxismos” está disponível para streaming nas principais plataformas e em breve em formato físico.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ximbra - A Maldição Desta Cidade Cairá Sobre Nós

























Ximbra são cinco homens muito irritados em seu álbum de estreia  A Maldição Desta Cidade Cairá Sobre Nós. O disco é uma fusão torcida de punk, hardcore e a cena de música rock de Maceió (Alagoas) desde o início deste milênio. Combinando a escassez da música com um acompanhamento visual deliciosamente lofi,  a banda carrega um híbrido de punk-rock selvagem, arruinamentos e passagens ocasionais de alguma coisa muito mais restrita. São esses momentos guturais de esplendor incondicional, onde a Ximbra se transforma em uma ancora visceral descontroladamente atraente.

O disco não é, estritamente falando, um disco hardcore tradicional. Seus momentos melódicos saem das melhores músicas do Built to Spill , sua urgência catártica é lançada em bandas  como Rites of Spring e, finalmente, um senso de espírito comunal. É um registro que muda de ritmo de momentos rápidos para períodos mais reflexivos mais silenciosos com vozes gritadas / gritadas, e então, claro, o chama no rosto de novo. Não é um registro massivamente agressivo, mas você pode notar que a Ximbra está brava com algo - apenas através da entrega vocal apaixonada.

As dez músicas em destaque aqui se encaixam muito bem como um disco cheio, mas para mim "Abrir os Caminhos (Guerreiro)" é a faixa de destaque e é um excelente ponteiro / termômetro para o disco como um todo; Uma introdução lenta e tranquila que entra em uma explosão feroz de 3 minutos. Se você não tiver certeza do que esperar da banda, então sugiro que você ouça esta faixa com bastante atenção.

Para um primeiro disco, a banda criou um cenário musical atrevidamente atlético. Através das faixas, há distúrbios melódicos balançando, desenfreados, um núcleo florescente que grita e depois se retira e depois grita novamente. É emocionante; Uma viagem tempestuosa, com as janelas baixas, através de todos os tipos de clima que você gostaria de mencionar. Todas as músicas aqui quebram a barreira de dois minutos e é talvez nestes momentos de expansão que Ximbra realmente ganhou vida.

Não é tudo sobre essa profundidade deliberada, no entanto, e algumas das músicas mais curtas / mais concisas trazem uma mudança necessária de engrenagem e também apresentam sua própria sensação de alegria. Os três minutos de 'Capitalismo Antitropical' oferecem poder suficiente para fazê-lo sentir três vezes o tempo que é na realidade, enquanto a restrição lânguida de 'Às Vezes Morga' e a última faixa  'Alegria Leva Tempo' oferecem algo diferente novamente, um pouco triste, muitas vezes sombrio, ocasionalmente furioso que se espalha através de  nuvens cinzentas engolindo um dia de outra forma vibrante.

Sem filtro e sem restrições, A Maldição Desta Cidade Cairá Sobre Nós é um documento magnificamente intrínseco. Vívidos e intensos, e flamejantes, é o som da Ximbra. 



domingo, 25 de junho de 2017

Estranhos no Ninho - FERA (clipe)






















Influenciados pelo indie rock inglês (The Smiths, The Stones Roses), pela banda Os Mutantes e pela poesia marginal e beatnik, os Estranhos no Ninho, lançam Fera, seu novo single voraz e delirante, acompanhado de um clipe.  

Os versos selvagens do poeta Luís Perdiz, ganham camadas de psicodelia e intensidade com a sonoridade, ora visceral e rasgante, ora íntima e atmosférica, de Matheus Frainer (guitarra), Murilo de Lima (baixo), Bruno Gazoni (teclado) e Guilherme Arce (bateria). 

Concebida e gravada de forma espontânea e intuitiva pelos próprios integrantes do conjunto, a faixa declara que “O amor é delírio/com seus sopros sedentos/de esporos na mata esparsa”, enquanto contrastantes sensações e atmosferas são conduzidas pelo instrumental afiado e experimental.

[Lançamento] Fidell EP 2017





































Nascido em Blumenau, Santa Catarina, o músico/compositor Fidel Limas começou a mostrar suas músicas por volta de 2013 ao lado de sua banda Semínima, integrada por Guilherme Delomo e Vitor Dalferth. Com ela gravou 3 singles, "Vai embora", "Compaixão" e "Dia 10 do esquecimento".

Após um pequeno hiato, residindo em Florianópolis, lança seu primeiro trabalho solo "Fidell EP 2017", trazendo 5 canções.

Produzido de forma independente, com captação e mixagem de Christopher Scullion, o EP tem a intenção de registrar de maneira urgente as principais composições do autor antes que caiam no esquecimento. A  captação feita com o gravador cassete "Tascam 424 4-track" dá o brilho na sonoridade simples e intimista, com letras de amor e cotidiano, reforçando a sinceridade da obra.

Música folclórica e experimentalismo no EP da banda Pantaleão

























Tão incomum quanto o seu nome, a banda Pantaleão significa tudo que seu nome atrai: força, beleza, robustez. O som dos quatro músicos vai do calmo ao agitado sem assustar: blues, rock, música folclórica e experimentalismo são os ingredientes dessa mistura agridoce que ganha novos contornos com o lançamento do EP de estreia da banda, “Labirinto”.

O nome exótico veio do personagem principal do livro “Pantaleão e as Visitadouras”, escrito pelo peruano Mario Vargas Llosa. Na estória, o jovem capitão é enviado para a Floresta Amazônica, a fim de resolver um problema de abstinência sexual da tropa do exército. A narrativa moderna, que une cartas e relatos a elementos sexuais e visuais da América Latina, é uma ode à cultura, que vai ao encontro dos conceitos suscitados pela banda e apresentados nos singles “Carnaval” e na épica “Clifford Brown”.

Muito jovens e juntos há pouco tempo, André Buarque (voz e violão), Paulo Valente (saxofone, flauta e teclados), Pedro Salek (bateria e percussão) e Arthur Trucco (baixo e vocais de apoio) são maduros em suas canções, o que fica evidente no trabalho. Gravadas no estúdio Camelo Azul em dois meses, as músicas trazem um clima descontraído e fluido.

“O que nos motivou realmente a gravar as canções foi a nossa surpresa com sua qualidade. Elas têm uma força particular e falam por si só, precisávamos dar a elas o espaço que mereciam. Agora chegou a hora de entregar nossos bebês ao mundo”, revela André Buarque.

Influenciado pelas canções de Bob Dylan e Gilberto Gil, que trazem o espírito trovador em suas composições, André Buarque também busca a contação de histórias em suas letras. “Gosto de elaborar as letras até o momento em que há uma unidade, uma progressão nas palavras. Não precisa ser necessariamente um enredo, mas é importante sentir que se está passando uma mensagem”, conta André.

Mas qual a mensagem que ele deseja passar com suas letras? André Buarque diz que “a arte não se finaliza, se abandona”. Por mais difícil que seja finalizar um projeto, renunciando ao perfeccionismo natural de um músico, o jovem compositor não se priva de buscar novos passos. “A evolução está em completar uma canção e tentar fazer a próxima soar melhor ainda. Um dia de cada vez”, finaliza.